Cafeicultores arrendam terras para usinas de cana
Nem o tradicional café de Altinópolis (SP) está escapando do avanço da cana-de-açúcar. Com isso, a safra que começa neste mês deve ser 75% menor que no ano passado.
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"Como o café é uma cultura bienal, é normal uma quebra de até 40% no ano fraco. Mas, nesta safra, tivemos problemas climáticos e principalmente o avanço da cana", explicou o presidente da entidade, João Abrão Filho.
Antes da cana, Altinópolis plantava 12 mil hectares de café. Hoje os cafezais estão em 9 mil hectares.
E não será diferente com o próprio João Abrão. "Neste ano já tenho certeza de que em 25% das minhas terras não vou colocar café. Vou plantar qualquer coisa lá, menos café. E há 90% de chances de eu colocar cana", disse. "Não queria, mas preciso de uma renda paralela", justificou.
E há fazendas inteiras trocando o cafezal pelo canavial porque o café é uma cultura mais delicada, sujeita a perdas significativas caso o clima seja desfavorável.
Sem contar que no ano passado os cafeicultores foram prejudicados com as chuvas irregulares e hoje enfrentam o dólar fraco. Segundo o presidente do Sinral, a saca de café na safra deste ano, mesmo com a queda da produção, deve render de R$ 350,00 a R$ 400,00 somente; pouco para repor os gastos durante o processo.
Com tantas dificuldades, a tentação de arrendar as terras é cada vez maior. Nos cálculos de João Abrão, as usinas pagam R$ 2.400,00 por alqueire/ano ao fazendeiro que quiser arrendar suas terras. E esse é um ganho certo, sem riscos e sem trabalho, já que as usinas vêm e fazem adubação, cultivo e colheita da área.
"A cana só não está entrando mais rápido porque o produtor tem amor ao café. Ele sempre quer esperar o próximo ano, tem esperança que a situação melhore", disse em reportagem de Adriano Quadrado, do jornal A Cidade/SP.
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VARGEM ALTA - ESPÍRITO SANTO
EM 04/05/2007
Do modo como anda as coisas, "VAMOS TER MUITO AÇÚCAR PARA POUCO CAFÉ!"
Um abraço!!!