Cepea: preço do café tende a subir
Não será difícil para o produtor que tenha arrematado o prêmio de R$ 39,99/sc do primeiro leilão do Pepro conseguir vender a saca a R$ 260,00/sc até junho de 2008, considerando que a oferta de café nesta temporada (2007/08) é bastante apertada para abastecer as demandas interna e externa e que os estoques são baixos. Já o mercado de café robusta, esteve firme em junho, sustentado pela baixa oferta prevista para a temporada 2007/08, tanto no Brasil como no Vietnã.
Publicado por: CaféPoint
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No início do ano, projeções indicavam que o país precisaria apresentar uma oferta de 46,4 milhões de sacas em 2007: 17,4 milhões para atender o mercado interno, conforme projeções Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e 29 milhões para o externo, considerando a previsão de um aumento na demanda mundial de 5% da Organização Internacional do Café (OIC).
No entanto, a produção brasileira na temporada 2007/08 deverá ser de 32,065 milhões de sacas, conforme estimativas da Conab e os estoques de passagem giram em torno de 20 milhões de sacas. De acordo com o Cepea, uma das leituras é que a competição entre as torrefadoras nacionais e os exportadores vai crescer neste ano na compra do grão e, assim, manterá atrativos os preços ao produtor, o que poderá dar espaço para que negocie seu grão acima de R$ 260,00/sc para conseguir o prêmio.
Desde fevereiro deste ano, os preços do café arábica vinham registrando quedas, mesmo com a expectativa de oferta bastante apertada na safra 2007/08. O que pressionava os valores era o volume de café ainda disponível da temporada 2006/07.
Em junho, a realização dos leilões de Pepro, que faz com que cafeicultores negociem em torno de R$ 300,00/sc, deu o tom altista ao mercado. O Indicador Cepea/Esalq do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve média de R$ 240,80/sc em junho, alta de 3,7% sobre o mês anterior.
Mercado Robusta
Já o mercado de café robusta, segundo a análise, esteve firme em junho, sustentado pela baixa oferta prevista para a temporada 2007/08, tanto no Brasil como no Vietnã, maior produtor mundial da variedade. Além do aumento da demanda por parte de indústrias torrefadoras, estimativas do Vietnã apontam que a produção da safra 2007/08 pode diminuir de 5% a 10% em relação às 17,5 milhões de sacas estimadas recentemente. Isso porque, como a safra anterior foi recorde, de 15 milhões de sacas, as árvores não têm capacidade de produzir uma nova temporada de maior proporção.
Além da possível redução de safra, o Vietnã enfrenta problemas também de qualidade do produto, que estaria sendo rejeitado em alguns portos na Europa. Conforme relatório da Organização Internacional do Café (OIC), a baixa qualidade do produto vietnamita pode estar atrelada ao clima adverso naquele país. Caso esses problemas persistam, o Brasil pode conquistar mercados consumidores dessa variedade.
Na bolsa de Londres (Euronext.Liffe), os contratos de café robusta atingiram, em junho, o maior patamar em nove anos. Quanto à colheita do robusta no Brasil, pelo menos 80% da produção no Espírito Santo, maior produtor da variedade no Brasil, já havia sido colhida até a última semana de junho. Em Rondônia, outro estado produtor de robusta, a colheita estava praticamente encerrada.
Com os futuros do robusta em alta, resultado da oferta restrita na safra 2007/08, os preços do grão subiram no físico brasileiro. O robusta tipo 6, peneira 13 acima - variedade ainda pouco exportada devido à baixa cotação do dólar - teve média de R$ 203,00/sc, a retirar da origem (ES), aumento de 7,16% sobre a média de maio, conforme o Indicador Cepea/Esalq. O bica corrida tipo 7/8, bica corrida, foi negociado a R$ 198,05/sc no mês, reação de 7,15% no período. Indústrias torrefadoras foram as principais compradoras do robusta;exportadores também elevaram o volume embarcado.
As informações são Cepea/Esalq/USP.
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