Arroz se mostra viável como cultura intercalar em lavouras de café na Zona da Mata de Minas Gerais

Pesquisa da Fundação Procafé indica que o cultivo de arroz de sequeiro entre as linhas do cafezal pode diversificar a produção, gerar renda adicional e aproveitar áreas ociosas em pequenas propriedades da região

Publicado em: - 2 minutos de leitura

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Pesquisa realizada no ciclo agrícola 2025/26 demonstrou a viabilidade do cultivo intercalar de arroz em lavouras de café na Zona da Mata de Minas Gerais.

As lavouras de café, em sua fase de formação ou após podas, apresentam uma grande área livre entre as linhas de plantio, que pode ser aproveitada para o cultivo de culturas intercalares.

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Tradicionalmente, as culturas intercalares mais utilizadas são o feijão e o milho. Na cafeicultura de montanha, predominante em pequenas propriedades da Zona da Mata mineira, há pouca diversificação de cultivos, condição que aumenta o risco econômico da atividade cafeeira. Torna-se importante, portanto, buscar alternativas que permitam combinar outras culturas com os cafezais.

O presente trabalho teve como objetivo avaliar o cultivo intercalar de arroz em lavoura de café, visando oferecer uma fonte adicional de alimento e renda para pequenas propriedades. O experimento foi conduzido durante o ciclo agrícola 2025/26, na Fazenda Experimental da Fundação Procafé, em Lajinha (MG). A área experimental situa-se a cerca de 700 metros de altitude e era composta por uma lavoura de café com um ano de idade, implantada no espaçamento de 3 x 0,6 metro.

Foi utilizada a variedade de arroz de sequeiro BRS 502. Em cada entrelinha do cafezal foram plantadas três linhas de arroz na faixa central da rua. O espaçamento entre as linhas foi de 0,5 metro, com densidade de semeadura de 60 sementes por metro linear.

O plantio foi realizado em meados de novembro. A adubação consistiu na aplicação da fórmula 8-28-16 no sulco de plantio e, 25 dias depois, de 20-00-20 em cobertura. O manejo foi conduzido de forma convencional, com uma capina manual, sem necessidade de controle de pragas e doenças. O desenvolvimento vegetativo das plantas foi satisfatório, atingindo cerca de 90 centímetros de altura, apesar da ocorrência de um veranico em dezembro. O ciclo da cultura foi de aproximadamente 100 dias.

A avaliação foi realizada por meio da colheita, no final de fevereiro de 2026, seguida da debulha, secagem e pesagem dos grãos. A produtividade obtida foi de 3.350 kg de grãos por hectare de cafezal. O rendimento poderia ser ainda maior com a adoção de mais linhas de arroz por entrelinha do café e menor espaçamento entre elas. Considerando que o arroz ocupou aproximadamente metade da área disponível, a produtividade equivalente seria próxima de 7 mil kg por hectare, um nível considerado bastante elevado.

Com base nos resultados de produtividade e na facilidade de manejo observada, conclui-se que o cultivo intercalar de arroz de sequeiro é uma alternativa viável para a cafeicultura de montanha da Zona da Mata de Minas Gerais.

Figura 1
Vista de uma parcela de arroz intercalar em lavoura jovem de café, por ocasião da colheita - Fazenda Experimental de Lajinha (MG), fev/26

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Material escrito por:

José Braz Matiello

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