Técnicas de Produção

20/06/2008

Adubação fosfatada para o cafeeiro

A grande maioria dos solos tropicais apresenta elevada capacidade de retenção de fósforo e baixos teores desse nutriente em formas disponíveis. Assim, são necessárias aplicações de elevadas doses de fertilizantes fosfatados para o plantio e para a produção, mas são extraídas pelas plantas quantidades relativamente pequenas de fósforo, indicando que grande parte dos fosfatos adicionados estaria indisponível para o cafeeiro. Dentro desse contexto, a forma de aplicação do adubo fosfatado assume papel importante no sistema de produção do café.

20/06/2008

O marketing sócio-ambiental e a crescente demanda por cafés RainForest Alliance

Se antes o consumidor buscava um produto mais barato - equivocadamente considerado de melhor custo-benefício -, hoje ele busca um produto sustentável. Como que em um círculo vicioso, a mídia - em um processo sem volta - passou a defender os valores sócio-ambientais e não deu outra saída às empresas senão a de oferecerem produtos que tragam essa mensagem. Grandes empresas e fazendas já perceberam essa tendência e estão fazendo a sua parte. O Mc Donalds do Reino Unido comercializa, em todas as suas lojas, cafés com o selo sócio-ambiental RainForest Alliance. Em seis meses, a partir deste lançamento, as vendas de todos os produtos cresceram 15%. Especificamente, a renda com café subiu 23%.

12/03/2008

Considerações gerais sobre o uso da mistura de fungicidas e nutrientes no cafeeiro

A principal vantagem está na possibilidade de reduzir o número de pulverizações da lavoura, pois numa única aplicação pode ser feito tanto o controle de doenças ou pragas quanto o fornecimento de nutrientes essenciais para o cafeeiro reduzindo o custo final de produção. Em muitos casos esta mistura de produtos não compromete o tratamento fitossanitário devido a ação curativa dos fungicidas sistêmicos, protetora do cobre e nutricional dos nutrientes. Entretanto os resultados de pesquisa têm indicado redução de 7 a 10% na eficiência dos fungicidas sistêmicos.

06/03/2008

Utilização de silicatos na cafeicultura

O silício (Si) não é considerado um nutriente para as plantas, pois não satisfaz os critérios de essencialidade. Entretanto, são inegáveis os efeitos benéficos proporcionados pelo Si, especialmente para as gramíneas (arroz, cana-de-açúcar, milho, etc.), consideradas plantas acumuladoras de Si. São poucos os trabalhos em que se testou a adubação com silício para café. Uma melhor arquitetura, reduzindo o auto-sombreamento, e uma menor transpiração seriam benéficas ao cafeeiro. Entretanto, o cafeeiro não é uma planta acumuladora de Si, como o são as gramíneas, e esses efeitos ainda não foram comprovados cientificamente, ou seja, não há, ainda, um número de trabalhos suficiente para se formatar uma conclusão inequívoca.

27/02/2008

Certificação de cafés sustentáveis

Dentro de um contexto de posicionamento estratégico, basear-se em juízos de fato, torna-se alternativa essencial para a determinação do sucesso de ações de comunicação e marketing junto a cafés sustentáveis certificados. O fato é que, a sociedade molda crenças, valores e normas. Em conseqüência, as pessoas absorvem, quase que inconscientemente, a visão de mundo que define seu relacionamento consigo, com outras pessoas, com organizações, com a sociedade, com a natureza e com o universo. Atualmente no Brasil, existem alguns programas já em andamento, os quais propõem a valorização dos cafés diferenciados a partir de estratégias de mercado bem construídas.

21/02/2008

Culturas intercalares: vantagem ou prejuízo ao cafeicultor?

