A força do agronegócio de Guaxupé e a luta de seus produtores

Ulisses Ferreira analisa a produção da cooperativa

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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Por Ulisses Ferreira

Guaxupé é um dos municípios mais relevantes do agronegócio brasileiro, conhecido nacional e internacionalmente por sediar uma das maiores cooperativas agrícolas do mundo, a Cooxupé. Guaxupé tem números expressivos que demonstram a pujante economia baseada na exportação do Café.

Para se ter uma ideia, segundo dados do Ministério do Comércio Exterior e Serviços, de janeiro a novembro de 2019 Guaxupé já havia exportado mais de US$ 725 milhões, o que coloca o município de pouco mais de 52.000 habitantes na 8° colocação do estado e 61° do país no ranking de exportações. O café representa 100% dessas exportações.

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Tais exportações estão intimamente ligadas à Cooperativa Cooxupé, porém outras importantes empresas do setor como a Exportadora Guaxupé e o Grupo Ribeiro do Valle também atuam no município, que possui porto seco destinado ao desembaraço aduaneiro para a exportação do Café.

Este é o que a maioria das pessoas que não vivem em Guaxupé conhecem da cidade, porém um trabalho recente me levou ao polo da cafeicultura do Sul de Minas e pude conhecer de perto um pouco mais do agronegócio do município, e uma das primeiras perguntas que fiz àqueles que vivem o dia a dia do produtor guaxupeano foi, “Bom Guaxupé é uma potência do agronegócio, mas como está o produtor de Guaxupé?

A resposta é complexa e está sendo tema de um trabalho realizado com participação de diferentes atores e deve ser respondida através de levantamento de dados e entrevistas com produtores, além de reuniões de pessoas ligadas ao setor. Graças ao Guaxupé 2050, projeto adquirido pela prefeitura municipal com a consultoria da Agência de Desenvolvimento do Leste Paulista e Sul de Minas, a cidade está envolvida na busca dessa resposta e ainda na criação de propostas para os próximos 30 anos. Como Guaxupé espera estar em 2050. O projeto é suprapartidário, tem a participação popular e solidária nas análises e propostas de melhoria.

Um dos eixos desse projeto é relativo ao setor de agronegócios, porém o projeto prevê estudos na área de turismo, saúde, educação, comércio, indústria, etc... Como consultor do projeto na área de agronegócio, coletamos dados que mostram algumas realidades do produtor do município.

A maioria absoluta, 90%, são homens, o que demonstra a importância de ações voltadas a valorização e o reconhecimento das mulheres no campo. Mais de 60% dos produtores não possui ensino médio completo, ainda em termos de escolaridade um dado curioso é que mais de 17% dos produtores relatam ter curso técnico, o que mostra a importância do Instituto Federal do Sul de Minas para a formação técnica da produtores da região. Mais de 50% relata não receber assistência técnica. Apenas 26% dos produtores informam ter acesso a crédito rural.

O café certamente é o maior produto agropecuário do município, porém produção de leite, soja, milho, feijão, banana e macadâmia, além da produção de Frutas, Legumes e verduras está crescendo com a recém criada Associação dos Produtores da Agricultura Familiar de Guaxupé (APRAF). O que mostra que muito mais do que um polo em exportação de café o município também tem potencialidades em vários seguimentos.

Para desenhar o futuro o conhecimento da realidade atual é fundamental e o município sabe agora quais são seus pontos fortes e fracos, ameaças e oportunidades e espera criar um plano que possa fazer com que Guaxupé continue sendo uma potência do agronegócio, gerando emprego e renda para sua população. Neste sentido algumas propostas já estão surgindo como a necessidade de investimento em diversificação da produção, a busca por estar na vanguarda das transformações digitais pela qual passa o campo, além de aproveitar o potencial turístico do município que já possui constante fluxo de visitantes de negócios, mas que espera criar condições para que o turista possa permanecer por mais tempo no município.

Ou seja, embora Guaxupé já seja uma referência em agronegócio o município não quer dormir em berço esplendido e pretende melhorar ainda mais o ambiente de negócios para se tornais ainda mais dinâmico e competitivo.

O projeto Município 2050 executado pela Agência de Desenvolvimento do Leste Paulista de Sul de Minas, também está realizando ações voltadas para o agronegócio e São José do Rio Pardo, Tambaú, Mococa e Lambari, sendo uma grande oportunidade para lideranças do agronegócio dos municípios buscar maiores resultados e direcionar os esforços na busca pelo desenvolvimento sustentável no meio rural.

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Material escrito por:

Ulisses Ferreira de Oliveira

Ulisses Ferreira de Oliveira

Administrador, especialista em cafeicultura sustentável, Diretor do Departamento de Desenvolvimento e Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Botelhos e consultor de associações e certificações agrícolas.

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Isabel Aparecida de Oliveira
ISABEL APARECIDA DE OLIVEIRA

LAMBARI - MINAS GERAIS - PROVA/ESPECIALISTA EM QUALIDADE DE CAFÉ

EM 07/04/2020

Estou cada vez gostando mais desse progeto.