Frutos secos no pé prejudicam a qualidade da bebida do café na Zona da Mata mineira

Avaliação realizada em Lajinha (MG) mostrou que cafés provenientes de frutos secos no pé apresentaram bebida padrão Rio, enquanto aqueles colhidos maduros resultaram em bebida Dura, de qualidade superior

Publicado em: - 2 minutos de leitura

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A Zona da Mata de Minas Gerais possui uma extensa área de produção de café arábica, com lavouras distribuídas pelas montanhas, em altitudes que variam de 500 a 1.200 m. As condições climáticas da região favorecem o crescimento e a produtividade dos cafeeiros. Entretanto, em determinados anos, a umidade do ambiente se mantém elevada durante o período de colheita, favorecendo fermentações nos frutos e prejudicando a qualidade da bebida. Esse problema é mais crítico nas áreas de menor altitude e nos anos em que o inverno é mais chuvoso.

Além das condições climáticas, a qualidade da bebida do café depende dos sistemas de colheita e de preparo dos frutos. Como a colheita é feita por derriça, o café colhido contém frutos em diferentes estágios de maturação, que podem apresentar maior ou menor grau de fermentação ainda no campo.

O presente trabalho teve como objetivo avaliar a qualidade da bebida obtida de frutos secos e de frutos maduros colhidos no pé, nas condições da Zona da Mata mineira.

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O estudo foi realizado entre junho e agosto de 2026, na Fazenda Experimental da Fundação Procafé, em Lajinha (MG). Foram colhidos frutos de cafeeiros da cultivar Catucaí Amarelo 785-15, em uma lavoura situada a cerca de 700 m de altitude. A partir do café colhido das mesmas plantas, foram preparadas amostras de 10 litros cada, com separação manual dos frutos secos e dos maduros.

A secagem das amostras foi realizada ao sol, sobre peneiras individuais. Após os frutos atingirem o ponto ideal de secagem, com os grãos apresentando 12% de umidade, as amostras foram beneficiadas e encaminhadas para avaliação da bebida por três provadores habilitados da cooperativa local, a COOCAFE.

Resultados e conclusões

Os resultados das provas de bebida das amostras de café provenientes de frutos secos e maduros estão apresentados na Tabela 1. Verificou-se que as amostras provenientes de frutos secos no pé resultaram em bebida padrão Rio, enquanto aquelas obtidas de frutos maduros apresentaram bebida Dura, de padrão superior.

Essa diferença na qualidade da bebida evidencia a possível influência de fermentações indesejáveis, que depreciaram a qualidade dos frutos secos após a maturação, ainda nas plantas. Como mencionado anteriormente, essas fermentações são favorecidas por condições ambientais mais quentes e úmidas.

Ao analisar os dados de precipitação registrados pela estação meteorológica da Fazenda Experimental, verificou-se que, durante o período de maturação e colheita, de abril a junho, foram registrados 197,6 mm de chuva.

Conclui-se que a obtenção de cafés com padrões superiores de bebida pode ser dificultada em ambientes mais úmidos, uma vez que os frutos secos no pé podem apresentar fermentações indesejáveis e resultar em bebida padrão Rio. Entretanto, a separação dos frutos na etapa pós-colheita pode permitir a obtenção de uma parcela de café de boa qualidade, proveniente dos frutos cereja, mesmo nessas condições de maior umidade.

Tabela 1- Padrão de bebida de amostras de grãos de café oriundos de frutos colhidos dos pés, nos estágios secos e cerejas, na Zona da Mata em MG - Lajinha, 2026

Figura 1

Figura 2
Amostras dos frutos do trabalho. Colheita e separação da parcela dos maduros daquela dos secos do pé

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Material escrito por:

José Braz Matiello

José Braz Matiello

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