Silas Brasileiro fala sobre mercado e política do café
Em entrevista ao Programa Roda Viva, o deputado federal Silas Brasileiro falou sobre o mercado de café, a união de cafeicultores do Cerrado Mineiro e apresentou o que está sendo desenvolvido para melhoria do setor. Acesse e confira.
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Conteúdo da entrevista
Silas apontou que na cafeicultura, além do enfoque econômico há enfoque social, uma vez que é a única cultura que gera 8,4 milhões de empregos no país. "Nós temos defendido a produção de café dentro do tripé: sustentabilidade econômica, social e ambiental", acrescentou ele.
"Sentimos que o Cerrado Mineiro tem sido uma fronteira diferenciada do restante das áreas produtoras de café do País pois ele é mais evoluído, mais profissional, e os líderes participam de uma maneira mais direta."
Silas acredita que para que se tenha políticas duradouras para o café é preciso ter um levantamento de dados possibilitando conhecer qual área produtiva do país, qual idade dos cafeeiros, qual produtividade, qual capacidade de produção, qual necessidade de expansão, o que o mercado externo está buscando para garantir o mínimo de renda necessária para que o produtor possa continuar sua atividade, entre outros.
"Grandes corporações como Café do Cerrado, Cooxupé, Associações e cooperativas tem dado suporte para que possamos expandir estudos sobre o café. A partir de fevereiro será formado um Grupo de Trabalho com a filosofia: Pensando em café, desde a produção até comercialização", informou o deputado.
"O trabalho tem o objetivo de ter uma politica consistente, planejada, para cafeicultura nacional, a partir da proposta que sairá do Cerrado", completou.
Silas Brasileiro abordou também a questão da formação de preços de café no mercado. "O produtor tem participação na formação de preço, mas quem forma o preço realmente são os compradores. O produtor tem que colocar no mercado em 3 meses um café que demorou 12 meses para produzir. O excesso de oferta de café gera redução de preços. Temos que fazer com que o café produzido ao longo de 12 meses possa ser colocado no mercado ao longo desse período."
O deputado explicou que por falta de política, está havendo uma transferência muito grande de café do Brasil para o mercado consumidor. Sendo assim, o mercado consumidor que trabalhava com estoque relativamente pequeno, hoje tem em média 3 meses de estoque, não tendo pressa de comprar mais café, estabelecendo assim o preço de mercado.
"O preço tem que ser remunerativo mas não elevado, para que não venha haver excesso de produção", finalizou Silas Brasileiro.
Confira a entrevista na íntegra.
Gilson Ximenes, presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), escreveu um artigo-resposta à entrevista. Veja através do link abaixo.
Gilson Ximenes (CNC) fala sobre o GT Pensando em Café
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VIÇOSA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 10/02/2010
É com satisfação que recebo sua proposta de visita à Fazenda Recua, e outras da região que mantêm o mesmo padrão de produtividade média de cerca de 40 sacas/ha, sem irrigação. De quebra você visita a UFV.
Às vezes o bicho pega! Estamos a 42 dias sobre-vivendo com 35 mm de chuva e temperatura máxima média de 33 Celcius no período, com evapotrans de 4,5 mm/dia. Uma escaldadura nunca observada por aqui. As lavouras de mais de 25 anos, com produtividade estimada de 60 sacos/ha em 2010, ainda não "demonstram sofrimento", mas uma lavoura nova de 4 anos e em terceira safra (a primeira de 44, a segunda de 47), com aproximadamente a mesma carga de 60, em apenas uma semana desandou total, com forte amarelecimento de folhas e "amadurecimento forçado" dos frutos não ainda completamente desenvolvidos.
A última vez que observei (desculpe a primeira pessoa!) isto por aqui foi em 1985/86; mas foi também o ano que mais ganhei dinheiro com o café (não falo isto para me gabar, mas para fazer história), produzindo por US$ 35 e vendendo a US$ 280/saca (dolar, porque naquela época o cruzado não servia de referência; alguém já calculou e encontrou que esses US$280 valeriam, hoje, mais de 800).
Infelizmente, muitas das famosas dívidas dos cafeicultores de hoje têm origem daquela época; a ganância lhes sussurrou que em 1987 o saco de café iria a US$ 500. Mas o plano de Sarney/Funaro, (lembra-se, ou ainda era muito jovem?) arrebentou com muita gente, pois um ano depois que o PMDB faturou as eleições, o café valia menos de US$100 a saca, e a inflação foi de negativa para mais de 12% ao ano. Espero que a história se repita, com os preços, é lógico!
Ainda me lembro de ter escrito nalgum lugar, em 1988, que "qualquer sistema de irrigação teria sido pago com as perdas daquele ano"; voltei a falar disto na Revista ÍTEM, em 2001, quando a seca, que substituiu as geadas, assolava novamente as lavouras. Olhe que em 1986 falava-se muito pouco de irrigação de café. As pesquisas do IAC (Lazzarini 1950 e qualquer coisa??) até mostravam que não compensava. As coisas mudam, e o clima também, não é? E tudo indica que vai piorar ainda mais, por um tempo! Mas, a médio prazo, não compensa irrigar café na micro-região de Viçosa, por enquanto!
Voltando ao motivo dessa nossa conversa, hoje (10/02), o tempo mudou para chuva, e parece que vamos ter alguma água de São Pedro. Assim, com sua vinda aqui, teremos muito que discutir e aprender, mutuamente. Pergunte à Natália Fernandez pelo meu e-mail, pois não posso mandá-lo pelo cafepoint, para agendarmos sua visita. Mas não espere encontrar uma propriedade como as de São Paulo. Tudo aqui é rústico; apenas o necessário para ter produtividade, qualidade, respeito ao trabalhador e ao ambiente.
Saudações cafeeiras
Rena
SÃO SEBASTIÃO DA GRAMA - SÃO PAULO
EM 09/02/2010
Não querendo duvidar, mas sim ganhar conhecimento e ver de perto o seu sucesso, gostaria de poder entar em contato com você para marcarmos se possível uma visita.
Obrigado,
Diogo

