Analistas comentam PIB da agropecuária

Analistas citados em matéria de Neila Baldi e Fabiana Batista, para a Gazeta Mercantil avaliaram os resultados do PIB da agropecuária em 2006.

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Analistas citados em matéria de Neila Baldi e Fabiana Batista, para a Gazeta Mercantil avaliaram os resultados do PIB da agropecuária em 2006.

Para o economista Fábio Silveira, da RC Consultores, o crescimento de 4,1% foi resultado do bom desempenho das lavouras permanentes, entre as quais a cana-de-açúcar, a laranja e o café, juntamente com o aumento da produção da pecuária, mas, "Se não fosse o câmbio, o desempenho teria sido muito mais significativo."

Alexandre Mendonça de Barros, economista da MB Associados, afirmou que a metodologia de levantamento do PIB considerou a produção, que foi maior, em 2006, apesar dos preços mais baixos. Barros estima um crescimento semelhante para este ano e considera que o setor saiu do "fundo do poço", mas concorda com a reclamação de que a renda caiu, pois os preços estavam menores e o câmbio já estava neste movimento de valorização.

Ricardo Cotta Ferreira, superintendente técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, CNA, aponta discrepância entre o PIB da agropecuária divulgado pelo IBGE e a realidade, afirmando que "É impossível que a agropecuária tenha crescido em 2006. O ano foi péssimo para a atividade, pois os preços caíram 7,9%". Ele ressaltou que pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), em parceria com a CNA, apurou um PIB negativo de 2,12%.
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Jose Eduardo Ferreira da Silva
JOSE EDUARDO FERREIRA DA SILVA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS

EM 02/04/2007

No site do Cepea tem uma explicação para a diferença de cálculo no PIB agropecuário do IBGE e do Cepea/CNA. Veja a explicação abaixo:

"Os variados números do agronegócio: Causou surpresa para muitos que o IBGE, instituição encarregada do cálculo oficial do PIB no Brasil, divulgasse que o PIB da agropecuária houvesse crescido 3,2% em 2006, sendo o setor apontado como tendo um comportamento positivo, acima inclusive da média da economia brasileira, que cresceu 2,9%. Para entender as diferenças nos resultados das pesquisas das duas instituições é necessário informar que o IBGE reporta seus cálculos pelo critério de preços constantes. Isto significa que os cálculos são realizados entre dois anos consecutivos, ou seja, as produções de ambos são avaliadas a preços do primeiro ano. Nas estatísticas recentemente divulgadas, o IBGE estimou que o PIB da agropecuária de 2006 era 3,2% maior do que o PIB de 2005, ambos avaliados a preços de 2005. Trata-se de critério mundialmente utilizado que expressa a expansão ou retração do volume produzido em cada setor ou na economia como um todo. O Cepea, por outro lado, calcula o PIB da agropecuária e de outros segmentos do agronegócio avaliando as produções a preços reais, norteado pelo objetivo de avaliar a renda real dos setores envolvidos. O balanço entre as evoluções dos preços reais e das quantidades físicas produzidas ditará o sentido e a intensidade de variação do PIB".

Recentemente, também li em artigo da FGV que a taxa de câmbio permanecerá esta mesmo, independente da queda da taxa de juros.

Acho que o foco do discurso dos representantes do agronegócio deveria ser por uma melhoria incondicional da capacidade de competir. Aí, inclui-se redução da taxa de juros do crédito rural, melhoria da infra-estrutura (transporte multimodal, armazenamento, energia, telemática, etc). Também negociação internacional para abertura de mercados e redução de protecionismo, etc. Coisas que todos já sabem, mas que ficam abafadas pela monotonia do discurso câmbio/PIB/taxa Selic.