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Cafeicultura Familiar e o Mercado de Cafés

POR ULISSES FERREIRA DE OLIVEIRA

ULISSES FERREIRA

EM 03/06/2019

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Recentemente estive visitando o norte pioneiro do Paraná, região que possui Indicação de Procedência e é caracterizada por uma cafeicultura familiar. Fui a convite da Cocenpp conhecer o trabalho realizado pelo Sebrae/PR e as famílias de agricultores daquela região. Essas visitas são sempre uma grande experiência e nos fazem refletir e mudar, mas nessa em especial fui convidado a falar sobre um tema novo para mim: mercado e comercialização.

Com a baixa dos preços no mercado de cafés é natural que o tema que mais interesse ao cafeicultor é aquele relacionado a projeções da cotação, resumindo: o preço vai subir? Embora não trabalhe necessariamente no mercado do café, todo o trabalho feito com cafeicultores familiares tem como objetivo prepará-los para que possam acessar o mercado de forma mais positiva, porém ministrar uma palestra me ajudou a estudar ainda mais o mercado, as tendências e os desafios, o resultado compartilho aqui com vocês.

Primeiramente me apresentei ao público da palestra como um especialista em agricultura familiar, pois embora não tenha um curso voltado para essa área, minha carreira sempre foi em apoiar este seguimento, sempre me questionei sobre a possibilidade de trabalhar com grandes produtores e as vantagens que teria em direcionar minha carreira para esse segmento em detrimento da agricultura familiar, porém, por vocação, optei por continuar a fazer aquilo que me identifico.

E neste caso não se trata de ser contra grandes propriedades, grandes empresas do agronegócio, trata-se apenas de saber que também existe um seguimento gigantesco de pequenas propriedades, gerenciadas e conduzidas com mão de obra familiar e que esse público também tem um grande potencial.

Além disso, quem não acredita na agricultura familiar, um alerta! “Grandes produtores também quebram, e quando isso acontece o efeito é desastroso”. Dá mais trabalho ter que negociar com vários agricultores, mas diluir os riscos é sempre bom.

No caso da cafeicultura, dados do IBGE mostram que de 30 a 35% da produção é oriunda da cafeicultura familiar. Em termos de sacas, isso representa mais de 17 milhões de sacas (safra 2019). No quesito pessoal ocupado, são mais de 2 milhões de pessoas envolvidas e em regiões tradicionais movimentam a economia de pequenas e médias cidades, tais como as do Norte Pioneiro do Paraná.

Para esses cafeicultores e regiões afirmo que para se manter competitivo é fundamental:

Em primeiro lugar possuir produtividade com manejo, técnicas e investimento em lavouras que resultem em ganhos de produtividade por área, e não em aumento de área plantada.

Segundo, que possam trabalhar lotes especiais e buscar participar desse mercado que cresce exponencialmente, tanto no Brasil quanto em outros países, mas que é extremamente exigente.

Terceiro, e isso sempre digo aqui, que estejam organizados em associações/cooperativas, que estas sejam transparentes, democráticas e enxutas, para que os benefícios do ganho de escala sejam voltados ao produtor e não à organização.

E que tenham uma boa gestão do seu negócio, com planejamento de custos, vendas, estratégico, ou seja, saibam realmente gerenciar com eficiência e eficácia seu negócio. Não há espaço para amadores.

Finalmente, que tenham um diferencial, seja uma produção orgânica, agroecológica, uma marca, cafés premiados, ou seja, algo que agregue valor ao produto e saia da commodity.

Mas vão me perguntar: e quanto ao preço!!!

Sim, o preço quem condiciona é o mercado, pouco o produtor pode fazer nesse sentido, por isso acredito tanto no Fair Trade, por ver consumidores exigindo que compradores paguem um preço mais justo ao produtor. Porém, além disso, é hora do produtor pensar em comercializar seu próprio café, um negócio envolve muitas tarefas e o produtor é muito competente na grande maioria delas, porém deixar a tarefa da comercialização na mão de terceiros é um erro fatal e tem muita gente lucrando com essa “comodidade” do produtor.

ULISSES FERREIRA DE OLIVEIRA

Administrador, especialista em cafeicultura sustentável, Diretor do Departamento de Desenvolvimento e Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Botelhos e consultor de associações e certificações agrícolas.

