Sistema de aplicação de adubos via água de irrigação para mudas de café

Dispositivo desenvolvido em viveiro comercial permite realizar a fertirrigação de forma simples e rápida, facilitando o manejo nutricional de mudas de café, especialmente em estruturas de grande porte

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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As mudas de café são formadas em viveiros sob meia-sombra, condição que favorece seu desenvolvimento. Como as novas lavouras vêm sendo implantadas em espaçamentos que comportam, em geral, mais de 5.000 plantas por hectare, os viveiros de café costumam ser de grande porte.

Para a nutrição das mudas, utilizam-se inicialmente esterco e fertilizantes misturados à terra, no caso de mudas produzidas em sacolas plásticas. Quando são utilizados substratos artificiais, em bandejas ou paper pots, recomenda-se o uso de fertilizantes de liberação lenta.

Apesar dessa adubação básica incorporada aos substratos, é comum a necessidade de complementar a nutrição das mudas por meio de adubações de cobertura com nutrientes específicos, especialmente quando apresentam sintomas de deficiência ou desenvolvimento inadequado. Em viveiros de grande porte, esse trabalho precisa ser facilitado.

O objetivo da presente nota técnica é relatar o desenvolvimento de um dispositivo que permite realizar a adubação via água de irrigação de forma simples e rápida. O trabalho foi realizado em um viveiro comercial com 640 mil mudas, produzidas em bandejas de 32 células, localizado no município de Campo Alegre (GO).

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A irrigação do viveiro foi instalada por meio do bombeamento de água de uma represa, utilizando-se uma motobomba monofásica de 3 CV e uma adutora composta por tubos de 50 mm. A partir desses tubos, saem derivações com mangueiras de 3/4 de polegada, nas quais foram instalados microaspersores do tipo bailarina, espaçados a cada 3 x 3 metros. Essas mangueiras distribuem a água pelos canteiros de mudas do viveiro.

O dispositivo desenvolvido para permitir a adubação consistiu na instalação de uma caixa-d’água com capacidade para 1.000 litros, posicionada próxima à bomba. Na caixa, foi instalado um tubo de ligação, equipado com um registro para regulagem e acoplado à tubulação de recalque da bomba. Essa ligação termina no fundo da caixa, em uma cruzeta formada por tubos de 3/4 de polegada perfurados. Dessa forma, ao mesmo tempo em que a caixa é abastecida, o líquido é movimentado, promovendo a dissolução do fertilizante.

Na parte inferior da caixa, foi instalado internamente um tubo de saída com filtro de tela, conectado à tubulação de sucção da bomba. Por meio de um registro instalado nesse tubo, regula-se a quantidade de calda fertilizante que será injetada e, consequentemente, a dose de fertilizante aplicada às mudas. Como alternativa, também pode ser utilizado um tubo Venturi.

Verificou-se que o dispositivo desenvolvido promove boa dissolução do fertilizante na água, formando adequadamente a calda fertilizante. Os tempos observados no processo foram de oito minutos para o enchimento da caixa de 1.000 litros e de 15 minutos para seu esvaziamento, ou seja, para a aplicação de toda a calda fertilizante no viveiro. Com base nesses tempos, é possível calcular a dose e a concentração do fertilizante conforme a necessidade.

Normalmente, aplica-se uma calda com concentração de 0,5% de uma formulação contendo NPK e micronutrientes, em intervalos de quatro a cinco dias.

Para realizar a adubação, inicialmente coloca-se o fertilizante na caixa-d’água. Em seguida, abre-se a entrada de água proveniente da bomba, promovendo a dissolução do produto. Após atingir a diluição desejada, fecha-se a entrada de água e abre-se a saída da calda. A bomba, então, conduz a solução fertilizante, juntamente com a água de irrigação, até os microaspersores, que distribuem os nutrientes sobre as mudas.

Conclui-se que é possível utilizar um dispositivo simples, eficiente e de baixo custo, construído no próprio local do viveiro, para realizar a adubação de mudas de café via água de irrigação, facilitando o manejo nutricional, especialmente em viveiros de maior porte.

Figura 1
Pode-se ver (à esq.) o tubo conectado à adutora de subida, da bomba, com registro. Esse tubo leva a água para a caixa, terminando em cruzeta de tubos perfurados dentro (no fundo) da caixa, com efeito de turbilhonamento, visando a solubilização do adubo. Dentro da caixa pode-se observar, também, o tubo de saída, coberto por filtro de tela

Figura 2
O tubo de saída da calda fertilizante com registro de controle (à esq.) e seu terminal acoplado na sucção da bomba (à dir.)

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Material escrito por:

José Braz Matiello

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