Boletim Carvalhaes: mercado reage após remoção do tarifaço, mas segue pressionado

A valorização do dólar, a divulgação da nova estimativa de safra da Conab e as preocupações com oferta global mantiveram a volatilidade nas bolsas de NY e Londres, enquanto projeções recordes para o VBP de 2025 reforçam o peso econômico da cafeicultura brasileira

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Tivemos uma semana mais calma no mercado de café. Na última sexta (5), uma forte alta do dólar frente ao real contribuiu com a queda das cotações do arábica na ICE Future US, em NY. Na ICE Europe, em Londres, os contratos de robusta para janeiro próximo fecharam o dia com pequena queda e, nos demais meses de vencimento, encerraram a sexta com perdas mais fortes.

Ainda no dia 5, o real enfrentou forte desvalorização após a confirmação da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência. O dólar chegou a encostar em R$ 5,48 ao ser duramente afetado pelo temor do mercado de uma divisão na direita na eleição presidencial do próximo ano (fonte: jornal Valor Econômico), e fechou o dia a R$ 5,4330, em alta de 2,32%.

Na quinta (4), a Conab divulgou seu último levantamento da safra brasileira de café referente à 2025. Segundo a estatal, o país produziu 56,5 milhões de sacas de 60 kg. Com a colheita concluída, o volume é 4,3% maior do que o observado na temporada passada. A produção de arábica foi de 35,76 milhões de sacas, queda de 9,7% em relação ao ano passado. O conilon, por outro lado, apresentou um “aumento expressivo” no atual ciclo: foram 20,8 milhões de sacas produzidas, 42,1% a mais do que em 2024, totalizando 56,5 milhões. (veja mais informações no Clipping de nosso site).

Pelos números divulgados pela Conab, se retirarmos 21 milhões de sacas para o consumo interno brasileiro, restarão 35,5 milhões de sacas para as exportações brasileiras de café em nosso ano-safra 2025/2026 (julho de 2025 a junho de 2026).

O Valor Bruto da Produção (VBP) dos Cafés do Brasil para o ano-cafeeiro de 2025 deve alcançar R$ 114,86 bilhões. As estimativas são do Observatório do Café, a partir do relatório do VBP elaborado mensalmente pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil. O montante representa uma alta expressiva de 46,2% em relação ao recorde anterior (de 2024), quando o setor movimentou R$ 78,55 bilhões. “Caso confirmado, será o maior faturamento já registrado pela cafeicultura brasileira”, destaca o Boletim Carvalhaes.

Segundo o levantamento, o resultado é impulsionado tanto pelo arábica quanto pelo canéfora (robusta e conilon). Para 2025, o VBP do arábica está estimado em R$ 82,96 bilhões – avanço de 45,8% frente aos R$ 56,88 bilhões do ano anterior. Com isso, a espécie deve responder por 72,2% da receita total do setor. Já o canéfora também apresenta forte expansão. A projeção para 2025 soma R$ 31,89 bilhões – alta de 47,2% ante os R$ 21,66 bilhões movimentados em 2024. Assim, o robusta/conilon deve representar 27,8% do faturamento nacional (Agro Estadão).

“Em nossa opinião, os fundamentos do mercado de café permanecem os mesmos: as incertezas climáticas seguem afetando a produção de café no Brasil e nos principais países produtores, e os baixos estoques globais, com o Brasil – maior produtor e exportador mundial, além de segundo maior consumidor – sem estoques remanescentes, tendo colhido em 2025 uma safra menor do que a projetada inicialmente. Além desse quadro, nossas regiões produtoras de café já sofreram, em 2025, com diversos problemas climáticos, diminuindo as expectativas com nossa produção de café em 2026”, escreveu o informativo.

Contratos de arábica

Na sexta (5), os contratos de arábica com vencimento em março próximo na ICE Futures US oscilaram 515 pontos entre a máxima e a mínima. Bateram US$ 3,7840 na máxima do dia, em queda de 210 pontos. Na quinta (4) subiram 805 pontos (2,16%) e na quarta (3) recuaram 100 pontos (0,27%). Em 2025, até o fechamento desta sexta (5), estes contratos para dezembro próximo somam alta de 9.560 pontos (34,23%).

Contratos de robusta

Ainda de acordo com o boletim, na ICE Europe, os contratos para janeiro próximo bateram, na máxima de sexta (5), em US$ 4.317 por tonelada – alta de US$ 15. Fecharam o pregão valendo US$ 4.295, em queda de US$ 7. Na quinta (4), caíram US$ 13 e na quarta (3) recuaram US$ 36. Somaram alta de 25 pontos em novembro e, no último mês de outubro, subiram US$ 354 (8,46%).

Contratos futuros em R$

Em reais por saca, os contratos para março próximo na ICE Futures US fecharam a sexta (5) valendo R$ 2.693,96. Encerraram a sexta anterior (28) a R$ 2.690,18 e a sexta anterior à ela (21) a R$ 2.640.

Mercado físico brasileiro

Segundo o informativo, tivemos uma semana mais calma, com as bases de preços dos compradores oscilando pouco. Saíram negócios, mas os produtores não mostraram grande disposição de venda nas bases oferecidas pelos compradores, vendendo o necessário para fazer “caixa” para cumprir compromissos mais próximos. Há grande interesse comprador para todos os padrões de café.

Embarques

Até dia 5, os embarques de dezembro estavam em 111.246 sacas de arábica, 12.146 sacas de conilon, mais 4.902 sacas de solúvel, totalizando 128.294 sacas embarcadas, contra 426.257 sacas no mesmo dia de novembro. 

Até o mesmo dia 5, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em dezembro totalizavam 743.860 sacas, contra 867.003 sacas no mesmo dia do mês anterior.

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Escritório Carvalhaes

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