Boletim Carvalhaes: Saída dos estoques brasileiros se aproxima da safra anual da Colômbia

Nos últimos dois meses, já saíram 11 milhões de sacas de café de nossos estoques; floradas antecipadas e entrada da safra 2026 no mercado alimentam especulações sobre a oferta e pressionam cotações do café

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Os eventos climáticos que nos últimos anos vêm afetando e modificando o clima global, neste ano, adiantaram a chegada de chuvas nos cafezais brasileiros, provocando floradas “muito cedo e fora de hora” em diversas regiões produtoras, informa o Boletim Carvalhaes divulgado na sexta-feira (11). 

Segundo o informe semanal, elas anteciparam, assim, as especulações do mercado quanto ao tamanho da próxima safra brasileira (2027), provocando uma falsa impressão de sua alta produção. Essas especulações, somadas à entrada no mercado da nova safra brasileira 2026 – que dá um alívio de curto prazo ao abastecimento do mercado consumidor brasileiro e internacional – pressionaram nas últimas semanas as cotações do café em Nova York e Londres, calcula o boletim.

As exportações brasileiras em agosto, divulgadas na quinta-feira (10) pelo Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), ultrapassaram 4 milhões de sacas, registrando um recorde em exportações mensais de conilon verde (cru). “Colocamos a bordo 953.592 sacas de café conilon. Se somarmos aos embarques de solúvel (praticamente todo nosso solúvel é produzido usando como matéria-prima o conilon), de 332.192 sacas, chegamos a 1.285.784 sacas de conilon exportadas”, analisa o Boletim Carvalhaes (confira abaixo outros números das exportações divulgadas pelo Cecafé).

Ainda de acordo com o boletim, somando o consumo interno às exportações brasileiras do novo ano-safra brasileiro, entre julho e agosto, já saíram 11 milhões de sacas de nossos estoques – quantidade um pouco menor do que a produção anual da Colômbia, o terceiro maior produtor mundial de café.

Contratos de arábica

Os contratos de arábica em Nova York e de robusta em Londres fecharam a sexta-feira (11) em baixa moderada.

Os contratos de arábica para dezembro próximo na ICE Futures US oscilaram na sexta (11) 765 pontos entre a máxima e a mínima, batendo, na máxima do dia, US$ 2,9195 por libra-peso, uma alta de 335 pontos. Encerraram o dia valendo US$ 2,8570 por libra-peso, com perdas de 245 pontos (0,85%).

Na quinta-feira (10), caíram 390 pontos (1,33%) e na quarta-feira (9) subiram 75 pontos (0,26%). Na terça-feira (8) recuaram 430 pontos (1,45%). Na segunda-feira não houve pregão. Somaram perdas de 990 pontos (3,35%) na semana passada, e na semana retrasada, de 1.725 pontos (5,51%). Caíram 980 pontos (3,04%) na semana anterior a ela. Somaram queda de 315 pontos (1%) em agosto, subiram 3.255 pontos (11,54%) em julho e 3.090 pontos (12,30%) em junho. Somaram queda de 3.245 pontos no primeiro semestre de 2026.

Contratos de robusta

Para novembro, os contratos de robusta na na ICE Europe bateram, na máxima de sexta-feira (11), US$ 3.601 por tonelada, em alta de US$ 47 dólares. Encerraram o pregão a US$ 3.525, em queda de US$ 29 (2,36%). Na quinta (10), subiram US$ 8 (2,36%) e na quarta (9), US$ 14 (0,40%). Na terça-feira (8), fecharam em alta de US$ 53 (1,56%) e na segunda (7), caíram US$ 25 (0,73%). 

Na semana passada, estes contratos para novembro próximo somaram alta de US$ 95 (2,77%), com queda na semana retrasada de US$ 99 (2,80%). Caíram US$ 89 (2,46%) na semana anterior a ela. Em agosto, acumularam queda de US$ 246 (6,52%), subiram em julho US$ 163 (4,51%), em junho, US$ 340 (10,39%) e em maio, US$ 66 (2,06%).

Estoques certificados

Os estoques de café arábica certificados na ICE Futures caíram na sexta-feira (11) 525 sacas. Estão em 217.932 sacas. Há um ano eram 669.991 sacas, caindo, nesse período, 452.059 sacas. 

Na semana passada, somaram queda de 5.780 sacas, e de 264 sacas na semana retrasada. Na semana anterior a ela recuaram 4.016 sacas.

Em agosto, somaram queda de 40.203 sacas, caíram 113.286 sacas em julho, 57.965 sacas em junho, 63.853 sacas em maio e 58.191 sacas em abril. Subiram 80.245 sacas em março, mas recuaram 41.508 sacas em fevereiro e 17.434 sacas em janeiro. 

No primeiro semestre deste ano, houve queda de 158.706 sacas. Em 2025, os estoques certificados pela ICE Futures US recuaram 53,76%, acumulando perdas de 526.812 sacas.

Contratos futuros em R$ 

Os contratos para dezembro próximo na ICE Futures US fecharam sexta-feira (11) valendo R$ 1.936,86. Encerraram a sexta-feira anterior (4) a R$ 2.005,93 e a sexta-feira anterior a ela (28/8) a R$ 2.150,72.

Mercado físico brasileiro

O mercado físico brasileiro de arábica continua bastante procurado, com muito interesse comprador para todos os padrões de café. Na semana passada, o mercado físico permaneceu calmo, com volume de negócios fechados abaixo do usual para esta época de entrada de uma nova safra no mercado. 

As fortes oscilações diárias nos contratos de arábica na ICE americana continuam dificultando o fechamento de um número mais expressivo de negócios. Nas últimas semanas, o valor das ofertas recuou no mercado físico brasileiro, acompanhando a queda em Nova Iorque. 

Assim, muitos produtores adiam vendas, aguardando um quadro mais claro do cenário para os próximos meses. Vendem o necessário para cumprir os compromissos mais próximos, que são altos nesta época de final dos trabalhos de colheita e de benefício de uma nova safra.

Embarques e emissão de certificados

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil informou que em agosto foram embarcadas 4.155.451 sacas de café – 31% (984.038 sacas) a mais do que as 3.171.413 sacas embarcadas em agosto de 2025 e 36,3% (1.107.180 sacas) a mais do que as 3.048.271 sacas de café embarcadas em julho. 

Os embarques de arábica em agosto (2.865.851 sacas) tiveram alta de 25,7% (586.199 sacas) em relação às 2.279.652 sacas embarcadas em agosto de 2025, e alta de 56,8% (1.038.626 sacas) em relação aos embarques de julho de 2026 (1.827.225 sacas). 

Quanto ao conilon, em agosto foram embarcadas 953.592 sacas – alta de 53,5% (332.582 sacas) em relação às 621.010 sacas embarcadas no mesmo mês em 2025, e alta de 12,4% (104.997 sacas) emrelação às 848.595 sacas embarcadas em julho deste ano. Ao todo, em agosto foram embarcadas 3.819.443 sacas de café verde, que, somadas às 332.192 sacas de café solúvel (cuja queda em relação a julho foi de 8,1% ou 29.174 sacas) e às 3.816 sacas de café torrado, totalizaram 4.155.451 sacas exportadas.

Até 11 de setembro, os embarques de setembro estavam em 578.289 sacas de café arábica, 95.439 sacas de café conilon e 36.151 sacas de café solúvel, somando 709.879 sacas embarcadas, contra 1.085.081 sacas no mesmo dia de agosto.

Até 11 de setembro também, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em setembro totalizavam 1.336.200 sacas, contra 1.180.855 sacas em 11 de agosto.

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