Adubação fosfatada para o cafeeiro
A grande maioria dos solos tropicais apresenta elevada capacidade de retenção de fósforo e baixos teores desse nutriente em formas disponíveis. Assim, são necessárias aplicações de elevadas doses de fertilizantes fosfatados para o plantio e para a produção, mas são extraídas pelas plantas quantidades relativamente pequenas de fósforo, indicando que grande parte dos fosfatos adicionados estaria indisponível para o cafeeiro. Dentro desse contexto, a forma de aplicação do adubo fosfatado assume papel importante no sistema de produção do café.
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Localização de fertilizante fosfatado
A manutenção de razoável concentração de fósforo na solução do solo pode ser considerada como ponto chave para se promover uma adubação fosfatada eficiente. A concentração de fósforo na solução depende da dose adicionada, do volume de solo fertilizado, do tempo de reação do fósforo com o solo e da sua capacidade de adsorção. Adsorção é a capacidade do solo de reter o fósforo, reduzindo o aproveitamento pela planta. Nesse caso, solos argilosos apresentam maior capacidade de adsorção do que solos arenosos.
Como a proporção do fósforo adsorvido pelo solo decresce com a quantidade aplicada, há duas opções para aumentar sua concentração na solução do solo: aumentar a dose para o mesmo volume ou reduzir o volume de solo fertilizado para a mesma dose adicionada.
Quando se localiza o fertilizante fosfatado em menor volume de solo, entretanto, apenas parte das raízes entra em contato com uma área de alta concentração de fósforo. Mas isso, a princípio, não seria problema, pois a aplicação do adubo fosfatado, em frações decrescentes do volume de solo, pode estimular o crescimento radicular na parte do solo fertilizada, principalmente de raízes mais finas, provocando incremento na superfície radicular exposta ao fósforo. O crescimento acentuadamente diferenciado de raízes, nas frações de solo adubadas com fósforo, pode ocorrer quando a disponibilidade inicial de fósforo no volume de solo não adubado for muito baixa.
A localização de adubo fosfatado apresenta maior eficiência quando pequenas doses são misturadas com menores frações do solo. À medida que as doses aumentam, frações intermediárias tendem a ser mais eficientes. Para as maiores doses, o efeito da mistura do fosfato com menores frações de solo passa a não ser relevante.
Em conclusão, para determinada quantidade de fósforo aplicada, deve haver um volume de solo a ser fertilizado, de modo que o somatório dos fatores teor de fósforo no solo, redução no sistema radicular em contato com o nutriente, estímulo ao crescimento e absorção de fósforo pelas raízes na região fertilizada, proporcione a disponibilidade efetiva máxima de fósforo para as plantas e, conseqüentemente, a produção máxima.
Fontes solúveis de fósforo
Quando se aplicam adubos fosfatados solúveis, o fósforo é rapidamente adsorvido/precipitado pelo solo e transformado em compostos de menor solubilidade, o que reduz o aproveitamento pelas plantas. A intensidade dessas reações é diretamente relacionada ao volume de solo com o qual o adubo reage, sendo, porém, inversa ao tamanho da partícula do fertilizante. Com o passar do tempo, a continuidade da reação de adsorção leva à fixação do fósforo, ou seja, o fósforo adicionado fica completamente indisponível para as plantas.
A aplicação do fertilizante fosfatado em menor volume de solo poderá minimizar esses efeitos. Os fosfatos solúveis em água são mais eficientes se aplicados em menor volume de solo e próximos das raízes, a fim de facilitar sua absorção em locais com alta concentração de fósforo e de atenuar a adsorção pelo solo. Dessa forma, pode-se recomendar, com segurança, a aplicação de fontes solúveis de fósforo em cova, sulco ou faixas mais estreitas.
Fosfatos parcialmente solúveis
