Preços do arábica devem cair 8,8% até o fim de 2026, informa Reuters

Especialistas ouvidos pela agência afirmam que os baixos estoques nos Estados Unidos, na Europa e no Japão deixam o mercado mais sujeito aos efeitos causados pelo clima ou por logística na oferta de grãos

Publicado por: CaféPoint

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Reuters

Os preços dos grãos arábica devem cair 8,8% até o final de 2026 em relação aos valores atuais, apesar da ameaça do El Niño, informa pesquisa da Reuters divulgada na segunda-feira (24).

A média prevista, calculada a partir da consulta com 11 analistas e corretores, aponta que os contratos futuros de arábica na bolsa ICE de Nova York devem fechar o ano a US$ 3 por libra-peso, abaixo dos US$3,293 registrados no fechamento da sexta-feira (21).

Por outro lado, os entrevistados acreditam na elevação de 4,6% nos preços do robusta para US$ 3.900 por tonelada no mesmo período.

Os participantes também prevêem extrema imprevisibilidade no mercado, particularmente para o café arábica, com estimativas de preço variando de US$2,50 a US$3,90 por libra-peso, já que a “anomalia” climática do El Niño obscurece as perspectivas. Para Laleska Moda, analista da corretora Hedgepoint Global Markets, a variação de preços dependerá, especialmente, dos impactos do fenômeno na florada da próxima safra brasileira: se ela ocorrer normalmente, os preços podem oscilar entre US$2,30 e US$2,60. Senão, podem ficar mais altos do que os atuais.

Para os analistas consultados, a questão  é a disposição dos produtores em vender os grãos depois do El Niño. Eles concordam, também, quanto à safra-recorde, prevista em torno de 75 milhões de sacas. 

“Há café em abundância, mas a questão principal é com que rapidez ele será colocado no mercado”, disse um analista de uma empresa multinacional de comercialização, que pediu para não ser identificado.

“Os produtores com boa capitalização têm pouca pressão para vender: os custos de produção estão amplamente cobertos, e o Brasil continua sendo um dos lugares mais baratos para armazenar café.”

A maioria, porém, afirma que os estoques baixos nos principais consumidores (EUA, Europa e Japão) deixam o mercado vulnerável a choques de oferta, climáticos ou logísticos. Em condições normais de ambos, a pesquisa indica uma perspectiva positiva para os estoques.

Estima-se que o excedente global de café aumente para 8,2 milhões de sacas em 2026/27, em comparação à 1,7 milhão de sacas em 2025/26 (outubro-setembro).

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