A sustentabilidade e a economia: convivência difícil
Uma grande vantagem da existência da Internet é a possibilidade da troca de impressões acerca dos mais variados temas. Sítios como o CaféPoint, nesse sentido, facilitam os debates, ao propor temas e convidar os leitores a darem sua opinião. Há alguns dias, a bola da vez foi a sustentabilidade: por meio do preenchimento de um questionário, era solicitado aos cafeicultores que expusessem seu ponto de vista. Um ambiente em que o debate é estimulado beneficia a todos, especialmente quando exercitamos nossa capacidade de autocrítica.
Um ambiente em que o debate é estimulado beneficia a todos, especialmente quando exercitamos nossa capacidade de autocrítica. A sustentabilidade é um dos temas que mais nos forçam a refletir sobre as bases de nossos raciocínios, dado que envolve variáveis conflitantes. Para pesquisadores acostumados ao modo de pensar dos economistas, há poucos exercícios mais desafiadores do que a reflexão acerca do significado da sustentabilidade.
Isso porque, em grande medida, o ferramental teórico usado pelos economistas ignora as limitações proporcionadas pelo meio físico. Mais especificamente, este é acompanhado de um considerável otimismo tecnológico: para os desafios do futuro, há a percepção de que o ser humano encontrará formas de adaptação e, mais importante, para a eventual escassez de recursos haverá sempre a possibilidade de encontrar alternativas.
A influência dessa forma de pensar sobre as conclusões é notável. Diversas análises pecam ao submeter a questão da sustentabilidade a uma lógica de pensamento que não a considera. Em outras palavras, aponta soluções para um desafio que não reconheceria caso não fosse alertado por olhares de fora. É como se, de repente, um corpo de ideias estruturado com fins bastante específicos fosse capaz de explicar qualquer problema pelo simples fato de apresentar uma lógica interna coerente!
No caso da relação entre a sustentabilidade e os economistas, uma falha comum está na reduzida importância que as variáveis ambientais adquirem diante das reflexões acerca do lucro e da eficiência. Embora se trate de uma noção recheada de polêmicas, pode-se dizer que a sustentabilidade está diretamente relacionada com a capacidade de um ecossistema, por exemplo, de voltar ao seu estado original após sofrer uma modificação. Nesse sentido, as intervenções humanas no meio físico devem ser estudadas segundo a capacidade do entorno de manter suas características, e não apenas em termos do funcionamento do sistema econômico.
Reconhecer que os humanos podem desestabilizar um ecossistema, porém, implica o abandono do otimismo tecnológico que acompanha a maioria dos economistas. E é aí que mora o problema: não por acaso, é comum nos depararmos com discussões que se limitam a destacar a importância do aumento da eficiência no uso de recursos. Evidentemente, trata-se de um tópico de fundamental importância; seu debate, entretanto, independe do reconhecimento de que o meio ambiente importa, dado que os argumentos de ordem econômica são suficientes para justificar essas medidas.
Por isso, chega a ser irônico, mas muitos daqueles que deveriam ajudar podem estar atrapalhando. Amparados em um ferramental inadequado, pesquisadores têm respondido questões acerca da sustentabilidade sem fazê-lo de fato. Dessa maneira, pouco temos contribuído para preparar os humanos para a eventual necessidade de mudança de rumos. Especialmente na área das ciências humanas, ainda é longo o caminho até que possamos dizer, em uma análise autocrítica, que entendemos plenamente qual é o nosso papel no processo de readequação da convivência entre os seres humanos e o meio ambiente.
A notícia boa nessa história toda é que respostas muito interessantes tenderão a sair daqueles que vivem o cotidiano dessa relação. Entre os agricultores, a observação dos limites do meio ambiente poderá inspirar os pesquisadores, motivando-os a enriquecer sua compreensão da realidade. Enquanto isso, resta-nos seguir fazendo a lição de casa, moldando a lógica de pensamento que norteia nossas análises de modo a compreender de maneira efetiva a relação entre o meio ambiente e nossa rotina econômica e social. É provável que os próximos capítulos reservem importantes novidades.
Material escrito por:
sylvia saes
Professora do Departamento de Administração da USP e coordenadora do Center for Organization Studies (CORS)
Acessar todos os materiaisBruno Varella Miranda
Professor Assistente do Insper e Doutor em Economia Aplicada pela Universidade de Missouri
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GUAXUPÉ - MINAS GERAIS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS
EM 23/10/2010

ANHEMBI - SÃO PAULO - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS
EM 19/10/2010
CAMBUQUIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 16/10/2010
Creio que não existe sustentabilidade ambiental, social, sem haver sustentabilidade financeira. Mesmo porque ela é que torna viavel as socio-ambientais. Por outro lado, dá para fazer sustentabilidade ambiental, de forma racional, da maneira com que aprendemos com nossos antecessores. E sustentabilidade social, tem que ser exercida de forma racional. De qualquer maneira, tem que haver mudança de atitude, do ser humano, e acima de tudo vontade de ajudar, de mudar conceitos, de aceitar o novo, de reiventar.