Os fosfatos parcialmente solúveis são produtos com solubilidade intermediária entre os fosfatos naturais e os fosfatos solúveis. Portanto, apresentam uma fração solúvel em água, que serve como adubação de arranque, e outra não solúvel em água, que libera o fósforo mais lentamente ao longo do crescimento da planta.
Ao obter-se um fosfato parcialmente solúvel, a partir das apatitas brasileiras, que são pouco reativas, forma-se, entretanto, um produto de extremos incompatíveis. A porção solúvel formada é forte limitante à solubilização da fração não-solúvel, devido ao efeito do íon comum, causado pelo aumento da concentração de fósforo e de cálcio em solução. Isso ocorre, especialmente, se a parte solúvel e a insolúvel encontram-se na mesma partícula ou no mesmo grânulo. Além disso, com maior demanda inicial de fósforo pelas plantas, a aplicação de fosfato parcialmente solúvel pode não suprir a demanda na fase inicial de crescimento, uma vez que, nesses fertilizantes, a porcentagem da fração solúvel é, geralmente, bem menor do que a porcentagem da fração não-solúvel.
Fosfatos naturais
No caso dos fosfatos naturais, para alguns autores, a aplicação em menor volume de solo pode diminuir a taxa de solubilização desse tipo de fertilizante. Dentro dessa lógica, seria correto pensar que os fosfatos naturais devem reagir com o solo para dissolverem-se, sendo necessário misturá-los intimamente a um maior volume, para se ter eficiência máxima.
Condições favoráveis à maior dissolução do fosfato natural, sejam elas maior acidez do solo, tempo de contato e maior contato solo:fertilizante, podem levar, também, a uma maior adsorção do fósforo, diminuindo a disponibilidade do nutriente para as plantas. Além disso, condições ácidas são coincidentes com altos teores de alumínio trocável, que pode ser tóxico para o cafeeiro.
Condições de solo favoráveis à menor ou menos intensa solubilização poderão ser mais favoráveis às plantas, do que as que permitam a solubilização mais rápida de um fosfato natural. Dessa forma, pode-se recomendar a aplicação do fosfato natural em um menor volume de solo, principalmente para fosfatos mais reativos.
Formas de aplicação para o cafeeiro
Em áreas com acentuada declividade, uma prática muito utilizada é a aplicação dos fertilizantes em meia-lua, no lado de cima da cova. Essa técnica tem implicações importantes, no que se refere à adubação fosfatada, em razão da reduzida mobilidade do fósforo no solo, o que leva a questionar sobre o aproveitamento pela planta do fertilizante fosfatado aplicado de forma localizada. Realmente, há uma compartimentalização do fósforo na parte aérea do cafeeiro, quando este é fornecido a uma pequena quantidade de raízes. Entretanto, o fósforo é móvel na planta, e, após 30 dias aproximadamente, ocorre distribuição homogênea do fósforo em toda parte aérea e nas raízes. As evidências atuais, de que a produtividade aumenta com a aplicação dos fertilizantes em ambos os lados do cafeeiro, se deve, muito provavelmente, a outros nutrientes, não ao fósforo.
Uma alternativa interessante, que já vem sendo utilizada em áreas mecanizáveis de Minas Gerais, seria a aplicação de fosfatos solúveis ou naturais em sulco, ao lado das plantas, o que promoveria um aumento na disponibilidade do nutriente. Entretanto, por apresentar uma malha de raízes absorventes na superfície do solo, a abertura do sulco pode resultar no corte de raízes do cafeeiro. Aparentemente isso não acarretaria maiores problemas, pois o crescimento radicular do cafeeiro na região onde ocorre o corte de raízes é intenso, exceto quando são aplicados outros fertilizantes minerais ou orgânicos junto com o adubo fosfatado. Por outro lado, a injúria anual ao sistema radicular pode causar uma completa debilitação das plantas. Mas, como a aplicação localizada aumenta o aproveitamento e o efeito residual do adubo fosfatado, é coerente afirmar que a aplicação de fósforo deva ser realizada a cada dois ou três anos, não anualmente.
Doses