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 05/02/2010
Seria grande insensibilidade não reconhecer a imensa aflição porque passa a maioria dos pequenos e médios cafeicultores brasileiros, principalmente. O objetivo precípuo do meu comentário foi o de afirmar que é possível mudança no Custo Operacional Total (COT), desde que se tenha a disposição solo, chuva e temperatura mínimos, apenas com o uso adequado da tecnologia disponível hoje e o aprimoramento simples do gerenciamento da propriedade, que raia a pura humildade e bom-senso.
Mas, parece que fui infeliz na primeira aproximação! A proposta não era chamar o cafeicultor de "incompetente", ainda que este exista, e muitos, pequeno ou grande, culto ou não.
Portanto, proponho mudança da expressão para "impotentes para transmutar uma dada situação desfavorável", principalmente da "porteira para dentro". Minha intenção não foi tripudiá-los, mas sim dizer que a mudança é possível, e está na mão dele.
Quando falo em mais de 35 sacos beneficiados por hectare (média de seis anos), mais de 50% de bebida dura para melhor (se acima de 750m de altitude, mole), custo operacional total de R$ 200 por saco beneficiado, ou menos, mesmo na montanha e em lavoura não mecanizada e de sequeiro de mais de 25 anos de idade, não estou brincando, zombando, sonhando, ou no mundo da lua. Sou produtor há 30 anos, e a Fazenda Recua está "certificada" e tem endereço. Por tanto, não posso mentir ou "chutar". Se não for suficiente, tenho amigos na região que também podem fazer a demonstração.
É a isso que chamo de "graça"; não apenas "milagre"!
Abraços
Rena

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 03/02/2010
Muito bom ouvir suas palavras, belas e motivadoras. Obrigado!
Há interesse do CaféPoint em estender este tema tão polêmico. É provável que alguma coisa surja em breve por aqui. No Peabirus, seguramente vou também mostrar um pouco das minhas ideias, em geral dissonantes. Mas servem para a discussão coletiva, não é?
Saudações cafeeiras
Rena
SÃO SEBASTIÃO DA GRAMA - SÃO PAULO
EM 03/02/2010
Muito já ouvi falar sobre você, até já estudei muito com livros e outros artigos seus, mas com uma média nacional de 20 sacas por hectare ... infelizmente todos os produtores são taxados de "incompetentes".
Em recente artigo publicado pelo caro amigo Sergio Pereira, 3 desafios para a cafeicultura: a carência de estudos por parte do produtor, já foi realizada por pesquisadores ... porém esses resultados, infelizmente, não chegam ao produtor ...
O díficil é o produtor descapitalizado conseguir investir em suas lavouras e poder contar com os "lucros" só depois de 2 anos.
Também gostaria de saber onde está o "milagre".
Abraços.

