Consumidor consciente só no Primeiro Mundo?
Até pouco mais de dois anos certificação FairTrade não era para o consumidor brasileiro. Por Ulisses Ferreira, especialista em cafeicultura sustentável e consultor de associações e certificações agrícolas.
Publicado em: - 2 minutos de leitura
Sim, até pouco mais de dois anos era assim que consultores, palestrantes e produtores discutiam o tema, certificação FairTrade não era para o consumidor brasileiro, nossos consumidores não estão dispostos a pagar mais por um produto de qualidade, cultivado com respeito aos direitos das pessoas, diziam alguns. Nossas empresas e agroindústrias não se preocupam com a sustentabilidade da cadeia produtiva, diziam outros.
A boa notícia é que esse cenário vem mudando rapidamente, e o consumo de produtos com o selo FairTrade é uma realidade no Brasil. O que abre uma série de oportunidades e desafios para o setor.
Após dois anos de trabalho promovendo o consumo e adesão de empresas ao movimento do comércio justo, além de ações de conscientização sobre o tema, atualmente temos a convicção de que o FairTrade é sim uma demanda crescente no Brasil, é aquilo que todos estavam buscando, um programa sério que garante a sustentabilidade no campo e a confiança do consumidor.
Grandes, médias e pequenas empresas já estão percebendo a força do movimento e buscam colar suas estratégias neste caminho. Mas o consumidor consegue identificar isso? O Consumidor brasileiro sabe o que é FairTrade?
Segundo dados do FairTrade UK, mais de 70% da população da Grã-Bretanha já ouviu falar sobre o comércio justo e aproximadamente 50% já comprou produtos com o selo. Se aplicarmos essa pesquisa no Brasil, teremos números insignificantes, embora crescentes. Mas, então, porque digo que o FairTrade já é uma realidade?
Utilizando a metodologia sugerida por representantes do FairTrade a estratégia adotada no Brasil, para garantir mercado e o consumo de produtos de comércio justo está focada no varejo e não no consumidor final, ou seja, o objetivo é garantir que pequenas, médias e grandes redes de supermercado façam a adesão ao movimento abrindo espaço nas gôndolas para os produtos de comércio justo.
De nada adianta conscientizar toda a população se o produto não estiver disponível, é bem verdade que também não se sustenta apenas colocar o produto no mercado sem reforçar quais os seus diferenciais, essa ação é uma responsabilidade compartilhada entre associações/cooperativas, empresas do setor varejistas, além de instituições, ONG's e voluntários que acreditam no movimento.
Com essas medidas o FairTrade ganha espaço, pois a procura de empresas pelo uso do Comércio Justo é grande e no próximo artigo, vamos falar do passo a passo para obter a licença para o uso da Marca FairTrade.
Material escrito por:
Ulisses Ferreira de Oliveira
Administrador, especialista em cafeicultura sustentável, Diretor do Departamento de Desenvolvimento e Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Botelhos e consultor de associações e certificações agrícolas.
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POÇOS DE CALDAS - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 25/11/2014
A Industria é, ou deveria ser, parte importantíssima nesse movimento. Já existem algumas empresa da Industria do café no Brasil que está procurando maiores informações sobre o assunto. Creio que em breve poderemos falar do apoio dado pela industria brasileira ao movimento de comércio justo.
Entretanto, venho lembrando que o consumo de produtos com o selo Fair Trade no mercado interno criou uma possibilidade para associações/cooperativas, da agricultura familiar, industrializar seus produtos e reduzir ainda mais os atravessadores agregando valor a produção.
Mas lógico que a adesão de grandes empresas do setor industrial dará um impulso muito grande ao movimento, porém é preciso discutir a adesão dessas empresas, pois em um cenário perfeito o negócio small to small é o mais desejado dentro do movimento de comércio justo.

FRANCA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 25/11/2014

SÃO GABRIEL DA PALHA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 24/11/2014
Alias, a industria quer importar café do Vietnan para ganhar mais dinheiro.......