Há momento melhor que agora?
Foi com grande satisfação que lemos todas as cartas enviadas nas últimas duas semanas. É essa a função da coluna, e de portais como o CaféPoint: estimular o debate. Acreditamos que a troca de percepções entre indivíduos com experiências de vida distintas é um excelente caminho para entendermos melhor qualquer problema complexo. Bem, vamos ao que interessa. Indo direto ao ponto, controle de preços não é solução. Não defendemos essa política por um motivo simples: qualquer cotação estabelecida seria arbitrária.
Isso posto, queremos fazer alguns comentários. Pedimos licença aos leitores para usar alguns de seus argumentos sem citar devidamente a fonte. Nosso objetivo é unicamente dar maior fluidez ao texto. Aos que não leram o debate anterior, convidamos a acessarem o
último texto , a fim de acompanhar toda a discussão. Importante: como o tema é extenso, e consideramos importante consolidar as ideias, dividiremos os pontos levantados pelos leitores em uma série de textos. Entre cada um deles, o já conhecido período de quinze dias aberto para um eventual debate.
Bem, vamos ao que interessa. Indo direto ao ponto, controle de preços não é solução. Não defendemos essa política por um motivo simples: qualquer cotação estabelecida seria arbitrária. Basta lembrarmos que os custos de produção não são homogêneos. Além disso, as condições mudam a todo momento. Quebras de produção, problemas econômicos, novos hábitos de consumo, há uma série de fatores que explicam o porquê os mercados funcionam melhor quando com o mínimo possível de amarras.
Achar, porém, que as leis da oferta e da demanda são os únicos juízes da economia nos parece inadequado. Por sorte, os mercados do mundo real são bem mais interessantes do que os apresentados nos livros usados nas universidades; não fosse assim, pesquisadores provavelmente não teriam muito o que fazer! Além das variáveis estritamente econômicas, há questões políticas, sociais, ambientais e cognitivas que o modelo de concorrência perfeita, apenas para ficar no "feijão com arroz", não considera.
É evidente que a oferta e a demanda ajudam a explicar em parte o movimento nos preços do café. Quando se olha, porém, o movimento dos mercados de commodities em conjunto, é interessante observar como a euforia nas cotações parece um pouco descolada do ritmo da economia mundial. Os sucessivos planos de ajuda do governo norte-americano, de fato, inundaram os mercados de dólares. Sua implementação não é explicada por alguma lei econômica; de fato, há poucas coisas mais "políticas" do que um plano de ajuda. Agora nos resta saber: o que será feito quando chegar o momento de pagar a conta?
A cafeicultura, obviamente, não tem a obrigação de oferecer uma solução para os problemas norte-americanos. O que o setor precisa é planejar um futuro em que, possivelmente, os preços voltem a um patamar menos favorável. Achar que as cotações subirão eternamente, ou se manterão nesse nível, é ilusório. O bom momento poderia ser utilizado para resolver alguns problemas do setor, ou mesmo para criar reservas para turbulências futuras. Nesse sentido, uma sugestão inspirada em relato feito pelo Roberto Ticoulat, em carta publicada recentemente aqui no CaféPoint, merece ser discutida.
Não faz muito tempo, discutiu-se nessa mesma coluna a necessidade de criação de uma "regra de saída" para a cafeicultura. Pois bem, se essa política é mesmo necessária, nada melhor do que pensarmos nela em um momento de cotações em alta. Para muitos cafeicultores, esse alívio momentâneo pode significar a hora certa de deixar o negócio. Quando voltarem os tempos difíceis - e eles voltarão, como em qualquer setor de uma economia capitalista - seria importante que questões como essa já estivessem melhor encaminhadas. Do contrário, voltaremos ao estágio inicial e, pior, repetindo velhas receitas que, sabemos, não funcionam.
Queremos deixar claro que não estamos aconselhando ninguém a abandonar a cafeicultura. O que, sim, afirmamos, é que o fato de as vacas estarem engordando não significa deixar tudo unicamente a cargo das "leis naturais" da economia. Períodos de alta como este mostram que a cafeicultura não é uma atividade sem futuro, como muitos chegam a dizer nos momentos de crise: o que precisamos é planejar qual o futuro que desejamos perseguir. Sempre que possível, convém mitigar o efeito destrutivo das oscilações; oferecer um caminho a quem mais sofre com elas é algo que merece nossa atenção.
