Nova forma de precificar o café

A forma de precificar café mudou e merece comentários. A estatística clássica perde força. Os números são discutíveis e as interpretações também. As safras são contínuas. Todos os meses, se colhe café em algum país.

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A forma de precificar café mudou e merece comentários. A estatística clássica perde força. Os números são discutíveis e as interpretações também. As safras são contínuas. Todos os meses, se colhe café em algum país.

Apressando o fluxo de venda, se distorce o básico. O estoque (20 milhões dos compradores), merece reparos. Com o just in time é menos crítico. Hedgeado na Bolsa oferece conforto físico, mas não de preço.

Por cima e dominando, temos a atuação dos hedge funds numa prepotência e importância que domina o cenário (vide gráfico a seguir).

Figura 1

Que algum dia a posição estatística fundamental vai prevalecer não há dúvida. Mas somente quando os fundos a aceitarem. Sinais de perigo abundam. A Bolsa de Londres no mês passado acima de US$ 2.000,00 para o café robusta é bom aviso de que não é possível torrar contratos vendidos ou explicações grafistas.


Nota sobre o gráfico: A linha vermelha é a cotação do segundo vencimento da NYBOT. As barras azuis representam os saldos de contratos comprados dos agentes não comerciais na bolsa (na sua maioria fundos de investimento).

Nota-se a nítida correlação entre os saldos de contratos pelos fundos e as cotações.
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Luiz Marcos Suplicy Hafers

Luiz Marcos Suplicy Hafers

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Renato Fonseca
RENATO FONSECA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 28/09/2006

Caro Hafers,

Não sou economista, que dirá, ortodoxo. Apenas acho que as evidências apresentadas por você são insuficientes para se chegar à conclusão de que os fundos manipulam os mercados futuros de café.

Acho que um fato muito relevante na análise sobre o papel desempenhado pelos mercados futuros é a baixa participação relativa do setor da produção primária nesse mercado, desequilibrando-o a favor dos outros segmentos. Ponto negativo para as nossas Cooperativas, que jamais se prepararam para atuar de forma profissional nessa área.

Algo que sempre me chamou a atenção, e que pode ser observado no gráfico apresentado por você, analisando-se a curva de comportamento dos preços, é que a velocidade de queda dos preços é sempre maior do que a velocidade da alta. Esta constatação talvez possa ser parcialmente explicada pelo comportamento naturalmente mais cauteloso da parte compradora, em relação à parte vendedora.

Quanto aos demais comentários do seu artigo, concordo plenamente.

Abraços,

Renato Fonseca

<i>Caro Renato</i>,

Continuo crendo na minha suspeita.

Concordo com seu raciocínio de que a baixa é mais violenta, pois a parte contrária, os produtores, são mais fracos e estão sempre comprados ainda que inadvertidamente.

Como diz o povo: pra baixo Todo Santo ajuda.

Atenciosamente

Luiz Hafers
Renato Fonseca
RENATO FONSECA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 22/09/2006

Prezado Hafers,

O seu gráfico me faz recordar de uma história que o, então recém-empossado, Presidente de nossa Cooperativa adorava repetir para os seus interlocutores.

Logo que assumiu a Presidência, solicitou a quem de direito que lhe elaborasse um gráfico, relacionando o volume de ordens de venda dos cooperados e o preço de venda. Entre triste e estupefato, ao receber o gráfico, logo concluiu que os cooperados são péssimos vendedores, pois o volume de vendas era sistematicamente maior quando os preços eram menores e vice-versa. Havia redescoberto a lei da oferta e da procura, sem se dar conta disso...

No seu caso, acho que o seu gráfico mostra que os fundos, em média, são bons investidores no mercado futuro de café. Sabem avaliar bem a hora de entrar e a hora de sair. Daí, a se tirar conclusões de que o preço depende fundamentalmente deles, acho que vai uma longa distância.

Atenciosamente,

Renato Fonseca

<i>Caro Renato,</I>

Discordo visceralmente da sua duvida. O que os fundos fazem é o que se chama de "self fullfilling prophecy". A um mercado estável entram comprando, puxam o preço. Na baixa, ao contrário. Ganham na oscilação.

Antigamente, especuladores muito mais modestos com volumes muitíssimo menores, criavam demanda no barato e oferta no caro. Eram contra cíclicos e davam liquidez ao mercado. Não mais. Os fundos ganham na volatilidade e sob a benção e omissão das Bolsas, pois fazem enorme volume. É o contrario da função da Bolsa, de diminuir o risco. Pelo jeito você é economista ortodoxo. Esqueça o livro texto. Vide China.

Atenciosamente,

Luiz Hafers