Leitor comenta: existe demanda por cafés "Naturais"?

O leitor Pedro Paulo de Faria Ronca, de Ribeirão Preto, SP, pergunta a Ensei Neto, autor do artigo "O natural, o CD e os cafés do Brasil", se existe demanda crescente ou decrescente por cafés ´Naturais´ no Brasil e no Mundo. Pergunta também como conseguir um bom natural sem separar o verde do cereja.

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O leitor Pedro Paulo de Faria Ronca, de Ribeirão Preto, SP, pergunta a Ensei Neto, autor do artigo "O natural, o CD e os cafés do Brasil" sobre a demanda por cafés naturais. Pergunta também como conseguir um bom natural sem separar o verde do cereja.

Pedro Paulo é engenheiro agrônomo e consultor da Via Verde Consultoria em Sistemas Tropicais. É colunista do CaféPoint e escreve para a seção "Manejo da Lavoura". Além disso, também ministra a palestra online "Manejo sustentável na cafeicultura". Leia trechos da carta a seguir:

Caro Ensei,

Será que existe demanda crescente ou decrescente por cafés 'Naturais' no Brasil e no Mundo?

Temos visto muito empresas como Illy preferirem o CD. Mas será que eles preferem o CD por ter melhor padrão ou por ser CD mesmo? Será que se fizermos naturais de excelente qualidade não teremos demanda para isso?

A dificuldade de fazer o 'Natural' de qualidade é conseguir um bom ponto de maturação. O descascador é no fundo um separador de verdes. Como conseguir um bom natural sem separar o verde do cereja?

Olá Pedro,

Há uma certa confusão no mercado sobre o CD e sua demanda. Na realidade, trata-se de um processo de pós-colheita e secagem e que deve ser empregado, principalmente, em função das condições climáticas de uma dada origem.

O mercado tem demanda para cafés de alta qualidade sim, que independe do seu processo de pós-colheita. O que determina valor para o café é o seu perfil sensorial. Excelentes 'Naturais' foram negociados a valores elevados em função do seu perfil sensorial correto a um determinado comprador. Esta é a lógica.

A diferença básica em relação ao 'Natural' é o fato de que você descasca através de uma ação mecânica, permitindo, assim, retirar os verdes, mas não os imaturos. Portanto, apenas uma fração é eliminada, melhorando mesmo assim, o resultado final.

Sua assertiva está correta: o descascador é um separador de verdes como princípio de método de preparo.

O verde no 'Natural' não é tão difícil de separar nos processo de rebenefício, tanto na eletrônica (seleção por cor) quanto na densimétrica. É mais questão de competência do operador das máquinas de rebenefício.

O problema de separação de imaturos é o mesmo nos dois processos.

O processo de secagem é mais rápido no CD, além de ocupar menor espaço com os grãos de café. No entanto, há que se pensar no uso da água, sua reciclagem, além de como usar a casca para compostagem, por exemplo. Cada caso tem problemas e soluções diferentes e que devem ser pesadas antes de sua utilização.

Leia a carta de Pedro Paulo de Faria Ronca com a resposta de Ensei Neto na íntegra.

Rodrigo Cascalles, Equipe CaféPoint.
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Bruno Souza
BRUNO SOUZA

EM 25/07/2007

Caro Pedro,

Ate o ano 2000 a Illy não aceitava que lotes de CD participassem do concurso que organiza anualmente. Em conversa com o Dr Aldir Teixeira, durante um encontro de café em Patrocínio, ele me disse que a Illy estaria preferindo o CD porque o produtor não estava fazendo um bom trabalho nos ´Naturais´.

Existe sim demanda para ´Naturais´ de qualidade, principalmente junto aos pequenos torradores de café especial, que usam os ´Naturais´ com intenso sabor frutado como "single origin", além de destacarem a importância do corpo e doçura em seus blends.

Para que se possa produzir a qualidade desejada pelo mercado, é muito importante saber a diferença entre ´bóia´ e o ´Natural´, além de conseguir controlar o processo de fermentação durante a seca, principalmente nos dois primeiros dias no terreiro.