Safra brasileira seria recuperada pelas chuvas

A quebra da safra brasileira de café 2007/08, cujo principal motivo foi a ocorrência de altas temperaturas no período de indução floral, do meio para o final do verão passado, seria recuperada com as chuvas que ocorrem, neste mês de janeiro, no principal cinturão produtor brasileiro, de acordo com analista americana.

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A quebra da safra brasileira de café 2007/08, cujo principal motivo foi a ocorrência de altas temperaturas no período de indução floral, do meio para o final do verão passado, seria recuperada com as chuvas que ocorrem, neste mês de janeiro, no principal cinturão produtor brasileiro, de acordo com analista americana, citada em notícia da Bloomberg News, publicada na Gazeta Mercantil.

"Há uma oferta ampla se aproximando e tem chovido no Brasil, o que tende a ser benéfico para a safra", disse Judith Ganes Chase, consultora de Katonah, Estados Unidos. "As chuvas deixarão os pés em melhor condição de se recuperar".

"São Paulo recebeu cerca de 360 milímetros de chuva, quase o dobro do normal. Minas Gerais, 400 milímetros de chuva, três vezes mais do que a média do período", diz Joel Burgio, da Meteorlogix LLC de Lexington, no Estado de Massachusetts.

As especulações de que o clima favorável no Brasil poderá aumentar a safra estariam relacionadas com as quedas dos preços do café em Nova York, que, ontem, recuaram pelo quinto pregão consecutivo, na mais longa série de quedas dos últimos 13 meses.

Resta saber de onde viria o café para aumentar a safra brasileira, já que as lavouras não floram em janeiro, além de que, excesso de umidade pode trazer prejuízos, por aumento da incidência de ferrugem.

Fonte: Equipe CaféPoint, com informações da Bloomberg News, publicadas na Gazeta Mercantil
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Jose Donizeti Alves
JOSE DONIZETI ALVES

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 01/02/2007

Em relação às chuvas que, há mais de um mês, vêm caindo em nossa região, há de se considerar vários aspectos, mês a mês. Até novembro, tínhamos ainda um déficit hídrico atípico e as plantas sentiram bastante a escassez de água.

Com as chuvas de dezembro esse déficit hídrico foi reposto e no final do mês tínhamos solo com água armazenada. Essas chuvas foram muito boas para a lavoura e as plantas deram uma revigorada. Daí o entusiasmo das pessoas.

As chuvas de dezembro poderão se refletir positivamente na safra de 2008, caso as plantas apresentem um surto de crescimento compensatório nesta fase final vegetativa (o que eu duvido!), haja vista que o crescimento de ramos que deveria ter começado em setembro somente começou a ocorrer, satisfatoriamente, a partir de dezembro.

Por outro lado, as chuvas de janeiro foram problemáticas devido ao alto volume de água. Estamos registrando índices pluviométricos alarmantes. Aqui no Sul de MG, estamos fechando o mês de janeiro com o dobro em relação à média de precipitação. Isso é muito alto. Portanto para o café essas chuvas excessivas foram muito ruins tanto no aspecto logístico de manejo da lavoura (adubações, controle do mato, pulverizações, etc), para o solo (lixiviação de nutrientes como N e K; ambiente redutor levando a deficiência de micro-nutrientes), como para a própria planta em si.

Em relação à planta, é importante lembrar que o cafeeiro é altamente sensível a deficiência de oxigênio. E esse é exatamente o problema que esta ocorrendo. Os espaços do solo a serem ocupados pelo oxigênio estão sendo preenchidos por água, portanto, pode haver uma deficiência de oxigênio para as raízes que, dependendo do tipo de solo, ocasiona um déficit de energia de 95% para a planta (de 36 para 2 ATP/mol glicose). Esse déficit de energia acarreta problemas de crescimento dos ramos e de enchimento de frutos, com prejuízos em termo de peneira.

Concluindo, para a atual safra, ou seja, o café que vamos colher em 2007 um aumento na produção será impossível, pois o potencial produtivo do café já esta definido. Agora a permanecer essas condições ambientais de excesso de chuva, poderá haver exatamente o contrário, ou seja, queda na produção, pelos fatores citados anteriormente.

Por outro lado, se a chuva der uma trégua, e caso as plantas apresentem crescimento compensatório, poderemos ter uma safra em 2008 apenas normal e não maior.

Finalizando, é importante esclarecer que a safra de 2008 dependerá, entre outros fatores, da indução, desenvolvimento e pegamento das peças florais, ou seja, da floração em si, que deverá se desenrolar entre os meses de fevereiro e setembro. Até lá é impossível prever se a florada vai ser boa ou não até mesmo porque não temos condições de antever as condições climáticas nesse período. O resto, é especulação, como disse, apropriadamente, o Prof. Rena.
Francisco Della Torre Chagas
FRANCISCO DELLA TORRE CHAGAS

RIBEIRÃO PRETO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 29/01/2007

Alguem poderia encaminhar para esta Sra., esta noticia publicada no Cepea em Dezembro, que retrata não só a situação de SP, como tambem das lavouras não irrigadas de todo o Brasil...

CAFÉ: Quebra da safra paulista pode chegar a 50%
Publicado em: 20/12/2006

A safra de café no estado de São Paulo pode ter a maior quebra em termos percentuais. Segundo a Conab, a produção do estado deve ser entre 45,9% e 47,7% menor que a temporada anterior, com os cafeicultores paulistas devendo colher entre 2,4 milhões de sacas de 60 kg. A grande causa para a quebra da safra paulista é a má formação de floradas devido à falta de chuvas no período de florescimento.

