Ramos mortos em cafeeiros por efeito da colheita mecânica

Na presente nota técnica, relata-se a ocorrência de morte de ramos, de forma abundante, em lavouras de café colhidas com colhedeira automotriz, na região Sul de MG

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Tem sido observada, em muitas lavouras de café, a seca de ramos aparecendo depois da colheita mecanizada. 

A colheita é a operação mais importante na lavoura, pois é a etapa mais onerosa e também pode interferir na qualidade. No Brasil é feita por derriça dos frutos da planta e recolhimento daqueles caídos no chão. 

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A derriça, ou seja, a retirada conjunta dos frutos dos cafeeiros, pode ser feita de forma manual ou com maquinário derriçador – este podendo ser de operação manual, como as maquininhas motorizadas, ou por máquinas maiores, as colhedoras, automotrizes ou tracionadas por trator. 

As máquinas derriçadoras derrubam os frutos através de varetas que vibram na passagem pela ramagem dos cafeeiros. Nesse movimento das varetas e do caminhamento das máquinas, os ramos e a folhagem podem ser danificados, promovendo lesões, desfolha e quebra de ramos. 

Na presente nota técnica, relata-se a ocorrência de morte de ramos, de forma abundante, em lavouras de café colhidas com colhedeira automotriz, na região Sul de MG. As plantas colhidas apresentavam grande quantidade de ramos secos por toda a copa da planta (foto abaixo), podendo-se visualizar facilmente o dano. Verificou-se que a quebra e a consequente morte de ramos se concentrou na ramagem fina. 

Figura 1
Lavoura de café com grande número de ramos secos depois da colheita mecânica. À direita, detalhe de um ramo morto

A princípio parecia tratar-se de ataque de doença, mas logo foi possível ver que os ramos secos tinham algum rompimento mecânico, parcial ou total, que vinha causando sua secagem/morte. A exclusão da participação de possíveis patógenos, atuando junto às lesões nos ramos, ficou evidente devido aos rompimentos estarem situados mais na base dos ramos, em sua parte bem lenhosa, e, também, por não haver condições de umidade favoráveis ao desenvolvimento dos patógenos, já que a colheita foi feita em período muito seco. Verificou-se, ainda, que boa parte dos rompimentos de ramos, especialmente no uso das derriçadeiras motorizadas, ocorria na junção dos ramos secundários. 

A morte de ramos de cafeeiros, por efeito da colheita mecânica, tem sido comum em pequena escala. Sua ocorrência em maior escala, com gravidade, conforme aqui relatada, indica que a lavoura não se encontrava bem preparada ou a operação do maquinário não foi adequada.

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Material escrito por:

José Braz Matiello

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