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GUILHERME DOS SANTOS SALOMÃO

MUZAMBINHO - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 27/06/2019

Parabéns Ulisses pelas palavras, concordo com o seu pensamento e vejo que o desafio é enorme no sentido de desenvolver o gerenciamento da propriedade, na busca pelas novas opções de venda do produto, na diferenciação pela qualidade e informação que caracterizam os lotes de cafés. Com certeza os agentes intermediários do mercado, que ligam os consumidores à produção tem o seu valor, porém não podem ser os únicos a lucrarem com o negócio.
Na minha humilde opinião, existe muito espaço para redução do preço dos cafés nas cafeterias e gondolas de mercados no exterior, melhoria da qualidade e agregação de valor no café consumido aqui no país, assim como mais justiça na formação dos preços pagos ao produtor.
Porém não podemos fazer o mercado (consumidor, importador, grandes traders, cooperativas, etcs) pagarem pelos prejuízos em casos de ineficiência produtiva. É fundamental que o produtor seja mais profissional, saiba gerenciar sua atividade, investindo e manejando sua lavoura corretamente para reduzir e diluir os custos, melhorar a qualidade e por fim poder comercializar seu café com sabedoria.
Neste caso, não ficam isentos de responsabilidade o governo e a iniciativa privada, no fornecimento de serviços de qualidade, com preços justos, custeio, crédito, taxas e seguro agrícola da produção confiáveis, etc
SILVIO BENETTI

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - TRADER

EM 05/06/2019

Meu caro Sr.Ulisses.
Me parece assustador um técnico analista em cafeicultura e que se diz distante da área comercial estar sugerindo que produtores familiares, portanto médios e pequenos banham ao mercado PESSOALMENTE vender seu café, sem a menor noção de como é a formação de preço desta Commodities.Saiba que a melhor ajuda no caso é o corretor de café.
É ele que saberá avaliar um lote através da amostra e onde oferecê-lo com objetivo a alcançar o melhor preço.
Senhor Ulisses, este seu comentário poderá causar prejuízos......Produtor pequeno não sabe que o berço dos preços de seu café nasce em New York, na bolsa, muito menos transformar o preço da bolsa descrito em centavos de dólar por libra-peso em reais por saca......CAPICHE?
Silvio Benetti
Corretor de café
JOJO BORGES SILVA

EM 06/06/2019

Caro silvio, o texto fala pra agregar valor como por exemplo sair de cafe commoditie. Por acaso a bolsa de ny forma preços de micro lotes especiais?
ULISSES FERREIRA DE OLIVEIRA

POÇOS DE CALDAS - MINAS GERAIS

EM 06/06/2019

Olá Silvio, boa tarde!!! Agradeço seu comentário, é sempre muito positivo a interação dos leitores com os colunistas, este é o sonho de todo colunista, mesmo que não concordem com o texto.

Silvio realmente não trabalho no mercado de cafés, isso quer dizer que não compro e não vendo café, mas não quer dizer que estou distante, na verdade vivo todos os dias em contato e aprendendo sobre os desafios da agricultura familiar nessa área.

Quanto a questão de cafeicultores familiares estarem acessando o mercado diretamente, tenho infinitos exemplos, casos de sucesso, de agricultores que estão dando este passo e com sucesso. logicamente precisam de capacitação, informação e até mesmo tino comercial. Tem cafeicultor familiar simples, que dá aula de mercado internacional, que já participou de cursos inclusive no exterior sobre o tema.

Acessar o mercado diretamente, não significa necessariamente eliminar o corretor, muito pelo contrário, conheço diversos corretores que prestam um serviço importante e junto com o cafeicultor encontram as melhores opções de mercado. Mas com a diferença que são pró ativos nesta negociação. Certamente um corretor até prefere que seu cliente esteja informado e atuando em conjunto e que entenda do mercado, pois isso facilita o trabalho do corretor.

Cada vez mais o cafeicultor está se capacitando para saber avaliar a qualidade de seu café e o caso de associações/cooperativas da agricultura familiar geralmente alguns produtores da associação são capacitados para isso.

Tenho a tranquilidade em dizer que as informações passadas não trazem prejuízos, muito pelo contrário, são caminhos que podem ser trilhados para trazer resultados melhores para a cadeia produtiva.

Trabalho com muitos agricultores familiares certificados Fair Trade que sabem, até por exigência da certificado, fazer exatamente a as conversões de cotação, dólar ou libra peso. Uma passagem interessante de um pequeno produtor foi quando levei alguns alunos do curso de administração e ele, em seu pequeno terreiro de café, deu uma aula de bolsa de valores, espantada uma aluna pergunto como ele sabia fazer tudo aquilo, ele disse é simples, é só pesquisar no google. Ou seja, as informações estão cada vez mais acessíveis.

Basta o produtor se informar.
EM RESPOSTA A JOJO BORGES SILVA
ULISSES FERREIRA DE OLIVEIRA

POÇOS DE CALDAS - MINAS GERAIS

EM 06/06/2019

Ola, Jojo Borges!!!

Obrigado pelo comentário, realmente no texto apresento alternativas, são caminhos que o produtor pode seguir para se manter com rentabilidade em sua atividade.