Drawback: o momento é de negociação e não de enfrentamento

A produção tem toda razão em temer o <i>drawback</i> e a indústria de solúvel tem toda a razão em precisar do <i>drawback</i>. É esse o impasse a ser resolvido por uma negociação madura e inteligente que assegure a solução aos medos justificados dos cafeicultores e resolva a necessidade da indústria de solúvel.

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A produção tem toda razão em temer o drawback e a indústria de solúvel tem toda a razão em precisar do drawback. É esse o impasse a ser resolvido por uma negociação madura e inteligente que assegure a solução aos medos justificados dos cafeicultores e resolva a necessidade da indústria de solúvel.

Sobre os medos dos produtores. O primeiro é fitossanitário. Queremos ter absoluta certeza de que não há risco de doenças, a CBD a mais temível. Seria isso possível? Importar semi torrado seria uma solução?

O segundo é o medo de uma importação indiscriminada e desregulada. Quando feita a juros menores, disfarçaria uma importação de empréstimos. Isso já aconteceu no algodão com resultado trágico.

A sugestão inicial é que hajam quotas mensais e somente para o saldo do aumento de exportação do solúvel.

O lado das indústrias, com razão, aponta a perda de participação do solúvel brasileiro no mundo pela perda de competitividade. Essa perda não é só por falta de drawback. A taxa de 9% do UE é desastrosa. Os créditos difíceis de ICMS, outro problema. Não é só drawback que afasta investimentos no Brasil. Inúmeras fábricas estão sendo montadas no exterior quando assegurado suprimento ilimitado.

O aumento de consumo mundial será em países novos e com preço baixo; não se começa tomar café com coador e qualidade.

O acesso da indústria nacional e esses cafés baixos e baratos daria novo impulso a essa indústria que é do interesse do Brasil e da própria cafeicultura.

O que nós produtores não podemos é reclamar e não discutir. O meu medo é que, ao invés de negociarmos uma solução aceitável, sejamos, um dia, surpreendidos por uma medida abrangente com casca e tudo.

Os impasses não negociados levam à ruptura, à guerra. E, como todos sabem, nós agricultores somos a parte mais fraca.

Daí minha posição clara e convicta de negociação e não de enfrentamento, bravata e conflito.

Artigo publicado no CaféPoint, mediante autorização do autor.
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Material escrito por:

Luiz Marcos Suplicy Hafers

Luiz Marcos Suplicy Hafers

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EMERSON BRONZON
EMERSON BRONZON

ITAMARAJU - BAHIA - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 28/02/2007

Devemos encarar a possibilidade do drawback não apenas como uma ameaça, mas como uma possibilidade de suprir a tão esperada expanção do consumo mundial de café.

Não podemos ser imediatistas, lembrem-se, somos cafeicultores e queremos continuar como tal. Diante da sábia explanação do Sr. Suplicy, entendo a necessidade das indústrias se tornarem mais competitivas no mercado externo, pois isso estimularia a concorrência, aumentaria o consumo e, com a conquista de novos mercados, num médio prazo, esse efeito seria amenizado e diluiria o efeito das fortes amplitudes (sobe/desce) nos preços do nosso produto, que tanto nos amedrontam.

É lógico que essa possibilidade de importação de café deve ser avaliada com muito cuidado, mas nós produtores temos que fazer a nossa parte, buscando aliar produtividade e conhecer nossos custos.
Paulo Sérgio Cortizo Falcon
PAULO SÉRGIO CORTIZO FALCON

ILHÉUS - BAHIA - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 09/02/2007

Como sempre o Dr. Luiz é soberano nesse assunto, dando uma aula de como sentar e negociar, mostrando que não é o momento de enfrentamento, pois sempre sobra para nós produtores.

Parabéns ao Dr. Luiz , sempre com sua elegância e sobriedade no assunto café.