Para o alto e avante; para sempre?

O título da nossa coluna quinzenal, prezados leitores, não passa de uma provocação. Depois do intenso debate relativo ao texto "A próxima grande crise?", não podemos deixar de adotar uma postura cautelosa. Há muito a comemorar. Faremos alguns comentários rápidos, de certa forma, "provocações".

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O título da nossa coluna quinzenal, prezados leitores, não passa de uma provocação. Depois do intenso debate relativo ao texto "A próxima grande crise?", não podemos deixar de adotar uma postura cautelosa. Há muito a comemorar, especialmente aqueles que estão se beneficiando dos cenários favoráveis. As razões para a atual conjuntura são conhecidas de todos, de modo que não nos alongaremos em sua enumeração. Melhor, faremos alguns comentários rápidos, de certa forma, "provocações":

Até quando será assim?

Trata-se de pergunta que ninguém é capaz de responder. Os fundamentos parecem favoráveis à manutenção dos preços em um patamar favorável por longo período. Por outro lado, somos ainda ignorantes em relação aos elementos que comporiam os tais "fundamentos": por mais que desejemos respostas claras para o futuro, somos reféns dos sentimentos do presente! De qualquer maneira, lembramos que:

1. Altos preços por um longo período fatalmente levarão à expansão da produção. Somem-se a isso os avanços tecnológicos no setor que, por sinal, têm beneficiado o Brasil. Logo, é desnecessário enfatizarmos que a alta não é eterna. Ainda assim, a situação é boa: já são anos em que a oferta não dá conta da demanda, e o crescimento econômico nos países emergentes garante força a essa tendência.

2. Concordamos com o que tem sido dito acerca da oferta limitada do produto e da demanda crescente. De fato, contra fatos, não há argumentos. Inclusive, trata-se do principal alento para o setor: para onde quer que se olhe, o futuro é de estoques limitados.

Não devemos nos esquecer, porém, que as bolsas do mundo se encontram interligadas, e há muito dinheiro "vagando" por aí em busca de oportunidades de lucro. No fundo, tememos os futuros rumos dados aos planos de auxílio no Primeiro Mundo e a forma como estes impactarão nos distintos mercados. Tanto a reversão das expectativas quanto eventuais problemas na demanda podem trazer surpresas desagradáveis no futuro.

3. Os alertas "1" e "2", na verdade, foram feitos para que os produtores tenham consciência: o momento precisa ser aproveitado da melhor forma possível. Essa é a hora de pagar as dívidas, caso seja possível ou, ainda, para a realização de investimentos na produção. Já basta o mau exemplo da população das grandes cidades, com o seu endividamento crescente.

O que será da indústria?

Não podemos nos esquecer que a indústria, pressionada pelos custos crescentes, buscará se adaptar ao novo contexto. Já no médio prazo deveremos nos deparar com novidades interessantes nesse elo da cadeia. Por enquanto, é suficiente delinearmos tendências que consideramos incontornáveis.

Custos mais altos significam, em primeiro lugar, dificuldades para as pequenas torrefadoras. Por isso, é bastante provável que a concentração no setor, que avança há anos, intensifique-se ainda mais. A própria conscientização dos consumidores também tem o seu papel nesse processo, ao exigir negócios capazes de oferecer produtos diferenciados ou, ao menos, um controle de qualidade mínimo.

Além das vantagens relacionadas à escala, as gigantes da indústria têm ainda outro trunfo: podem investir pesado no desenvolvimento de novos produtos e na pesquisa aplicada ao seu negócio. Nesse último caso, a busca incessante para a redução da dependência de um dado grupo de fornecedores seguirá seu curso; para indústria, quanto mais opções, melhor.
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Material escrito por:

Bruno Varella Miranda

Bruno Varella Miranda

Professor Assistente do Insper e Doutor em Economia Aplicada pela Universidade de Missouri

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sylvia saes

sylvia saes

Professora do Departamento de Administração da USP e coordenadora do Center for Organization Studies (CORS)

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