Faz algum sentido?
Era uma vez um país na América do Sul, governado por uma ditadura militar. O autoritarismo era flagrante; ainda assim, fazia-se o possível para que as aparências fossem mantidas. Como o antigo sistema partidário se mostrasse inadequado para os anseios da "revolução", criou-se algo novo: um bipartidarismo artificial, amparado em todo o tipo de distorção nas regras.
Era uma vez um país na América do Sul, governado por uma ditadura militar. O autoritarismo era flagrante; ainda assim, fazia-se o possível para que as aparências fossem mantidas. Como o antigo sistema partidário se mostrasse inadequado para os anseios da "revolução", criou-se algo novo: um bipartidarismo artificial, amparado em todo o tipo de distorção nas regras.
Um desses grupos, a Arena, constituiu a principal base de sustentação da ditadura. Com o fim do regime e a volta do multipartidarismo, a Arena mudou de nome, passando a ser conhecido como o PDS. O PDS, porém, logo seria esvaziado diante da necessidade de garantir uma transição conservadora no Brasil. Alguns de seus quadros iriam para o PMDB, que de oposição ao regime passou a ser o refúgio de alguns de seus caciques, ao passo que o PFL foi fundado.
Desde então, tanto o PMDB quanto o PFL têm sido fundamentais para explicar a história política do Brasil. Ambos têm contribuído para a manutenção dos governos democraticamente eleitos desde 1989. No caso do PFL, a aliança com o PSDB permitiu a aprovação de diversas medidas que afetam diretamente a nossa sociedade nos dias de hoje. Na atualidade, trata-se de um dos principais grupos de oposição - e, portanto, de monitoramento - do governo eleito.
Independentemente do passado questionável de muitos de seus integrantes, o PFL sobrevive como um importante elemento da oposição ao atual governo. Não precisamos nos alongar para explicar a importância da oposição em qualquer sociedade; naturalmente, isso vale para a eventual vitória de qualquer um dos partidos existentes em nosso país.
O PFL, entretanto, não se chama mais PFL. Desde 2007, o partido se intitula Democratas, o que foi justificado, à época, sob o argumento de que a legenda queria oferecer uma alternativa moderna para a direita política. Justo, muito justo: de fato, a sociedade brasileira precisa de pluralidade de opiniões. Logo, se o DEM pretende abraçar a nova realidade e oferecer soluções para os eleitores, ganhamos todos com mais uma opção.
Acontece que uma estrela ascendente do DEM pretende passar para o lado do governo. Não só isso, acredita que pode levar um punhado de políticos consigo. Conhecedor da legislação eleitoral, sabe que não pode realizar a troca de partido diretamente, motivo que o leva a defender nos bastidores a criação de uma nova legenda. Meses depois, esse partido seria fundido a outra legenda da base governista. Em meio a essa manobra, nós, os eleitores, com clara dificuldade de entender essa lógica.
A história narrada acima é um típico conto político brasileiro. Suas personagens, seres de carne e osso, só estão lá por nosso voto. Um país democrático sério depende de um sistema eleitoral consolidado; isso só é possível quando os partidos fazem a sua parte. O que precisamos são legendas com um conteúdo programático claro, e um projeto para o país que vá além da troca de cargos ou das conveniências de curto prazo.
Só esperamos que a falta de compromisso de muitos de nossos políticos com a consolidação do sistema partidário brasileiro leve a um quadro tão artificial quanto o observado no auge da ditadura. O exemplo dado aqui certamente não é o único; basta vermos a (in)coerência ideológica de nossos "comunistas" ou a incrível capacidade do eterno sócio do governo a se moldar às contingências. Para que uma democracia floresça, não é preciso unicamente o direito ao voto; indo além, precisamos de alternativas estáveis.
