Nas principais regiões produtoras do país, a florada está permitindo belas fotografias para os agricultores. No entanto, quem tem um pouco mais de experiência na cafeicultura sabe que uma grande quantidade de flores na lavoura indica que ela possui menos folhas, o que é prejudicial para a produção final.
Foto: Produtor Claudio Barbosa
Segundo o presidente da Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas (Cocapec), Mauricio Miarelli, a região da Alta Mogiana, em São Paulo, teve uma florada exuberante esse ano, indicando condições adversas na lavoura e uma produção incerta para a safra de 2018: "não temos capacidade hoje de fazer uma avaliação da safra. O que eu posso dizer é que ela será menor do que pensávamos", disse em entrevista ao portal Notícias Agrícolas.
A visão do especialista está relacionada ao fato de, no município brasileiro, ter chovido muito abaixo da média, com temperaturas altas em agosto e setembro que ocasionaram o estresse hídrico da planta: "tenho grandes incertezas com relação a safra na Alta Mogiana no ano que vem. Que vai ter queda de produção eu não tenho dúvida, difícil é calcular o prejuízo. Acho que só será possível ter uma visão mais precisa do ciclo no mês de fevereiro", explicou Miarelli.
Neste momento as temperaturas estão agradáveis na região da Alta Mogiana, mas as chuvas continuam irregulares, deixando toda a cadeia produtiva do café apreensiva. Segundo o presidente, o que está complicando agora são as infestações das pragas nas lavouras, especialmente o bicho-mineiro, que se desenvolve justamente na seca.
"Para essa época do ano isso não é normal e piora a perspectiva para a produção de café do ano que vem. Antes acreditávamos em algo em torno de 3 milhões de sacas, o que era uma previsão muito boa, mas agora talvez a gente chegue em 2,5 milhões", disse.
Comercialização do café
Muitos produtores que visitaram a Semana Internacional do Café (SIC), que aconteceu em outubro deste ano, no Expominas, em Belo Horizonte, Minas Gerais, relataram suas incertezas sobre vender ou não vender o café pelos preços sugeridos no mercado. Outros tantos cafeicultores afirmaram, também, que estão comercializando o produto apenas para cumprir com o necessário.
Para o presidente da Cocapec, a tomada de decisão é mesmo difícil, ainda mais com os preços muito aquém dos praticados em 2016: "se tivéssemos com a perspectiva de colher uma bela safra em 2018 talvez a situação fosse outra, mesmo com os preços mais reprimidos", disse ele, concluindo: "o clima faz parte do nosso negócio. Essas incertezas sempre tiveram conosco e é por isso que é tão difícil decidir sobre a comercialização do café".