Estoques de café: no fim
Os estoques devem ser feitos levando em conta o suprimento para o consumidor e uma política contra cíclica e não só de suporte de preços. Por cacoete pendular passamos de muito a nada, de 80 a 8. Uma nova política de estocagem merece ser discutida e é isso que proponho. Safras alternadas, de grande a pequena, só por isso merecem atenção. O suprimento regular em benefício do consumidor também, que é em última instância o interesse do produtor.
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Uma política de suporte de preços desde o famoso "Acordo de Taubaté", em 1906, fez o Brasil oficial ou oficiosamente deter estoques de café ditos "reguladores": "regulou para quem cara pálida?". Esses estoques que tiveram volumes importantes em 1907, enormes na década de 30 quando foram queimadas 80 milhões de sacas, em 1966 quando o estoque do IBC atingiu 70 milhões de sacas - e eu estimo mais 30 milhões nos particulares - pois a política de então, mais a inflação, subsidiava a estocagem. Chegamos a um estoque de 100 milhões de sacas quando o consumo mundial era de 45 milhões de sacas.
Prevê-se agora que os estoques oficiais se esgotem em maio/junho deste ano de 2008. Será a primeira vez em 100 anos que o governo não terá uma saca de estoque. Os estoques particulares nessa época estarão abaixo de 10 milhões de sacas e o resultado prático é que consumimos ou exportamos 90 milhões de sacas a mais do que produzimos nos últimos 42 anos.
Os estoques devem ser feitos levando em conta o suprimento para o consumidor e uma política contra cíclica e não só de suporte de preços. Por cacoete pendular passamos de muito a nada, de 80 a 8. Uma nova política de estocagem merece ser discutida e é isso que proponho. Safras alternadas, de grande a pequena, só por isso merecem atenção. O suprimento regular em benefício do consumidor também, que é em última instância o interesse do produtor.
O fim dos estoques é um marco importante: O Brasil não tem estoques. Estoques esses sempre brandidos como fator de desvalorização dos preços. E agora?
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Material escrito por:
Luiz Marcos Suplicy Hafers
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CORNÉLIO PROCÓPIO - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 17/02/2008
Uma coisa me parece certa, os preços do café a curto prazo, dentro de dois ou três anos vai subir. Mas me vem uma pergunta, cadê a nossa politica agrícola de controle de plantios para o Brasil. Como todo mundo sabe, vivemos em um país onde os agricultores vivem de momento de oportunidades. Até há poucos anos, a moda era arrancar café e plantar soja, depois veio arrancar café e plantar cana e agora vamos tirar o que para plantar café. Com certeza com a falta de estoques para regularização dos preços vai se plantar mais café. E até quando o produtor vai ter a garantia de que sua atividade vai ser rentável?

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 14/02/2008
Estamos de acordo. Os fundos com demanda e oferta virtual distorcem os preços.
Todavia, num determinado momento não podem torrar café virtual. A minha proposta é de uma politica contra cíclica. Na baixa, precisamos vender mais para pagar contas: agrava a baixa. Na alta, precisamos vender menos para pagar: agrava a alta.
Com estoques feitos na baixa e vendidos na alta limitamos a volatilidade que não nos interessa. Esses estoques seriam feitos por conta, porém com risco diminuído com uma politica de opções. Caso o preço atinja o financiamento poderia se pagar com o café. Em contra partida, caso o preço subisse acima de um limite a dívida teria que ser liquidada, moderando a alta.
Não é bala de prata, mas um começo.
O café deveria subir e tem subido. O que temo é uma alta vertiginosa, a qual já assisti diversas vezes e é maléfica: todo mundo planta e 3/4 anos depois super produção, crise. Na medida que sobe vamos vendendo. Pior que vender barato é não vender caro.
Luiz Hafers

MARÍLIA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 13/02/2008
Prazer em ler seus comentários sobre o fim dos estoques governamentais. É esclarecedor o vosso artigo. No entanto, como economista e produtor de café, questiono-lhe sobre a influência dos estoques reguladores de café sobre o preço do produto. Na minha modesta opinião, os fundos de investimento, atualmente, são os que exercem uma influência considerável sobre o preço do produto. Imagina-se, por exemplo, a Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil) comprando e vendendo café na Bolsa de Nova Iorque. Haverá uma distorção de preços independentemente do nível de estoques governamentais.
Deve-se esclarecer que o consumo está aumentando no mundo inteiro. E aqui fica a pergunta: o preço do café vai subir?
Cordiais saudações!