Um desses grupos, a Arena, constituiu a principal base de sustentação da ditadura. Com o fim do regime e a volta do multipartidarismo, a Arena mudou de nome, passando a ser conhecido como o PDS. O PDS, porém, logo seria esvaziado diante da necessidade de garantir uma transição conservadora no Brasil. Alguns de seus quadros iriam para o PMDB, que de oposição ao regime passou a ser o refúgio de alguns de seus caciques, ao passo que o PFL foi fundado.
Desde então, tanto o PMDB quanto o PFL têm sido fundamentais para explicar a história política do Brasil. Ambos têm contribuído para a manutenção dos governos democraticamente eleitos desde 1989. No caso do PFL, a aliança com o PSDB permitiu a aprovação de diversas medidas que afetam diretamente a nossa sociedade nos dias de hoje. Na atualidade, trata-se de um dos principais grupos de oposição - e, portanto, de monitoramento - do governo eleito.
Independentemente do passado questionável de muitos de seus integrantes, o PFL sobrevive como um importante elemento da oposição ao atual governo. Não precisamos nos alongar para explicar a importância da oposição em qualquer sociedade; naturalmente, isso vale para a eventual vitória de qualquer um dos partidos existentes em nosso país.
O PFL, entretanto, não se chama mais PFL. Desde 2007, o partido se intitula Democratas, o que foi justificado, à época, sob o argumento de que a legenda queria oferecer uma alternativa moderna para a direita política. Justo, muito justo: de fato, a sociedade brasileira precisa de pluralidade de opiniões. Logo, se o DEM pretende abraçar a nova realidade e oferecer soluções para os eleitores, ganhamos todos com mais uma opção.
Acontece que uma estrela ascendente do DEM pretende passar para o lado do governo. Não só isso, acredita que pode levar um punhado de políticos consigo. Conhecedor da legislação eleitoral, sabe que não pode realizar a troca de partido diretamente, motivo que o leva a defender nos bastidores a criação de uma nova legenda. Meses depois, esse partido seria fundido a outra legenda da base governista. Em meio a essa manobra, nós, os eleitores, com clara dificuldade de entender essa lógica.
A história narrada acima é um típico conto político brasileiro. Suas personagens, seres de carne e osso, só estão lá por nosso voto. Um país democrático sério depende de um sistema eleitoral consolidado; isso só é possível quando os partidos fazem a sua parte. O que precisamos são legendas com um conteúdo programático claro, e um projeto para o país que vá além da troca de cargos ou das conveniências de curto prazo.
Só esperamos que a falta de compromisso de muitos de nossos políticos com a consolidação do sistema partidário brasileiro leve a um quadro tão artificial quanto o observado no auge da ditadura. O exemplo dado aqui certamente não é o único; basta vermos a (in)coerência ideológica de nossos "comunistas" ou a incrível capacidade do eterno sócio do governo a se moldar às contingências. Para que uma democracia floresça, não é preciso unicamente o direito ao voto; indo além, precisamos de alternativas estáveis.
Material escrito por:
Bruno Varella Miranda
Professor Assistente do Insper e Doutor em Economia Aplicada pela Universidade de Missouri
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Professora do Departamento de Administração da USP e coordenadora do Center for Organization Studies (CORS)
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JOSE EDUARDO FERREIRA DA SILVA
BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS
EM 18/03/2011
Precisamos de oposição!

CARLOS ALBERTO DE CARVALHO COSTA
MUQUI - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 16/03/2011
Ótimo artigo. Gostaria apenas de saber em quais coligações estão os famigerados Collor de Melo, Sarney, Renan Calheiro, Ibsen Pinheiro,etc. Só muda a sigla pois o conteúdo é o mesmo, nenhum pensa na coletividade, só em se locupletar.
Quantos, fora da eleição já lutaram por nós cafeicultores, os que já o fizeram foi por pura demagogia.
Abraços
Carlos Alberto/ produtor de robusta em Muqui-ES
Quantos, fora da eleição já lutaram por nós cafeicultores, os que já o fizeram foi por pura demagogia.
Abraços
Carlos Alberto/ produtor de robusta em Muqui-ES