Considerando um solo com baixo teor de fósforo e elevada capacidade de adsorção, a 5a aproximação de Minas Gerais (1999) recomenda uma dose de 80 kg/ha de P2O5 para uma produtividade maior que 60 sc/ha de café arábica. Nas mesmas condições, o Boletim Técnico 100 de São Paulo (1997) relata que, para uma produtividade maior do que 80 sc/ha de café arábica, a dose deve ser 100 kg/ha de P2O5. Já a 5a aproximação do Espírito Santo (2007), recomenda, para uma produção maior que 130 sc/ha de café arábica, 180 kg/ha de P2O5. Para uma produção maior que 170 sc/ha de café conilon, recomenda 140 kg/ha de P2O5. Como se nota, essas três tabelas recomendam doses equivalentes para uma mesma produção. O que não poderia deixar de ser, pois as tabelas de adubação são construídas a partir de extensa experimentação em campo, bem como de um tratamento estatístico adequado para determinação das doses mais eficientes.
Em artigo recente, entretanto, Guerra et al. (2007) recomendam, sem considerar os teores de fósforo presentes no solo, a elevada dose de 300 kg/ha/ano de P2O5, para a produção de safras anuais em torno de 60 a 70 sc/ha de café arábica. Os autores sustentam que as doses não sejam fundamentadas exclusivamente na carga pendente, pois as aplicações de fertilizantes devem ter por objetivo o crescimento de novos ramos e nós para a próxima safra. De qualquer forma, essa dose representa, aproximadamente, 33,5 sacas de superfosfato simples por hectare, o que em preços atuais corresponde, aproximadamente, a R$ 1.847,00 por hectare, só de adubo fosfatado. Além disso, a aplicação de elevadas doses de fósforo anualmente, sem o devido monitoramento, pode levar ao acúmulo desse elemento nos solos, causando um completo desbalanço entre os nutrientes. Esse fato pode acarretar, até mesmo, a uma redução na produção por área.
Como já explicado, a eficiência da adubação fosfatada depende da dose adicionada, do volume de solo fertilizado, do tempo de reação do fósforo com o solo e da sua capacidade de adsorção. Portanto, a dose não é o único fator a ser considerado quando se fornece fósforo às plantas. Tão importante quanto a dose, é a forma de aplicação.
O problema da forma de aplicação é, ainda, de grande relevância quando se trata de ensaios de adubação. Em alguns casos, a ausência de resposta à aplicação do fertilizante, ou o estabelecimento de elevadas doses, pode ser, entre outras causas, conseqüência da aplicação não muito adequada do adubo fosfatado. Por isso, antes de se generalizar a aplicação de elevadas doses de fósforo, seria prudente que o produtor esperasse mais resultados de pesquisas que viessem a confirmar essa prática. Até lá, pode-se considerar que o enorme número de pesquisas, já realizadas sobre o tema, não esteja completamente equivocado. Mesmo por que, não se pode inventar a roda duas vezes.
Literatura Consultada
DIAS, L. E. ;ESTEVAO, M. M. ; H, A. V. V. ; SILVA, E. A. M. ; BRAGA, J. M. N. R. F.. Estudo da translocação de fósforo em cafeeiro pela utilização de radioisótopo. REVISTA CERES, v. 34, n. 42, p. 453-461, 1987.
GUERRA, A.F.; ROCHA, O.C.; RODRIGUES, G.C.; SANZONOWICZ, C.; RIBEIRO FILHO, G.C.; TOLEDO, P.M.R.; RIBEIRO, L.F. Sistema de produção de café irrigado: um novo enfoque. Irrigação & Tecnologia Moderna, n. 73, 1o trimestre, p. 52-61, 2007.
NOVAIS, R.F.; SMYTH, T.J. Fósforo em solo e planta em condições tropicais. Viçosa: UFV; DPS, 1999. 399p.
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Material escrito por:
André Guarçoni M.
D.Sc. em Solos e Nutrição de Plantas pela Universidade Federal de Viçosa-MG. Pesquisador do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper)
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CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM - ESPÍRITO SANTO
EM 23/08/2020
VENDA NOVA DO IMIGRANTE - ESPÍRITO SANTO - PESQUISA/ENSINO
EM 06/11/2017
Sugiro que procure o escritório mais próximo do Incaper. Estamos presentes em todos os municípios do ES. Lá eles vão te orientar adequadamente.
Abraços.

