Bruno Varella Miranda

BRUNO VARELLA MIRANDA

Professor Assistente do Insper e Doutor em Economia Aplicada pela Universidade de Missouri

17/08/2011

Pobre Standard & Poor's

O anúncio feito pela Standard & Poor's, rebaixando a nota dos EUA pela primeira vez na história, causou enorme comoção. Desde então, diversas explicações têm surgido. Houve quem criticasse a atual administração norte-americana, quem jogasse a culpa no antecessor de Obama ou ainda quem questionasse a capacidade da qualificadora de risco. Ora, é perfeitamente aceitável perguntar, qual a credibilidade da avaliação da Standard & Poor's, tendo em vista seu histórico recente de previsões equivocadas?

29/07/2011

Existe empreendedorismo destrutivo?

Em qualquer sociedade, determinadas noções são alçadas a um status que as tornam unânimes. O exemplo do termo "desenvolvimento" é o mais óbvio: é praticamente impossível encontrar uma pessoa que se oponha ao desenvolvimento, embora inexista um consenso acerca do seu significado exato. Outras idéias possuem apelo semelhante, entre as quais a do empreendedorismo. Não são poucas as análises que enaltecem o papel desses desbravadores de oportunidades econômicas para o progresso de uma sociedade, reivindicando maior atenção à formação desse perfil. Chega-se mesmo a propor que o empreendedorismo possa ser ensinado!

19/07/2011

Ações coletivas e o café: o futuro da ABIC

A troca de comando na Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) e a saída de duas importantes empresas da associação nos convida à reflexão. Personagem central em diversos acontecimentos observados nas últimas décadas, a ABIC entra em uma fase de reacomodação dentro da dinâmica do setor. Se compararmos a realidade atual com aquela encontrada no início da década de 1990, por exemplo, veremos que o Brasil - e o mundo - mudaram muito. Como se adequar, então, aos novos tempos?

31/05/2011

Procura-se o empreendedor

Esse texto é uma prova das limitações enfrentadas por nós, pesquisadores, ao tentarmos explicar questões do cotidiano. Tomemos o caso do empreendedor, essa figura fundamental para o funcionamento da economia capitalista. Quando abrimos os manuais de microeconomia utilizados nas universidades, nos deparamos com mercados em que os agentes são idênticos, tomando decisões com base na melhor informação disponível. Em outras palavras, é como se o mercado, em um passe de mágica, ordenasse o sentido dos recursos e, consequentemente, o destino das pessoas.

15/04/2011

Espíritos animais

Um livro esquecido na estante há alguns meses tem se mostrado uma leitura das mais interessantes. Escrito por uma dupla de peso, <i>Animal Spirits</i> concorreu a uma série de prêmios em 2009. Em parte, os autores, foram ajudados pelo fato de tratarem de questões fundamentais para a compreensão da grave crise de 2008 e as suas consequências. <i>Animal Spirits</i>, porém, vai além disso: apresenta uma série de pontos cuja influência sobre a análise econômica deve ser revista.

01/03/2011

Há momento melhor que agora?

Foi com grande satisfação que lemos todas as cartas enviadas nas últimas duas semanas. É essa a função da coluna, e de portais como o CaféPoint: estimular o debate. Acreditamos que a troca de percepções entre indivíduos com experiências de vida distintas é um excelente caminho para entendermos melhor qualquer problema complexo. Bem, vamos ao que interessa. Indo direto ao ponto, controle de preços não é solução. Não defendemos essa política por um motivo simples: qualquer cotação estabelecida seria arbitrária.

20/01/2011

Ocupação do solo: seremos capazes de apresentar uma alternativa para o futuro?

Em nosso primeiro artigo do ano passado, abordamos a questão do uso do solo no Brasil, chamando a atenção para a falta de planejamento. Infelizmente, a pauta segue atual; pior, tememos que assim sigam as coisas pelos próximos anos. É triste ver a sucessão de erros, descaso e mortes que vem sacudido diversos pontos do território brasileiro. Pior é termos a sensação de que provavelmente levará muito tempo até que essa pauta perca a dramaticidade dos dias atuais.

29/10/2010

Limitação das propriedades: faz sentido?

A seção "os 10 mais!" do CaféPoint constitui um bom termômetro para a observação dos interesses e das preocupações de seus leitores. Nas últimas semanas, o tema mais comentado foi uma declaração do ministro Guilherme Cassel, em que o titular da pasta do Desenvolvimento Agrário se disse favorável a uma limitação no tamanho das propriedades rurais brasileiras. O teor dessas participações, bastante crítico, é um convite ao debate.

15/10/2010

A sustentabilidade e a economia: convivência difícil

Uma grande vantagem da existência da Internet é a possibilidade da troca de impressões acerca dos mais variados temas. Sítios como o CaféPoint, nesse sentido, facilitam os debates, ao propor temas e convidar os leitores a darem sua opinião. Há alguns dias, a bola da vez foi a sustentabilidade: por meio do preenchimento de um questionário, era solicitado aos cafeicultores que expusessem seu ponto de vista. Um ambiente em que o debate é estimulado beneficia a todos, especialmente quando exercitamos nossa capacidade de autocrítica.

14/09/2010

Atividade agropecuária e satisfação pessoal: é só uma questão de preço?

Nessa quinzena, pedimos licença a um leitor para usar sua carta como exemplo. O relato em questão é o do engenheiro agrônomo Diogo Macedo, publicado em resposta a nosso penúltimo artigo. Nele comentávamos a "Carta do Zé Agricultor ao Luis da Cidade", texto encontrado em diversos sítios da Internet. A razão de usarmos esse depoimento é simples: cremos que ele nos permite refletir sobre a própria condição da vida no campo.

13/08/2010

Qual é o futuro para o Zé Agricultor?

Texto popular na Internet, a carta do Zé Agricultor para o Luis da Cidade expressa o sentimento de muitos brasileiros. Escrita com humor, explora os contrastes entre as zonas urbanas e rurais, tendo em vista o progressivo endurecimento das regras trabalhistas e ambientais. A conclusão que apresenta é a de que as restrições crescentes impostas aos agricultores não encontram um paralelo nos grandes centros; em consequência, essa penalização levaria, no médio prazo, ao abandono da atividade agrícola por um número crescente de indivíduos.