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Material escrito por:
sylvia saes
Professora do Departamento de Administração da USP e coordenadora do Center for Organization Studies (CORS)
Acessar todos os materiaisBruno Varella Miranda
Professor Assistente do Insper e Doutor em Economia Aplicada pela Universidade de Missouri
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SÃO JOSÉ DO RIO PARDO - SÃO PAULO - DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS (CARNES, LÁCTEOS, CAFÉ)
EM 10/03/2011
Abraço

CARATINGA - MINAS GERAIS
EM 07/03/2011
BOA ESPERANÇA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 05/03/2011
A realidade dos mercados é bem complexa, os fundamentos teóricos da economia realmente não irão explicar bem os fatos, talvez simplesmente pelo fato da ciência econômica não ser uma ciência exata como a maioria pensa, ela está à mercê das decisões de cada cérebro pensante; consumidores, produtores, torrefadores, governantes e por aí vai, uma cadeia complexa, é imprevisível. Somente os números (quantidade ofertada e demandada) não irão determinar a equação. Isto não significa que devemos deixar a coisa simplesmente rolar. Dentre os membros da cadeia do café que acabei de citar, os consumidores e produtores são os que compõem maior número de participantes, por obra do destino, são aqueles que individualmente têm menor poder de fazer alguma coisa pela cadeia. Então, parece que a regra seria reduzir o número de produtores, e isto poderia ser feito através de uma união entre as cooperativas do setor, principalmente naquilo que se refere à comercialização do café. Assim os compradores do produto teriam que enfrentar um mercado menos pulverizado e fragilizado. Para este exemplo, em menor escala, posso citar como seria bem mais difícil a obtenção de preços desejáveis se a comercialização fosse feita comprador - produtor sem intermédio de cooperativas (ruim com elas pior sem elas). A nossa estrutura de comercialização não vem seguindo as tendências da nova ordem econômica. Se o mercado de petróleo fosse como o nosso; um contingente enorme de exploradores e algumas pequenas cooperativas, estaríamos pagando um preço enorme por ele?
Pouquíssimas vezes a cotação do café em NY ultrapassou 200,00 cent$/lb e nos acostumamos a pensar que quando rompida esta barreira o preço estaria excelente, é o mau de parearmos produtos a certos valores. As indústrias de fertilizantes com certeza não fazem o mesmo, me lembro de uréia a Us$ 200,00 / ton.
O momento agora é de organizarmos, reestruturar a forma de comercializar nosso cafezinho de cada dia, isto é o que eu penso.
Um grande abraço!
VIÇOSA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 01/03/2011
Em 1998 os produtores de café receberam em torno de 280,00 pela saca bebida dura com 20% de catação.
De quanto era o valor do salário mínimo em 1998? O salário mínimo valia R$ 120,00. Se dividirmos o valor da saca de café daquele ano pelo valor do salário mínimo daquele ano, veremos que uma saca de café valia 2,33 vezes o valor do salário mínimo.
Quanto vale o salário mínimo este ano? A partir de hoje ele vale R$ 545,00. Se multiplicarmos o valor do salário mínimo pelo mesmo fator de 1998, veremos que a saca de café bebida dura com 20% de catação teria que valer em torno de R$ 1269,85.
Os preços de outros fatores de produção também tiveram aumentos consideráveis. Vejamos alguns: O litro do óleo diesel custava em torno de R$ 0,50, hoje custa em torno de R$ 2,00. O fertilizante custava em torno de R$ 15,00 o saco, hoje custa em torno de R$ 45,00. Por aí vai..
Outro fato a ser destacado é a grande diferença entre o preço do café bebida rio e o café bebida dura. Em 1998 e anos próximos, a diferença girava em torno de 10 a 15%, ou seja, uma saca de café bebida rio valia R$ 252,00 Na atualidade essa diferença gira em torno o de 50% , ou seja se a saca do café bebia dura com 20% catação vale em torno de R$ 530,00 a saca do café bebida rio vale em torno de R$280,00 .
É dificílimo para um produtor de café conseguir produzir 100% do seu café bebida dura. Em geral, quando um produtor é muito eficiente ele consegue produzir em torno de 80% de café bebida duras, ou melhor. Não quero dizer com isso, que não haja alguns poucos produtores consigam produzir acima de 80% de café bebida duras.
Os produtores de café devem ficar muito atentos, pois no Brasil, os produtores rurais são extremamente discriminados e quando surge à hipótese do setor estar dando retorno aparece muita gente que não vivencia as enormes dificuldades enfrentadas pelos produtores e iniciam uma campanha no sentido de forçar os preços para baixo. Não é só com café não. Quando feijão, arroz, carnes, ovos, verduras, frutas e etc. têm seus preços aumentados, a mídia endoida...... Os produtos de limpeza, por exemplo, subiram de preço muito mais que os produtos agrícolas e a mídia nada falam.
Como eu disse em outro artigo, poucos são os produtores que estão aproveitando essa alta do preço do café.Insisto em chamar a atenção dos produtores para não fazerem bobagem com o excedente gerado pela comercialização dos seus cafés nesta bases de preços.
Pesquisas mostram que de modo geral os produtores perdem dinheiro quando há uma elevação de preços dos seus produtos. Os produtores normalmente superestimam os preços e o tempo que os preços ficarão em alta. Quando os preços voltam nas bases normais eles geralmente ficam muito endividados e descapitalizados.