No total, foram vendidas cerca de 13,69 milhões de sacas, contra 13,38 milhões no mesmo período do ano anterior. O aumento representa um alívio para o setor, revertendo em parte a queda de 5,4% no consumo registrado no mesmo período em 2025.
O crescimento é puxado por um salto de 4,65% nas vendas acumuladas durante o segundo quadrimestre, com um total de cerca de 7 milhões de sacas, confirmando uma tendência que se mostrava mais tímida no início do ano. Nos primeiros quatro meses, de janeiro a abril, o acumulado foi de 2,44%.
A alta representa uma resposta direta à redução dos preços no varejo, diz o presidente da ABIC, Pavel Cardoso. “Desde janeiro, quando se avizinhava a expectativa de uma safra muito grande, as cotações vieram abaixo, tanto de arábica quanto de conilon robusta. E as indústrias, naturalmente, transferiram esses preços para o varejo”, afirma.
O preço médio caiu em todas as categorias, de acordo com a associação, com destaque para o tradicional/extraforte, que despencou 21,22%, de R$ 62,83 para R$ 49,5 por quilo, e para o solúvel, com uma mudança de R$ 252,36 para R$ 203,64/kg, queda de 19,31%. A ABIC também indica uma melhora no abastecimento tanto da variedade arábica quanto canéfora, saindo da categoria “oferta seletiva” para a “normalidade” no final de maio de 2026.
Primeiro tombo anual desde 2022, em 2025 o café havia sido afetado pela alta dos preços e por problemas na oferta global. Apesar da queda nas vendas, o faturamento da indústria de café torrado — formada por cerca de 1.050 empresas no país — alcançou R$ 46,24 bilhões em 2025, uma alta de 25,6% frente a 2024.
Até agora, em 2026, o maior crescimento nas vendas se deu em julho, que registrou alta de 5,8% na comparação com o mês anterior. O movimento, de acordo com o boletim da ABIC, acompanha uma tendência histórica do período, em que há um consumo maior por conta da chegada do inverno e da queda das temperaturas.
“Sabendo que nós temos um El Niño bastante impactante e com indícios de asseveramento no último trimestre, a indústria observa com bastante cautela o comportamento desses próximos quatro meses”, comenta Cardoso. Segundo ele, podem ser necessários ajustes em caso de volatilidade no último quadrimestre do ano, mas a expectativa é de crescimento contínuo nas vendas.