Café, o fim de um ciclo - Alternativas de ação
Vimos com grande interesse o comentário de Sylvia Saes e Bruno Miranda a nosso artigo "Café o Fim de um Ciclo". Com vários questionamentos pertinentes, nos sentimos motivados a estender a discussão.
Vimos com grande interesse o comentário de Sylvia Saes e Bruno Miranda a nosso artigo "Café o Fim de um Ciclo". Com vários questionamentos pertinentes, nos sentimos motivados a estender a discussão.
Nossa cafeicultura passa hoje pelo mesmo desafio pelo qual passaram indústrias que migraram de países ricos para o 3º Mundo. Um grupo de cafeicultores e pessoas interessadas em nossa produção de café vem discutindo na Sociedade Rural Brasileira o tema "Caminhos para o café". As discussões formais e informais nos levaram a conclusões surpreendentes.
Os estoques devem ser feitos levando em conta o suprimento para o consumidor e uma política contra cíclica e não só de suporte de preços. Por cacoete pendular passamos de muito a nada, de 80 a 8. Uma nova política de estocagem merece ser discutida e é isso que proponho. Safras alternadas, de grande a pequena, só por isso merecem atenção. O suprimento regular em benefício do consumidor também, que é em última instância o interesse do produtor.
Há alguns anos em prosa com Dr. Ângelo P. Camargo discutimos a arborização, sombra móvel, evapotranspiração, mobilização de nutrientes, horizontes diferentes de extração de água. Isso mais o medo da geada levou-me a plantar Grevilea no meio de alguns talhões, no espaçamento de 20 x 20 ou seja 25 árvores por hectare mais Pinus nos quebra ventos nos carreadores. Após nove anos tenho, como disse, suspeita fundada do sucesso. Suspeita também autorizada pelo entusiasmo do meu administrador.
A produção tem toda razão em temer o <i>drawback</i> e a indústria de solúvel tem toda a razão em precisar do <i>drawback</i>. É esse o impasse a ser resolvido por uma negociação madura e inteligente que assegure a solução aos medos justificados dos cafeicultores e resolva a necessidade da indústria de solúvel.
A ortodoxia econômica não quer aceitar o óbvio.O virtual se confunde com o físico. Quando um fundo vende ou compra quantidades importantes de café, o preço tem que se adequar à nova "produção" ou "demanda".
A forma de precificar café mudou e merece comentários. A estatística clássica perde força. Os números são discutíveis e as interpretações também. As safras são contínuas. Todos os meses, se colhe café em algum país.