Nos primórdios da cafeicultura no Brasil, as áreas escolhidas para o cultivo do cafeeiro eram sempre aquelas de alta fertilidade natural, oriundas da derrubada de matas. O espaçamento então utilizado, bastante largo, nunca menos de 4 metros nas entrelinhas, aliado ao solo fértil e à necessidade de prover alimento aos colonos que trabalhavam na lavoura, faziam da cultura intercalar uma prática bastante comum e que pouco ou nada interferia na cultura principal. Atualmente as culturas intercalares têm sido úteis na geração de renda adicional em cafés novos ou podados, na redução de injúrias por ventos e na fixação da mão-de-obra na fazenda. Também têm sido encaradas como alternativas em épocas de preços baixos do café.

18/02/2008

Liderar não é apenas gerenciar

Em suas palestras, Jorge Estrada, consultor em gerenciamento com liderança e CEO da Leadership Coaching International em Graham, Washington, muitas vezes pergunta: "Qual porcentagem do seu tempo é usado para o gerenciamento em suas atividades e quanto é usado para liderar sua equipe"? As pessoas sabem que algum tempo deve ser gasto em liderança. No entanto, os proprietários ou gerentes frequentemente se perdem em situações do dia-a-dia resolvendo problemas ocasionais, perdendo o controle sobre a orientação geral de seus negócios.

12/02/2008

Impostos na venda de propriedades rurais

Com o reaquecimento do Agronegócio Brasileiro, os negócios começam a acontecer e entre eles está a venda de propriedades rurais. Os impostos que incidem por origem da venda de uma propriedade rural são Imposto de Transmissão de Bens Inter-Vivos (ITBI), de competência municipal e o Imposto sobre Ganho de Capital na Alienação de Imóveis Rurais (Imposto de Renda sobre Ganho de Capital) de competência federal. A seguir são apresentadas algumas informações e dicas do Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital na venda de propriedades rurais.

11/02/2008

Curva de progresso da mancha de olho pardo do cafeeiro

No Brasil, em função da expansão da cafeicultura para áreas de solos de baixa fertilidade natural, com déficit hídrico e o plantio de cultivares de alta capacidade produtiva, o ataque da doença tem sido mais severo, principalmente nas três primeiras safras de cultivo. Nas áreas tradicionais de cultivo, até pouco tempo atrás era uma doença considerada de importância secundária. Índices cada vez mais elevados da doença vêm sendo registrados nas lavouras com o passar dos anos e o prejuízo causado acaba passando despercebido.

17/01/2008

Importância das dimensões da sustentabilidade para o desenvolvimento de sistemas de avaliação dos impactos dos diferentes sistemas de produção sustentável sobre a cadeia produtiva do café

Após sucessivas crises no setor produtivo do café, o desenvolvimento sustentável passa a nortear a cafeicultura mundial visando suprir a demanda por cafés que além de apresentarem qualidade superior, apresentem rastreabilidade e preocupação sócio-ambiental. Atualmente é marcante a preocupação quanto à dimensão dos impactos da adoção dos diferentes modelos de produção sustentável sobre os trabalhadores rurais, pequenos produtores e outros pequenos agentes da cadeia produtiva, que, embora em grande número, aparentemente têm menor representatividade em alguns programas de certificação.

14/01/2008

Falhas no controle da ferrugem do cafeeiro se deve ao aparecimento de novas raças do patógeno ou aplicações inadequadas de fungicidas?

O que acontece no caso de fungicidas, é que a aplicação consecutiva de um mesmo ingrediente ativo em uma lavoura por um longo período de tempo, pode induzir mudanças genéticas no patógeno, fazendo com que aqueles indivíduos mais "tolerantes" ao fungicida sobrevivam e passem a multiplicar na área. Assim, novas aplicações do mesmo ingrediente ativo passam a não fazer mais efeito naquela área. Dizemos então que se trata de um caso de resistência do patógeno ao um determinado grupo de fungicidas. Os fungicidas cúpricos devido ao seu amplo mecanismo de ação desempenham importante papel evitando o aparecimento de isolados resistentes.