VILA VELHA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 02/11/2017
Nunca plantei café, mas resolvi este ano plantar. Só que o moço que vai realizar o plantio disse que vai colocar 200 gramas de fosfato simples e plantar no mesmo dia. Comprei o adubo, mas agora estou com medo de usar devido a vários relatos de agricultores que fizeram isso e as mudas morreram.Tem alguém para me orientar?
Posso jogar o adubo depois que plantar o café? Não tenho tempo para esperar o produto agir na cova antes de plantar. O vendedor não disse que eu deveria esperar.
CAMACHO - MINAS GERAIS - ESTUDANTE
EM 24/12/2016

GUAXUPÉ - MINAS GERAIS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS
EM 04/10/2016
Acho muito prudente sempre suas observações, diante do exposto gostaria que fosse levantado novo questionamento sobre o assunto tendo em vista que já fazem 8 anos, desde a última explanação. Ou seja o que realmente podemos afirmar sobre o assunto.
Obrigado.

AMPARO - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 12/11/2012
Existe de fato alguma verdade com relação a isso? Nesse caso, em condições de cafés irrigados e de cafés não irrigados, haveria alguma prática na adubação fosfatada em que pudéssemos trazer alguma melhora à bebida?

SÃO DOMINGOS DO NORTE - ESPÍRITO SANTO - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS
EM 29/05/2011
Usei em um plantio um adubo de formula 08 30 08, sendo o fosforo composto por Polifosfato e MAP, meio a meio. 150g por cova.
Em relação aos tipos de fosforo que compoes este produdo, na sua opiniao, são adequados para a cultura do café?
Obrigado.

JURUAIA - MINAS GERAIS - ESTUDANTE
EM 23/11/2009
VENDA NOVA DO IMIGRANTE - ESPÍRITO SANTO - PESQUISA/ENSINO
EM 19/10/2009
Considero as fontes solúveis mais eficientes, especialmente se aplicadas de forma localizada em menor volume de solo. A idéia de se formular uma fonte com fósforo solúvel e fósforo de menor solubilidade é, a princípio, interessante. Contudo, forma-se um produto de extremos incompatíveis.
A porção solúvel é forte limitante à solubilização da fração pouco-solúvel, devido ao efeito do íon comum, causado pelo aumento da concentração de fósforo e de cálcio em solução. Isso ocorre, especialmente, se a parte solúvel e a pouco-solúvel encontram-se na mesma partícula ou no mesmo grânulo. Além disso, com maior demanda inicial de fósforo pelas plantas, a aplicação desse tipo de produto pode não suprir a demanda na fase inicial de crescimento, uma vez que, nesses fertilizantes, a porcentagem da fração solúvel é, geralmente, bem menor do que a porcentagem da fração pouco-solúvel.
Entretanto, considerando o café já em produção, o preço do Kg de P no fertilizante é, para mim, o ponto principal.
Agradeço o questionamento.

SIMONÉSIA - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 15/10/2009
Grato pela atenção.
VENDA NOVA DO IMIGRANTE - ESPÍRITO SANTO - PESQUISA/ENSINO
EM 08/09/2009
Para a aplicação de MAP não se deve "covar ou sulcar", uma vez que pode haver morte acentuada de raízes do café, devido ao efeito salino desse fertilizante. Em cova ou sulco lateral deve-se aplicar apenas super simples, super triplo ou fosfatos naturais, que apresentam baixo efeito salino. No caso do MAP, a aplicação em superfície é mais indicada. Entretanto, pode-se fazer a aplicação em "filete" sobre a superfície do solo, o que iria reduzir a adsorção de fósforo.
A prática de se aplicar o adubo fosfatado em superfície não reduz a adsorção de fósforo. Ela só é menor se comparada à mistura do fertilizante com o solo, pois, à medida que o fertilizante se solubiliza e começa a penetrar no solo, o fósforo vai sendo rapidamente adsorvido aos sítios de ligação, sendo a adsorção proporcional à superfície de aplicação. Por isso, a aplicação em filete pode ser mais vantajosa.
Agradeço as palavras de incentivo.
André Guarçoni M.

