Quênia reúne degustadores em novembro para criar mapa dos sabores dos cafés do país

Encontro em Nairóbi prevê avaliar cerca de 500 amostras de 34 estados; previsto para 2027, o atlas vai relacionar perfis sensoriais, origens e métodos de produção

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Provadores de café do Quênia e de vários países vão se reunir em Nairóbi, entre 15 e 16 de novembro, para avaliar grãos que vão compor o Kenya Coffee Flavor Map, um mapa dos sabores do café do país. A atividade integra o evento Kenya Coffee Flavor & Origin Expo, que começa no dia 14 e segue até o dia 16 no Shamba Events Centre, na capital. A organização pretende reunir 300 avaliadores para provar em torno de 500 amostras de cafés arábica de 34 condados produtores (semelhantes aos estados brasileiros).

Com lançamento previsto para o ano que vem e acesso gratuito, o atlas vai contar com mapas, perfis sensoriais por região produtora e uma base de dados de aromas e sabores. O objetivo é relacionar características da bebida a variedades da espécie, ambientes de cultivo e métodos de produção, reunindo essas informações para a consulta de produtores, cooperativas, compradores, torrefadores e consumidores.

A feira é promovida pelo Coffee Board of Kenya, órgão público responsável pela regulação e pelo desenvolvimento do setor cafeeiro, pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no país e pela Kenya Coffee Platform, fórum que reúne representantes dos setores público e privado da cadeia do café. A Torch Coffee Kenya, operação queniana da empresa internacional de processamento, análise sensorial e formação profissional, é a parceira técnica do mapa, desenvolvido com a participação de pesquisadores, produtores e profissionais quenianos. Segundo os organizadores, a iniciativa também conta com a parceria da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO).

O projeto aproveita a experiência de quatro edições do Yunnan Coffee Flavor Map, um mapeamento dos perfis sensoriais dos cafés cultivados na província chinesa de Yunnan, realizadas pela Torch na China entre 2021 e 2024. No Quênia, cada amostra será avaliada às cegas por diferentes degustadores, e suas características sensoriais serão cruzadas com informações geográficas, ambientais e de produção fornecidas por produtores, cooperativas e parceiros locais de cada região.

Embora o país seja reconhecido internacionalmente pela qualidade de seus cafés, ainda faltam informações abrangentes que conectem essa diversidade de produtos às condições de cada origem. O mapa pretende, assim, ajudar os produtores a comunicar essas diferenças e ampliar seu acesso a mercados de maior valor.

Além das avaliações de profissionais, a programação da feira terá uma conferência sobre produção, qualidade e mercado, espaços de negócios e atividades abertas ao público. Durante o evento, a FAO também irá apresentar resultados de outro levantamento, sobre a adequação de clima e solo ao cultivo de arábica no Quênia.

Do campo ao consumo

Antes da chegada das lavouras de arábica, o território queniano já abrigava uma de suas espécies ancestrais. O país integra a área em que ocorre naturalmente o Coffea eugenioides – um dos “pais” do café arábica (o outro é o Coffea canephora). Plantios de arábica feitos por missionários europeus são documentados desde 1893. A expansão comercial da cultura ocorreu sob o domínio colonial britânico: o Reino Unido estabeleceu um protetorado na região em 1895 e a transformou em colônia em 1920.

Nos anos 1930, a seleção de determinadas variedades ajudou a construir a identidade dos cafés quenianos. Novas cultivares vieram décadas depois, desenvolvidas com resistência a doenças. O país reúne mais de 800 mil pequenos cafeicultores, segundo a FAO. Em 2024/25, produziu 51,4 mil toneladas de café, das quais cerca de 72% vieram de cooperativas, segundo os dados mais recentes do instituto nacional de estatística (KNBS).

De acordo com a OIC (Organização Internacional do Café), em 2025, o Quênia exportou cerca de 956 mil sacas. A reputação internacional dos cafés, porém, contrasta com sua relevância no mercado interno – o país tem forte tradição no consumo de chá. Na última década, a expansão de torrefações e cafeterias dedicadas à grãos de qualidade vem ampliando o contato dos quenianos com os cafés produzidos no país, segundo os organizadores do evento.

O anuário estatístico de 2025 da Agriculture and Food Authority (AFA), órgão público queniano ligado ao setor agrícola, retrata o crescimento do consumo interno. Entre 2019/20 e 2023/24, ele passou de de 1.577 toneladas (26.283 sacas) para 2.062 toneladas (34.367 sacas) – alta de 30,8% no intervalo de quatro anos. A entidade associa o avanço a ações de promoção em universidades, feiras e atividades voltadas aos jovens.

É nesse encontro entre uma origem consagrada e um mercado consumidor em formação que o Kenya Coffee Flavor Map pretende atuar. Além de apoiar as exportações, a proposta é dar a produtores, torrefadores e cafeterias informações para apresentar a diversidade do café queniano também dentro do país.

Kenya Coffee Flavor & Origin Expo
Quando: 14 a 16 de novembro de 2026 (avaliação profissional dos cafés nos dias 15 e 16)
Onde: Shamba Events Centre, Loresho, Nairóbi, Quênia
Informações: https://coffeeflavormap.com

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Equipe CaféPoint

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