26/12/2007

Panorama da certificação de café no Vietnã

O primeiro programa de certificação a se estabelecer no Vietnã foi a Utz Certified, que certificou seis companhias estatais em 2002 e uma em 2003. Atualmente há nesse país nove empresas produtoras, com cerca de 10 mil hectares de café em produção, oito exportadoras e uma torrefadora com certificação Utz Certified. Com a preponderância de pequenas propriedades familiares, o Vietnã poderia ser ideal para a certificação Fairtrade, porém a baixa qualidade de seu café vai contra isso. Outro sério obstáculo é a pequena tradição dos produtores familiares em se organizarem democraticamente em cooperativas de café, um pré-requisito para a certificação Fairtrade. Adicionalmente, no setor café ainda há poucas cooperativas institucionais atuantes em toda a cadeia e elas não têm recebido apoio e subsídios governamentais. No Vietnã, tem havido poucas iniciativas governamentais na área de sustentabilidade.

21/12/2007

Viabilidade da produção de café cereja descascado

A produção de café cereja descascado não significa, simplesmente, produzir um café de qualidade, mas sim, produzir um café de qualidade com menor custo. Pelos custos de implantação e facilidade de construção, as tecnologias (terreiro híbrido, leiras ventiladas e secagem em silos) têm grande potencial de aplicação na cafeicultura familiar. A não utilização da secagem em silos para o café natural se deve a inviabilidade econômica. Estaríamos utilizando energia elétrica para a secagem da palha e aumentando o número de silos para comportar o grande volume de café natural. Após secagem, os volumes necessários de café natural (coco) e de cereja descascado para gerar um saco de café beneficiado são, respectivamente, 296 e 180 litros.

07/12/2007

Qualidade do café no Vietnã

Atualmente, a política da indústria de café vietnamita está muito diferente. A proposta é a redução na produção e na área plantada, com ênfase na qualidade. Para isso, algumas medidas foram tomadas. Com a preponderância do café robusta, associada à sua baixa qualidade, a produção do café arábica começou a ser promovida no norte do país e em áreas de altitude elevada, na região montanhosa central e no sul. O café Bourbon, considerado de alta qualidade, começou a ser plantado nessas áreas.

06/12/2007

Controle preventivo das doenças do cafeeiro

Os fungicidas protetores à base de cobre como calda bordalesa, oxicloreto de cobre, hidróxido de cobre e o óxido cuproso, foram os primeiros a serem testados demonstrando grande eficiência no controle das principais doenças do cafeeiro, inclusive com reflexos positivos na produtividade da cultura. Os fungicidas cúpricos têm a grande vantagem de apresentarem amplo espectro de ação, atuando preventivamente no controle da ferrugem, da mancha de olho pardo, da mancha de phoma, da mancha de ascochyta e da manha aureolada. Pode ser adaptado a vários programas de controle da ferrugem.

07/11/2007

Distúrbios na florada confirmam redução de safra

Para os pesquisadores, de modo geral, as condições climáticas adversas, favoreceram a evolução do ataque do bicho mineiro, causando em muitas culturas intensa queda de folhas, levando a baixa relação área foliar por botão floral e conseqüente comprometimento do desenvolvimento e abertura dos botões florais. Em uma mesma cultura observam-se três floradas de razoável intensidade excessivamente espaçadas (floradas de início de agosto, início de setembro e início de novembro). Tal fato poderá depreciar a qualidade de bebida da próxima safra devido à falta de uniformidade na maturação dos frutos.

06/11/2007

A Evolução da Certificação da Rede de Agricultura Sustentável no Brasil

Em 1998, através de uma coalizão de organizações não governamentais sem finalidade de lucro de oito países (Brasil, Honduras, El Salvador, Guatemala, Equador, Colômbia, México e Estados Unidos), nasce a Rede de Agricultura Sustentável, um conceito que pretende aliar a conservação ambiental e qualidade de vida no meio rural à produção de commodities agrícolas cultivadas nos trópicos. No início de 2003, o primeiro empreendimento é certificado no Brasil ocasionando a divulgação do sistema especialmente no setor cafeeiro. Em setembro de 2007, já são 30 empreendimentos certificados, sendo 24 empreendimentos agrícolas e 6 cadeias de custódia (processadores).