VIÇOSA - MINAS GERAIS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS
EM 07/09/2009
Abraço
VENDA NOVA DO IMIGRANTE - ESPÍRITO SANTO - PESQUISA/ENSINO
EM 20/07/2009
Uma vantagem de se aplicar o adubo fosfatado, todo de uma vez, consiste em elevar a concentração de P na solução do solo, por determinado período de tempo, facilitando sua absorção pelas plantas. Por outro lado, ao se fazer o parcelamento do adubo fosfatado, a concentração de P na solução do solo tende a ficar elevada, num maior período de tempo, se as doses aplicadas forem também elevadas, ou pelo menos a primeira, como parece ser o seu caso.
Entretanto, parcelando-se pequenas doses de P, a lanço, em um solo com elevada capacidade de adsorção de fosfatos e baixos teores de P, a concentração na solução do solo será baixa, com efeito cumulativo com o passar do tempo. Deve-se lembrar que a concentração de P na solução do solo é dependente da dose e da forma de aplicação, no que diz respeito à adubação.
Outra vantagem é relativa ao fornecimento de enxofre, que, geralmente, apresenta baixíssima concentração nas formulações mais concentradas. Quanto mais concentrada a formulação, menor a porcentagem de enxofre. Assim, uma vez ou outra, a aplicação de superfosfato simples, ou outro adubo fonte de enxofre, é fundamental.
O P adsorvido está em equilíbrio com a solução do solo. Portanto, encontra-se disponível para as plantas, não havendo necessidade de se aplicar um produto que promova essa disponibilização. Apressar a passagem do P adsorvido, para a solução do solo, pode não ser desejável, especialmente considerando uma cultura perene como o café.
O P fica indisponível quando passa da forma lábil (adsorvido - em equilíbrio com a solução - uma ligação fosfato/partícula - determinado pela análise de solo) para a forma não lábil (fixado ao solo com energia muito maior - duas ligações, ou mais, fosfato/partícula - não determinado pela análise de solo). Essa transformação é dependente do tempo de contato do fosfato com o solo. Até o momento, desconheço um produto que seja realmente eficaz em promover a passagem do P na forma não lábil para a forma lábil.
Solicito aos demais leitores, se tiverem conhecimento, o favor de me informar a citação de qualquer trabalho dessa natureza, em revista científica nacional ou internacional.
Agradeço o questionamento, Guilherme.
André Guarçoni M.

TAMBAÚ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 19/07/2009
Tenho usado fórmulas (20-10-15, 20-05-20), uma vez que o P tem está mais barato nas fórmulas do que em adubos unicamente fosfatados (ex supersimples).
Escolho o tipo de fórmula em função da quantidade necessaria de N e K e tenho obtido bons resultados, além de um aumento do teor de P no solo. A aplicação é feita com Vincon (a lanço).
Qual seria a vantagem de aplicação em uma única vez(mais uma operação de adubação) de um adubo fosfatado?
No mercado surgem vendedores propondo produtos que disponibilizariam o P adsorvido no solo - existe alguma pesquisa em relação a isso?
Obrigado.

SIMONÉSIA - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 28/01/2009
como seria uma recomendação mais eficiente de adubação fosfatada com relação ao fosforo remanescente?aplicação mais localizada em menor fosforo rem.e parcelada com maior fosforo rem?
o corte de raízes citado por você,è prejudicial ao N/K por qual motivo?
seria o corte repetitivo pelas adubações parceladas?
parabéns pelo trabalho apresentado
abraços
fernando