...E tambem avisa-la que a pressão da ferrugem está enorme neste mês de janeiro, e as fazendas não estão conseguindo efetuar as aplicações necessarias para a contenção da doença devido ao constante mau tempo...
Paschoal Gianneti Ventorim
PASCHOAL GIANNETI VENTORIM

ESPÍRITO SANTO

EM 29/01/2007

Somos bons produtores e péssimos vendedores. O marketing do nosso produto quem deve fazer somos nós (Governo brasileiro). O mercado deveria estar na nossa mão, sob nosso domínio. Assim como os Norte-americanos criam barreiras protecionistas a seus produtos.

Nós, brasileiros, não temos nem uma política agrícola definida. Isso não interessa a nossos líderes políticos. A agricultura transformou-se num peso, numa carga pesada, numa mala sem alça para os governantes brasileiros. Ficamos com o produto na mão, perguntando quanto os países importadores e consumidores pagam pelo nosso café <i>in natura</i>. Assim é também com o minério-de-ferro, granito, petróleo. Somos bons produtores de matéria-prima e entregamos para os outros industrializarem e levarem o lucro.
ViaVerde Consultoria Agropecuária
VIAVERDE CONSULTORIA AGROPECUÁRIA

SÃO SEBASTIÃO DO PARAÍSO - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 27/01/2007

Análises equivocadas ou mal-intencionadas não são novidade neste mercado.

Num momento em que muitos produtores aguardam melhor momento para vender o pouco que restou da safra, informações como esta servem para castigar ainda mais o já combalido setor produtivo.

Ao invés de deplorá-las ou reclamar da falta de união da cafeicultura brasileira, conclamo nossos pares a partir para a ação de fato.

E a primeira ação, sob minha ótica, é que todos nós enviemos enxurradas de e-mails aos nossos representantes, solicitando direito de resposta nos meios de comunicação que multiplicaram a informação: a Gazeta Mercantil e a Bloomberg News, bem como uma missiva para a "analista" Judith Ganes Chase.

Seguem alguns e-mails dos nossos representantes, que, no meu entender, devem ser os responsáveis pela articulação das respostas:

Conselho Nacional do café: faleconosco@cncafe.com.br

Dep. Federal Carlos Melles: dep.carlosmelles@camara.gov.br

Saudações.
Bruno Souza
BRUNO SOUZA

EM 25/01/2007

É realmente uma publicação infeliz, um mal entendido, mas não algo encomendado para abaixar os preços. Assim como o que Judith Ganes divulgou em Londres, no ano passado, sobre a possível retomada de preços, não foi com intenção de fazer o preço subir.

Por outro, lado as chuvas regulares realmente vão ajudar a recuperação da arvores de café e, como a safra vai ser pequena, as lavouras vão estar mais que preparadas para uma super safra em 2008.

Aí sim, os preços vão cair vertiginosamente. É preciso se preparar para os baixos preços que virão a partir da próxima florada, que aliados à valorização do Real frente ao Dólar, tornaram as coisas mais criticas.

Seria mais interessante rebater as criticas no mesmo lugar onde foi publicado o artigo, mas para isto teríamos que ter união de classe, o que definitivamente não temos. Basta ver a ultima eleição para Deputado Federal, quando o maior defensor da cafeicultura no congresso ficou de fora.
antonio carlos prado bartholomei
ANTONIO CARLOS PRADO BARTHOLOMEI

JACUTINGA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 25/01/2007

Quero me solidarizar com os cafeicultores acima que botam a boca no trombone.
Saudações.
Arnaldo Reis Caldeira Júnior
ARNALDO REIS CALDEIRA JÚNIOR

CARMO DA CACHOEIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 25/01/2007

Não vou perder tempo em refazer uma análise, em um artigo, sem nexo, sem o menor embasamento técnico.

E este tipo de gente ainda ganha dinheiro com consultoria?

Gostaria de poder debater, frente à frente, com este pessoal...

Até mais.
juliano
JULIANO

ESPERA FELIZ - MINAS GERAIS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 24/01/2007

Infelizmente, nós produtores estamos sempre sendo prejudicados por esses "especialistas" de safra. Pois falam certas coisas só para derrubar o preço da <i>commodity</i> café. Temos que aprender a nos organizar e mostrar que somos capazes.
Daiana Braga
DAIANA BRAGA

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 24/01/2007

Também não vejo de onde "viria" o café para aumentar a produção neste ano. As floradas vieram entre setembro-novembro e, ainda por cima, muito poucas. O que está no pé vai ser a safra, e não vai ser o "excesso" de chuva de janeiro que vai fazer brotar novos botões de café.
Annibal Mendes Gonçalves Neto
ANNIBAL MENDES GONÇALVES NETO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 24/01/2007

Referente ao artigo acima, alguem poderia informar a analisa americana, que as floradas são em setembro e não em janeiro.
Alemar Braga Rena
ALEMAR BRAGA RENA

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 24/01/2007

Caros leitores,

Vocês devem se lembrar do que escrevi neste e outros espaços:

"Pobre do cafeicultor brasileiro, que se encontra nas mãos dos abutres nacionais e internacionais de plantão. Eles são a pior praga, ou doença, como queira, do cafeeiro". Tenho dito...

Meus pêsames,

Rena