Apesar disso, as cotações seguem abaixo dos custos de produção. Considerando o mesmo período do ano passado, a variação foi, em média, 14% negativa. No acumulado do ano, os preços estão cerca de 20% mais baixos.
Levantamento do Conselho Nacional do Café (CNC) realizado junto a seus associados mostra que em julho as maiores quedas nos preços do café arábica ocorreram nas regiões da Alta Mogiana, em São Paulo, e no Cerrado mineiro, com variação de cerca de 3% na comparação com junho (tabela 1).
No caso do grão robusta, houve leve alta de 1%. As instituições que compõem o CNC abrangem quase 70 mil produtores e respondem por mais de 40% da safra nacional de café.

Fonte: Filiados do CNC
Tabela 1 - Variação do preço do café (em %), média julho/06 versus média julho/05.
"O preço chegou ao fundo do poço. O mercado achou um piso", explica Anselmo Magno de Paula, gerente do Departamento de Café da Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas (Cocapec). Além disso, segundo ele, alguns produtores têm recursos para segurar a safra.
O presidente do CNC, Maurício Miarelli, diz que apesar de metade da safra já ter sido colhida, a comercialização ainda não avançou. "Os cafeicultores estão esperando preços mais remuneradores", diz. Ele acrescenta que a estiagem já está comprometendo a lavoura em diversos locais do País, podendo provocar perdas na próxima safra, que naturalmente já seria menor que a atual. "Diante desse quadro, o cafeicultor não pode vender a preços abaixo do custo de produção porque nem sabe se no ano que vem terá safra", avalia o presidente do CNC.
Segundo Miarelli, o setor está empenhado em garantir ao produtor mecanismos de apoio à comercialização, que permitam o escalonamento da safra.
No mês de julho, o preço médio praticado para o café tipo 6 arábica ficou entre R$ 208 e R$ 220 a saca (60 quilos), no Sul de Minas Gerais, região que responde por 25% da safra nacional. Ali o custo de produção é de cerca de R$ 230 a saca, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O valor praticado em julho foi em média 1,8% mais baixo do que em junho e 14,1% inferior ao mesmo período do ano passado. No estado de São Paulo, os preços mantiveram-se estáveis em julho na região da Alta Paulista, com leve variação na Baixa Mogiana (1,1% inferiores a junho) e com queda de 3,4% na Alta Mogiana.
"Uma procura maior pelo café arábica e saída de grandes compradores do mercado no mês passado explicam o movimento diferenciado para o café robusta", diz Antônio Joaquim de Souza Neto, presidente da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel). No Espírito Santo, os preços praticados foram 1% superiores a junho e 2,3% maiores do que no mesmo período do ano passado.
As informações são da Assessoria de Imprensa do CNC.