Com preço baixo, cafeicultores seguram produção
Com os preços do café em queda, os produtores estão retendo a safra. Segundo o consultor de vendas da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocaccer), Belchior dos Reis Machado, o volume de comercialização está 30% menor que no mesmo período do ano passado.
Publicado por: CaféPoint
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"O câmbio puxou o preço para baixo e há um movimento especulativo muito forte, em torno da real quantidade dos estoques brasileiros, mantendo os preços em queda", considerou o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC) e da Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas (Coocapec), Maurício Miarelli.
Na última quarta-feira, 14, o indicador de preços do arábica fechou a R$ 249,85 por saca de 60 quilos, registrando queda de 0,54% sobre o dia anterior e queda de 15% em relação a média dos preços praticados nas primeiras semanas de 2007, quando era negociado por cerca de R$ 290 a saca.
Segundo o consultor de vendas da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocaccer), Belchior dos Reis Machado, o volume de comercialização está 30% menor que no mesmo período do ano passado. "Pela primeira iremos armazenar café de duas safras diferentes. Com a manutenção dos preços no patamar atual não iremos vender esse café até a colheita da próxima safra", avisou.
Os preços do produto na região da Alta Mogiana também tiveram uma queda acentuada nas últimas semanas, recuando 15% desde o início do ano.
Na Coocapec os produtores estão vendendo apenas o suficiente para pagar os custos da próxima safra, que deverá ser 40% menor. "Com pouco café, o custo de produção aumenta muito, além da possibilidade de problemas ligados a condições climáticas. Tudo isso faz com que o produtor retenha ao máximo o produto", ressaltou Miarelli.
Mas, segundo o Cepea, não há razões para o mercado criar grandes expectativas de mudanças ou de recuperação dos preços, no curto prazo. Diante disso e tendo em vista a tendência de manutenção do câmbio valorizado, a reação do preço do café em reais só terá alguma alteração significativa se houver uma forte demanda dos exportadores e torrefadores nacionais aliada à retração da oferta por parte dos cafeicultores.
Mesmo assim, na opinião de Miarelli, o produtor irá segurar ao máximo seus estoques e não deve passar os meses de inverno sem o produto nas mãos. "O mercado não está acreditando que irá faltar café, mas os produtores não irão iniciar as vendas em meio a incertezas e especulações", afirmou.
As informações são de reportagem de Priscila Machado, do Diário do Comércio e Indústria/SP.
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