06/11/2007

Manejo de doenças do cafeeiro em sistemas alternativos de produção

Os impactos negativos da tecnologia moderna, baseada no uso intensivo do solo, de fertilizantes e defensivos químicos, desencadearam a busca por técnicas de produção mais sustentáveis no manejo das culturas. Entretanto, um dos grandes desafios destes sistemas de produção é o manejo adequado das doenças que incide no cafeeiro, principalmente com relação a ferrugem, mancha de olho pardo, mancha de ascochyta, mancha de phoma. Estas doenças dependendo da severidade podem inviabilizar a continuidade da atividade, se medidas integradas de manejo não forem adotadas.

31/10/2007

Mercado para Café Certificado - Parte II

O Brasil é um importante consumidor de café, com um consumo estimado de 5,52 kg/hab/ano, nível próximo ao dos países com maior consumo <i>per capita</i> mundial, como Alemanha (5,86 kg/hab/ano), França (5,07 kg/hab/ano) e Itália (5,63 kg/hab/ano) (ABIC, 2007). Porém, o mercado brasileiro para café certificado é muito pequeno e restrito à população de alta renda. O maior impacto sobre a cadeia produtiva do café no Brasil está mais relacionado aos mercados para café certificado nos países importadores do café brasileiro. Portanto, este artigo examina o estado e as perspectivas para o consumo de café certificado em alguns importantes países importadores do café brasileiro: Dinamarca, Finlândia, Portugal e Estados Unidos.

24/10/2007

Mercado para Café Certificado - Parte I

O Brasil é um importante consumidor de café, com um consumo estimado de 5,52 kg/hab/ano, nível próximo ao dos países com maior consumo <i>per capita</i> mundial, como Alemanha (5,86 kg/hab/ano), França (5,07 kg/hab/ano) e Itália (5,63 kg/hab/ano) (ABIC, 2007). Porém, o mercado brasileiro para café certificado é muito pequeno e restrito à população de alta renda. O maior impacto sobre a cadeia produtiva do café no Brasil está mais relacionado aos mercados para café certificado nos países importadores do café brasileiro. Portanto, este artigo examina o estado e as perspectivas para o consumo de café certificado em alguns importantes países importadores do café brasileiro: Dinamarca, Finlândia, Portugal e Estados Unidos.

11/10/2007

Túnel de guandu para proteger novos cafezais contra geadas

O guandu é uma leguminosa arbustiva, bastante utilizada como adubo verde, que pode atingir até quatro metros de altura. A técnica consiste em semeá-lo em linhas posicionadas entre os sulcos onde serão plantadas as mudas de cafeeiro. No Paraná, normalmente se faz o plantio de café entre janeiro e junho. Com o crescimento, os ramos do guandu se entrelaçam e formam uma cobertura, sob a qual as mudas de café recém-plantadas ficam abrigadas e protegidas do frio. Resultados de pesquisas apontam que, nessa condição, a temperatura de relva (coletada ao nível do solo) permanece de dois a cinco graus mais elevada no inverno, em comparação a áreas onde o cafezal é implantado sem uso dessa prática.

10/10/2007

Certificação Fairtrade e Orgânica: diferentes níveis de exigência

A certificação Fairtrade e a Orgânica são distintas em vários aspectos e possuem diferentes níveis de exigência no cumprimento de determinados requisitos. Contudo, há pontos em comum, principalmente quanto à preservação do meio ambiente e ao atendimento de questões sociais. Não é tarefa fácil dizer qual é o programa de certificação mais vantajoso, uma vez que estão envolvidas muitas questões no processo, desde o nível tecnológico ao grau de organização do grupo no qual está inserido.

08/10/2007

Adubação com Molibdênio para o cafeeiro?

Primeiramente, devemos lembrar que o Mo é um micronutriente, ou seja, apesar de ser absorvido em pequenas quantidades, é essencial para as plantas. A função do Mo na nutrição das plantas está relacionada com alterações de valência como componente metálico nas enzimas, sendo diretamente envolvido em reações redox. O Mo é componente de duas enzimas principais: nitrogenase e redutase do nitrato. Isso revela a importância do Mo para o ciclo do nitrogênio.