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 03/02/2010
Esperei, propositadamente, as reações às minhas provocações. Como você observa, nenhuma, exceto a sua. Assim, caro colega, a crise da cafeicultura não parece estar da porteira para dentro! É verdade, há realmente grandes problemas do lado de fora, mas as soluções para eles depende não de informações técnico-científicas, mas do trabalho dos nossos "supostos líderes", e disto eu entendo quase nada; sou também vítima.
Hoje, mesmo com a "crise", quem possui solo, temperatura e chuva mínimos, e está endividado, ou não tem a menor ideia de como produzir café, ou está recebendo assistência técnica ineficiente, ou é incompetente. Sinto muito!
Temos mesmo que gritar com nossos "líderes", ou substituí-los, pois as coisas poderiam ser muito melhores, principalmente no âmbito externo. Vejam a Colômbia, os Centrais etc. Isto tudo já está dito por aí, a exaustão, não é? Mas, enquanto esses senhores não assumem sua responsabilidade, ou pedem o boné, não resta ao cafeicultor outra saída que produtividade, qualidade e sustentabilidade.
Hoje, quem estiver produzindo menos de 35 sacos/ha (média de pelo menos 4 anos), menos de 50% de bebida "dura pra melhor", seja lá o que isto significa, e com custos acima R$220/saca bebeficiada é melhor que mude de atividade. Digo isso para a montanha. A mecanizada tem que ser melhor ainda.
Não há outra saída!
Portanto, como você foi o único que se interessou por detalhes técnicos de produção, podemos conversar mais por e-mail, caso lhe agrade.
Saudações cafeeiras
Rena
CAMPINAS - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 02/02/2010
Saudações Cafeeiras...
Que bom ver seu retorno ao Ciberespaço Cafeeiro....
Aquele "cometa luminoso" explodiu em outra galáxia, pois era um "Perfil Falso"....
E na Internet tenho aprendido que a moderação das Redes é feita pelo próprio usuário em função da "Reputação Digital" de quem escreve.
E o senhor tem uma fantástica e inabalável Reputação REAL , assim a DIGITAL é conseqüência.....
A Comunidade Manejo da Lavoura Cafeeira espera o dia do seu retorno, ansiosamente.
Cumprimentos de seu admirador,
Sérgio Parreiras Pereira
Mediador da Comunidade Manejo da Lavoura Cafeeira do PEABIRUS

SÃO LOURENÇO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 30/01/2010

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 28/01/2010
Estava a questionar a mesma coisa sobre as mensagens dos Senhores Silas Brasileiro e Gilson Ximenes, quando me deparei com sua colocação apropriada. Gostaria apenas de protestar um pouquinho mais, para não perder o costume e não decepicionar àqueles afeitos a mim. Olhe que não é choradeira de cafeicultor, como costumam dizer, maldosamente, por aí; não. Vou muito bem obrigado, na montanha, e com toda a crise do café. Infelizmente nem todos têm acesso a essa graça! Quem ainda não assitiu às minhas palestras, e quizer saber como, é só perguntar. É possível que responda, por e-mail, coletivo! Não é propaganda para futuros discursos, pois já não estou mais no mercado, e ganho e aprendo muito mais cuidando das minhas próprias lavouras, hoje, o meu laboratório.
Será que as montanhas de Minas e do Espírito Santo não representam nada? Olha que não é só em quantidade, mas também em qualidade, pois se falarmos em premiações é possível que se encontrem cafés com bebidas iguais, senão melhores, que as merecidas e tão badaladas do "cerrado mineiro" (que devia ser chamado café do oeste/noroeste, já que Minas está repleta de cerrados que também produzem café; o sul mineiro que o diga!). Exemplos? As regiões de Araponga e do Caparaó e seus famosos cafés de concursos nacionais e internacionais. Lembram-se?
Eu jurei a mim mesmo que mais não comentaria contra as coisas absurdas que aparecem de quando em vez por aí, em vários sítios, depois que tomei uma bordoada de um "cometa luminoso" (Lúcifer?), de forma meteórica, que passou pelo Peabirus, nos idos de 2008. Mas, como bem disse a destemida Eliane, nem sempre dá para deixar passar batido!
Senhores "líderes" da tão sofrida cafeicultura nacional, tomem juizo, e já, antes que a vaca vá pro brejo, com a maioria dos produtores brasileiros médios amarrada na cauda.
Rena!
SÃO SEBASTIÃO DA GRAMA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 28/01/2010