VITÓRIA DA CONQUISTA - BAHIA
EM 23/11/2008

ALEGRE - ESPÍRITO SANTO - ESTUDANTE
EM 20/10/2008
Gostaria da sua opinião sobre a necessidade de adubação fosfatada de uma lavoura de café já em produção que neste ano produziu cerca de 40 sc/ha, mas que tem previsão para o ano que vem de apenas 8 sc/ha, visto que a desfolha foi muito grande e a florada foi pequena.
Considerando que o fósforo na análise desse ano é de 9 mg/dm³ (argiloso), o solo está ácido pH 4,7, (ainda será corigido com a calagem), e que serão aplicados foliares para controle da ferrugem que contêm fósforo.
Sabemos que em termos de nutrição da planta é interessante, mas seria viável economicamente a aplicação este ano, ou poderia deixar essa operação para o ano seguinte, antes da florada onde a expectativa de safra é bem maior e o solo já teria seu pH corrigido?
Comente a situação por favor. Agradeço a atenção, e parabéns pelos ótimos esclarecimentos que vem nos dando. Abraço.
<b>Resposta do autor:</b>
Prezado Fabrício Moreira Sobreira,
Considerando que 9 mg/dm3 de P, em um solo argiloso, representa um teor classificado como bom ou muito bom, considero adequada sua proposta de aplicar adubo fosfatado só no próximo ano, principalmente porque o solo já estará corrigido.
Quanto à aplicação de P via foliar, como um agregado ao controle da ferrugem, isso nada representa em relação à necessidade de P requerida pelo cafeeiro. Adubação fosfatada deve ser realizada via solo.
Parabéns pela proposta correta.
Atenciosamente,
André Guarçoni M.

PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 16/09/2008
Sou do norte do Espirito Santo. Aqui o fósforo é muito utilizado em pequenas quantidades, na formulação 20-04-18, três ou quatro vezes ao ano. Entretanto, outros estão utilizando uma concentração maior no mês de agosto (após a colheita) de 00-30-00, por exemplo, de uma só vez no ano. Em sua opinião, hoje, qual seria a maneira mais adequada?
<b>Resposta do autor:</b>
Prezado Cristiano Malacarne,
Considero a segunda forma de aplicação sugerida por você como a mais adequada. Não é coerente aplicar o fósforo em vários parcelamentos de pequenas doses, especialmente na mesma formulação com nitrogênio e potássio. Isso porque, estas, geralmente, são insuficientes para suprir adequadamente a necessidade das plantas, além da forma de aplicação do adubo fosfatado ser diferente da forma de se aplicar adubos nitrogenados e potássicos.
Agradeço o questionamento. Atenciosamente,
André Guarçoni M.
ESPÍRITO SANTO DO PINHAL - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 05/07/2008
Para tornarmos disponíveis o fósforo e outros minerais existente em nosso solo, alguns agrônomos vêm recomendando a aplicação de microrganismos.
Recomendaram-me a aplicação de uma calda resultante da mistura de estrume bovino com água, adicionado com MICROGEO. Você tem conhecimento desta técnica/produto?
<b>Resposta do autor</b>
Prezado Marco Antônio Jacob,
Existe algum efeito da interação entre microrganismos e a disponibilidade de nutrientes para as plantas. Mas isto ainda não é muito definido, sendo sua eficácia questionável, especialmente em relação ao nutriente, ou nutrientes, que seriam mais disponibilizados. Além disso, o efeito positivo, se ocorrer, pode ser devido a outros fatores, não à interação microrganismos x disponibilização nutrientes.
Desconheço a tecnologia por você apresentada. Portanto, não posso falar especificamente sobre a mesma. Só faço a sugestão de que avalie bem o custo dessa aplicação.
Agradeço o questionamento.
André Guarçoni M.

