Andrea Illy diz que agricultura regenerativa virou prática geral em Minas Gerais

Durante as comemorações dos 35 anos do Prêmio Ernesto Illy no Brasil, o empresário italiano destacou a expansão da agricultura regenerativa, o avanço de novas áreas cafeeiras e a capacidade do país de enfrentar a crise climática, embora veja um cenário global ainda cercado de incertezas

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Por Cristiana Couto

Horas antes de conduzir a tradicional premiação anual dos melhores grãos brasileiros que compõem os produtos da illycaffè, Andrea Illy, presidente da torrefadora italiana, comemorou durante coletiva de imprensa realizada em São Paulo, na quinta-feira (7): “A agricultura regenerativa, em menos de 10 anos, se tornou universal, pelo menos em Minas”.

A reflexão do empresário sobre a cafeicultura brasileira – a partir de Minas Gerais e de São Paulo, de onde sai boa parte do café verde nacional usado pela marca –, provocada pela reportagem da Espresso no encontro com os jornalistas, foi feita na esteira do aniversário do Prêmio Illy de Qualidade Sustentável do Café para Espresso, que teve sua 35ª edição no país em que foi criado (e que hoje também acontece em mais nove países). 

Figura 1
Andrea Illy

A Minas Gerais a que ele se referiu é, precisamente, regiões do Sul de Minas, Cerrado Mineiro e Matas de Minas. Segundo Illy, a agricultura regenerativa trouxe benefícios aos produtores de todas as ordens — qualidade, lucro e produtividade —, além da resiliência à crise climática, tema que percorreu sua fala, entre perguntas de cunho econômico e geopolítico. 

O empresário também destacou a crescente adoção da compostagem de resíduos e da produção de biocompostos, referidos por ele em português como “compostos”: “A produção de compostos agora, é uma prática quase geral, pelo menos em Minas, o que permite baixar muito o custo de insumos”.

“O futuro do café depende diretamente da saúde do solo e da capacidade de tornar os sistemas produtivos mais resilientes”, ensina ele, que desde os anos 2000 investe em sustentabilidade.

Quanto ao cenário global, Andrea Illy é enfático ao alertar para um “risco climático estrutural”, que, ao lado dos preços elevados, gera um cenário “delicado” e sujeito a crises de preços. 

Considerado por ele um modelo global de produção de café, o Brasil tem vantagens e desafios. “A vantagem estratégica do Brasil é que há produção de café em diferentes estados, com diferentes climas, e um pode compensar o outro. O desafio é a consistência [de qualidade] ao longo do tempo”, acredita. 

Mas os cafés menos atingidos pelas mudanças do clima são, para ele, os de qualidade – que perfazem apenas 2% do mercado mundial. “Muitas vezes, as áreas produtivas para os cafés de alta qualidade, com maior altitude, são as mais protegidas. Consequentemente, o risco é menor”, avalia Illy.

Ainda sobre o desenvolvimento das regiões brasileiras de café que visita anualmente há mais de 30 anos, o empresário afirmou ter observado investimentos em novas variedades e visitado novas áreas produtoras no interior do estado mineiro. “Nós observamos o maior número de sequências de preços mais altos e mais atrativos para crescer a produção. Tem mais gente investindo, cultivando novas plantas", comenta. “No interior de Minas Gerais, tem novas áreas que estão crescendo de maneira dinâmica, como o triângulo [Mineiro], que visitamos agora também”, completa ele.

Illy também concordou com o comentário de Anna Illy, presidente da Fundação Ernesto Illy e membro do Conselho Administrativo da illycaffè, que participou da coletiva, sobre o aumento da permanência de jovens nas fazendas de café.

Em meio aos preços historicamente elevados do café e à instabilidade climática global, Andrea Illy afirmou que o setor ainda convive com incertezas capazes de sustentar a volatilidade do mercado, mesmo diante da expectativa de uma safra maior. Segundo ele, há mais de 90% de probabilidade de formação de um “super El Niño” no segundo semestre. “Ninguém pode prever os efeitos”, disse. “Esses elementos representam pontos de interrogação para a produção futura e para o mercado”, ressaltou. O executivo ponderou, porém, que episódios anteriores do fenômeno climático não impediram uma boa produção brasileira.

Ainda assim, Illy avalia que “o custo do café este ano será maior do que a média do ano passado, mas a rentabilidade [da illycaffè] deve ser normalizada”.

Os vencedores do prêmio da illycaffè

Nesta edição, Minas Gerais destacou-se mais uma vez ao conquistar os três primeiros lugares entre os 40 finalistas selecionados pela comissão julgadora, formada por especialistas nacionais e internacionais da illycaffè. 

Figura 2
Vencedores do 35º Prêmio Ernesto Illy de Qualidade Sustentável do Café para Espresso e executivos da illycaffè

Agro Fonte Alta (Sul de Minas), Raimundo Dimas Santana Filho (Matas de Minas) e São Mateus Agropecuária (Cerrado Mineiro) receberam prêmios de R$ 10 mil cada e garantiram vaga na disputa do 11º Prêmio Internacional de Café Ernesto Illy, que será realizado no segundo semestre, ainda sem local definido.

A classificação final entre primeiro, segundo e terceiro lugares será anunciada durante a premiação internacional.

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Material escrito por:

Equipe CaféPoint

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe CaféPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.