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 12/02/2008
Esperança e confiança. Quis chamar atenção a uma situação que a meu ver quase que passa desapercebida. Para o Mario José eu diria que a situação é outra.
A época dos estoques foram feitos para a lavoura. Não diria que o governo não liga para a lavoura. Faz parte de um queixume que não contribui. Temos que mostrar problemas mas também apontar soluções.
O sr Antônio Augusto diria que passou a época de controle de preços. Precisamos sim de políticas contra cíclicas para evitar altas e baixas que não servem nem ao produtor nem para o consumidor. Quero regras, não intervenções.
Ao amigo Fábio lamento sua ausência, mas agradeço sua concordância. Ao Domingos, não acaba o café, esqueça o que passou e nos ajude a mudar o futuro.
Ao Antônio Padua, digo que tem razão. Vai subir, e duzentos dólares me parece modesto em dois ou três anos. Essa explosão não nos serve pois vão plantar muito e virá tudo como dantes no quartel de Abrantes. No entretempo, aproveitemos.
Grato Luiz Hafers

MANHUAÇU - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 10/02/2008

BOM SUCESSO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 10/02/2008

VITÓRIA DA CONQUISTA - BAHIA
EM 09/02/2008

CURITIBA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 09/02/2008

VARGINHA - MINAS GERAIS
EM 08/02/2008
Sendo o Sr. um dos grandes conhecedores da histórica e da trajetória do café em nosso país, seus comentários a mim, sempre pareceram coerentes e amparados em boa fundamentação.
Os estoques governamentais, até recentemente acima de 20 milhões de sacas, já nos prejudicaram muito. Tudo era motivo para não deixar os produtores ter um pouco mais de renda. Café começava subir o governo leiloava seus estoques e o café abaixava (às vezes abaixo do custo de produção).
A regulação dos estoques como na época da OIC (Organização Internacional do Café) me parecia interessante e importante. Era uma intermediação em quem ninguém ganhava muito, mas também ninguém perdia muito (demanda grande oferta grande / demanda pequena oferta baixa implicando em preços mais ou menos estáveis e compensadores para as partes). Com a nossa saída da OIC e eliminação do IBC (governo Color) não tivemos mais tranquilidade na produção. É uma crise atrás da outra...
Agora, o governo está chegando quase ao final de seus estoques de café. Seria prudente, como o Sr. mesmo sugere, formar um novo estoque estratégico (política contra cíclica) nos próximos anos de forma gradativa, para manter a segurança nos cumprimentos dos contratos externos e no abastecimento do mercado interno.
Se nesse estudo em andamento, novamente de renegociação de dívidas, o governo realmente tiver interesse em sanar as dívidas dos produtores e cooperativas de café, hoje em mais de 2 bilhões de reais, era só convertê-las através do histórico de valores que tanto o Sr. Dr. Hafers conhece, como:
- Valor de 1 saca de café igual ao salário mínimo e ou;
- 2,1 (dois virgula um) sacas de café equivalente a compra de 1 (uma) tonelada da fórmula de fertilizante 20-05-20 (20 de nitrogênio/05 de fósforo/20 de potássio).
Entendo que se "todas" as dívidas ligadas à produção estiverem nessa eventual conversão o governo não precisará mais no futuro voltar a discutir esse tema tão desgastante para as partes e formará novamente o seu estoque estratégico e todos da "cadeia articulada do café" sairão ganhando.
O mais importante dessa conversão é que o café lá fora necessariamente não precisará subir mais para aumentar a nossa renda (se subir, aumenta a concorrência através da expansão do parque cafeeiro dos concorrentes externos, mas estaremos mais preparados para suportar) e aqui dentro o produtor terá renda para saldar seus compromissos.
Do jeito em que está, nem as nossas cooperativas vão aguentar. A mim, parece que o governo anda achando que estamos bem. A ele, basta solicitar ao ministério do trabalho para fazer uma verificação nos municípios produtores como anda o histórico dos empregos nos últimos anos.
O melhor mesmo é procurar os próprios trabalhadores e conversar diretamente com eles para conhecer a situação de seus empregadores.
Abraço do seu admirador.

NITERÓI - RIO DE JANEIRO - TRADER
EM 08/02/2008
Exatamente quando precisarmos dos estoques "reguladores", não os teremos. O consumo está crescendo mais do que a produção, e já em 2008 serão bem próximos. No próximo ano (2009) teremos uma safra menor do que a atual, pela bianualidade do arábica. Provavelmente, a produção será menor do que a demanda, ou muito próxima, e não teremos mais estoques.
Como consumidor, me preocupo seriamente com tal situação, pois será necessário que os preços subam para controlar a demanda, diminuindo o consumo. Isso já está acontecendo com vários produtos agropecuários, e deve continuar assim ainda por muitos anos.