Covas semicheias favorecem o desenvolvimento inicial do café em áreas de montanha

Observações da Fundação Procafé mostram que o plantio de mudas abaixo do nível do solo melhora o aproveitamento de água e nutrientes após o plantio em terrenos inclinados

Publicado em: - 2 minutos de leitura

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O objetivo da presente nota técnica é relatar observações de campo sobre o comportamento de plantas novas de café em áreas de montanha, com plantio em covas e condições em que parte do reenchimento permanece abaixo da superfície do solo.

O plantio de café em regiões montanhosas é feito, quase exclusivamente, de forma manual, com as mudas sendo plantadas em covas, e não em sulcos, utilizados em áreas mecanizáveis. Ultimamente, surgiu uma opção, ainda empregada em menor escala, que consiste na abertura de covas com escavadeira de esteiras, que se desloca morro abaixo.

Na abertura de covas para o plantio de café, era usual, no passado, o uso do enxadão. Essa ferramenta, porém, foi quase totalmente substituída por uma perfuratriz motorizada de operação manual. A perfuratriz produz covas de formato circular e com boa profundidade, reduzindo o esforço braçal e apresentando bom rendimento.

Uma vez aberta a cova, deve ser feita a mistura da terra retirada com calcário e adubo fosfatado, com posterior retorno dessa mistura para o reenchimento da cova.

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Em plantio de café realizado na Fazenda Experimental da Fundação Procafé, em Lajinha (MG), em área de solo LVAd, com declividade de cerca de 40%, foi avaliado o efeito do tipo de enchimento das covas sobre o pegamento e o desenvolvimento inicial das mudas. Foram comparados cafeeiros jovens em dois sistemas de enchimento e plantio.

O primeiro consistiu no enchimento incompleto da cova, deixando-se cerca de 7 a 10 cm sem preencher e plantando-se a muda nessa condição, de modo que ela ficasse abaixo da superfície do solo. O segundo consistiu no preenchimento completo da cova e no plantio da muda no nível da superfície do solo.

Foram utilizadas mudas com três a quatro pares de folhas, formadas em bandejas plásticas. Após três meses do plantio, foi avaliado o desempenho das plantas novas nos dois sistemas.

Verificou-se que as mudas plantadas abaixo do nível do solo apresentaram melhor desenvolvimento inicial (Tabela 1). Esse melhor comportamento é atribuído às condições mais favoráveis de suprimento de água e nutrientes junto às mudas plantadas em covas semicheias, que coletam e armazenam de forma mais eficiente a água das chuvas ou das irrigações de socorro realizadas após o plantio.

Também ocorre melhor aproveitamento dos fertilizantes aplicados em cobertura. Nas plantas mantidas no nível do solo, a água e os fertilizantes aplicados podem escorrer devido ao declive, não atendendo de forma eficiente às plantas novas.

Gradativamente, com as chuvas, a abertura superior da cova vai sendo preenchida com terra e o plantio vai ficando mais profundo. Essa condição também é indicada, pois permite que o sistema radicular fique mais aprofundado, fazendo com que a planta fique menos sujeita ao estresse hídrico no futuro.

Conclui-se que, em áreas montanhosas, o plantio de café apresenta melhor desenvolvimento inicial das mudas quando realizado em covas com enchimento incompleto, que mantêm uma cavidade superficial e, assim, favorecem maior coleta de água e nutrientes para o crescimento das plantas no período pós-plantio.

Tabela 1 – Altura de plantas de café (em centímetros) sob dois sistemas de enchimento de covas, com enchimento parcial e enchimento ao nível do solo – Lajinha (MG), 2026 

Figura 1

Figura 2
Comparativo do crescimento de planta nova em condição de cova meio cheia, com uma abertura superficial (à esq.) e o plantio em cova cheia, com plantio ao nível do solo (à dir.) 

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Material escrito por:

José Braz Matiello

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