Safra de 55 milhões de sacas é otimista

Acredito que uma expectativa de safra de 55 milhões de sacas para 2008 é bem otimista, apesar do conilon andar puxando as médias de produtividade para cima. Será que apostar na alta devido aos baixos estoques, sem diluir suas vendas ou, principalmente, aproveitar momentos de alta para fazer hedge, não é uma atitude ingênua?

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Renato Fernandes, diretor de marketing da Assocafé - BA, comenta artigo "Estimativa de safra no Brasil: um grande chute ou jogo de interesses?".Ele diz que uma safra de 55 milhões para 2008 é otimista e que o caminho para se ter sucesso na cafeicultura também passa pelo conhecendo do custo de produção e economia do que sobra por saca, nos anos bons. Leia a seguir.

Carta de Renato Fernandes

Acredito que uma expectativa de safra de 55 milhões de sacas para 2008 é bem otimista (volto a perguntar, maior produtividade é positivo, não?), apesar do conilon andar puxando as médias de produtividade para cima.

Conhecendo Celso Vegro e acompanhando seu trabalho, há alguns anos, tenho certeza que não houve nada parecido com tentativa de derrubar o mercado em seu artigo "Café: uma lavoura ensandecida" Quanto ao uso que farão dessa estimativa, são "outros quinhentos".

Será que apostar na alta devido aos baixos estoques, sem diluir suas vendas ou, principalmente, aproveitar momentos de alta para fazer hedge, não é uma atitude ingênua?

Tento compreender a busca dos produtores pelo "preço máximo" como efeito de um descompasso entre sua escala de produção e suas necessidades, como empreendedor e até mesmo pessoais. Acredito que o caminho para se ter sucesso na cafeicultura passe por, conhecendo seu custo de produção, gastar pouco do que sobra por saca, nos anos bons, aplicando o restante em ativos de baixo risco e boa liquidez, para custear os anos ruins, evitando, assim, vendas nas fases de preços criticamente baixos.

Quem não tiver escala de produção terá que se contentar com a receita gerada. Mas, será que não é muito mais gratificante "ficar rico" de vez em quando? O que sei é que fome não se passa, mesmo nos anos ruins, e não se chega a uma "zona de desconforto" capaz de motivar mudanças significativas de postura.

Veja a carta de Renato Fernandes na íntegra.

Rodrigo Cascalles, Equipe CaféPoint
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