RIBEIRÃO PRETO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 25/06/2008
Parabéns por levantar um assunto de extrema importância na cultura do cafeeiro, e principalmente em falar sobre fósforo. Acho que ainda hão muitas teorias equivocadas a respeito da adubação fosfatada, e o maior equívoco está em não quebrar paradigmas.
Vejo as recomendações das literaturas mencionadas, ouço alguns consultores palpitarem, e a conclusão que eu chego é que estamos à deriva sobre uma definição adequada sobre os níveis e as fontes de fósforo com melhor custo-benefício para o produtor.
Faltou ainda comentar sobre a época ideal para aplicação, levando-se em conta os momentos de maior necessidade da planta, talvez assim possamos otimizar a fosfatagem.
Sempre leio os artigos publicados nessa coluna, e sinto que falta uma postura definida, sei que o objetivo aqui não é formar, e sim informar, contudo penso que seria mais produtivo proporcionar um debate de idéias, defendendo um ponto de vista. Não consegui concluir qual a sua posição com relação ao que seria ideal para a cultura.
Venho trabalhando com doses elevadas de fósforo no Oeste da Bahia a pelo menos 5 anos e posso te assegurar que nossos resultados são bastante satisfatórios. Devemos esperar mais? Esperar de quem? O produtor é quem tem que ser o "Doutor do seu cafezal", pois não adianta esperar ninguem inventar a roda, mas sim fazer ela girar, porque me parece que a roda da pesquisa cafeeira está imperrada na vaidade dos pesquisadores. Vamos abrir a cabeça, a roda tem que ser inventada todo dia.
<b>Resposta do autor:</b>
Prezado Marcelo Marques Nunes,
Agradeço por concordar sobre a importância do assunto e, também, por colocar, de forma clara, seus questionamentos e opiniões. É importante que ocorram divergências nas opiniões, principalmente porque cada um elege sua própria verdade, sendo esta a que lhe convém. Tentarei mostrar, objetivamente, meu posicionamento quanto às questões por você levantadas.
Penso que, para considerarmos uma teoria equivocada, temos que apresentar uma outra, baseada em sólidos conhecimentos teóricos, senão corremos o risco de ficar limitados ao "achismo". Os paradigmas estão aí para serem quebrados, mas não com palpites, especialmente quando estes envolvem os recursos do cafeicultor.
Concordo plenamente com você, quando salienta a incapacidade de definir o melhor custo-benefício para o produtor. Será que isto ocorre devido aos inúmeros interesses econômicos envolvidos em toda a cadeia? Acredito que sim. Você pode ser um profissional idôneo, mas o produtor bem sabe que isto não é regra.
Se o adubo fosfatado apresenta elevado efeito residual, quando bem aplicado, você considera adequado gastar mais mão-de-obra com seu parcelamento? Você pode parcelar NPK com maiores concentrações de fósforo, mas a aplicação de N e K, em menores volumes de solo, ideal para o fósforo, acentua as perdas de ambos. Se houver corte de raízes então, será uma catástrofe. De qualquer forma haveria prejuízo. Considero que, apenas em solo com enorme capacidade de adsorção de fósforo, pode-se pensar em seu parcelamento, especialmente se a forma de aplicação não for muito adequada.
Sinto muito se não consegui expressar, claramente, meu ponto de vista em todos os artigos que leu. Mas posso te garantir que sempre tento, mesmo que não consiga. Meu ponto de vista é: proteger o cafeicultor. Tentar fazer com que o custo-benefício seja otimizado em favor dele, não de terceiros. Em meus artigos, talvez não tenha demonstrado isso para você, mas acredito que alguns leitores vão discordar do juízo que faz sobre a definição de minha postura. Na verdade, é muito difícil resumir toda a complexidade do assunto tratado no presente artigo em apenas uma frase, mas minha opinião atual é: adição de doses médias de fósforo, na forma de fosfato solúvel ou natural reativo, aplicado em menor volume de solo. Espero que alguns leitores tenham captado a mensagem, sem a necessidade dessa conclusão.
Fico realmente satisfeito por seus resultados serem satisfatórios, pois você parece ser um bom "Doutor do seu cafezal", gerando lucro máximo para a empresa na qual trabalha. Se "ela" tem uma planilha de custos bem elaborada, já sabe disso, senão, um dia irá saber. Só discordo completamente quando desmerece o trabalho científico, pois, se esse não existisse, estaríamos adubando café, até hoje, com esterco e resto de comida. O trabalho científico é realmente lento. E deve continuar assim, pois seria irresponsabilidade testar suposições com dinheiro do produtor. Uma tecnologia só deveria ser repassada se não houvesse qualquer dúvida quanto à sua eficácia, em diversos ambientes. E isso, na presente conjuntura, não acontece.
Fazer a roda girar é imprescindível. Mas sinto pesar por aqueles que estão tentando girar rodas quadradas, sem o saber.
Agradeço sinceramente, Marcelo, pela oportunidade de melhor esclarecer meu ponto de vista sobre o assunto.
Atenciosamente,
André Guarçoni M.