Uma nova variedade de café conilon, chamada de "Marilândia ES8143" quer revolucionar o cultivo da espécie no Brasil. Comparada às plantas atuais, ela é mais resistente à seca e a altas temperaturas, resultando em uma colheita com pouca variação anual, mesmo em períodos de estiagem, e tem produção 17% maior que as variedades existentes.
Foto: Alexia Santi/Agência Ophelia
Foram mais de 30 anos de estudos até chegar à nova variedade, chamada de "Marilândia ES8143" em homenagem à cidade do Espírito Santo. O resultado final foi obtido após a análise de mil plantas diferentes em três municípios que representam a diversidade dos relevos do estado: Marilândia, Sooretama e Cachoeiro de Itapemirim.
Segundo o coordenador do Programa Estadual de Cafeicultura, Romário Gava Ferrão, o processo gerou uma variedade formada por 12 clones com tolerância à seca: "A planta tem alta produtividade em condição de seca ou com irrigação e estabilidade de produção, diferente do que ocorre nas variedades que temos. Além disso, tem tolerância à ferrugem, qualidade da bebida superior e bom rendimento de beneficiamento", explicou Ferrão.
De acordo com o pesquisador e desenvolvedor do jardim clonal (onde se desenvolvem os clones), Paulo Sérgio Volpi, antigamente o processo de produção da muda até a primeira colheita demorava 5 anos, mas agora leva, no máximo, 3 anos e meio: "era preciso esperar 2 anos para retirar a estaca e começar a fazer muda. Agora serão apenas sete meses", disse.
Para retirar o material para fazer as mudas, as estacas, os viveristas precisam se cadastrar nos escritórios do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) na semana seguinte ao lançamento, que será na próxima sexta-feira (17).