Simulação do bulbo molhado em irrigação por gotejamento em lavouras de café de montanha

Pesquisa em Minas Gerais indica que a inclinação do terreno pode alterar a geometria do bulbo molhado e influenciar diretamente a eficiência da irrigação e da fertirrigação em lavouras de café conduzidas em áreas montanhosas

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A irrigação em cafezais é uma prática recomendada, pois resulta em aumentos significativos de produtividade na maioria das regiões cafeeiras, em razão dos crescentes déficits hídricos. Um dos sistemas mais utilizados é o de gotejamento, que deve ser dimensionado de acordo com as características do terreno.

No presente trabalho, objetivou-se simular o bulbo molhado formado pela água emitida pelos gotejadores em áreas declivosas, condição comum nas regiões de cafeicultura de montanha, como a Zona da Mata de Minas Gerais e o estado do Espírito Santo.

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O estudo de simulação foi realizado em São Domingos das Dores (MG), em um Latossolo Vermelho-Amarelo (LVA), com declividade de 60%. Foram utilizados gotejadores com vazão de 1,6 L h-¹, espaçamento de 0,60 m, lâmina diária de 4,28 mm e período de simulação de sete dias.

Os resultados estão apresentados na Figura 1. Verificou-se que, na condição de terreno declivoso, o bulbo molhado tornou-se assimétrico, com predominância do fluxo de água no sentido descendente da encosta. Aproximadamente 65% da abertura do bulbo concentrou-se na parte inferior e 35% na parte superior. O raio abaixo do emissor foi de 45,2 cm, enquanto, acima do emissor, foi de 24,4 cm. O diâmetro máximo na superfície (Ws) atingiu 69,6 cm e, em profundidade (Ws'), 91,4 cm. A profundidade máxima (Zv) foi de 81,2 cm.

Quando comparado ao cenário em terreno plano, observou-se um aumento aproximado de 10 cm no diâmetro do bulbo, tanto na superfície quanto em profundidade, enquanto a profundidade máxima permaneceu praticamente inalterada, em torno de 80 cm. Houve, contudo, intensificação da redistribuição lateral da água no sentido descendente da encosta.

Em síntese, verificou-se que a declividade altera significativamente a geometria lateral do bulbo molhado, mas não impacta de forma expressiva a profundidade máxima atingida. Do ponto de vista prático, foi possível concluir que: 1) o bulbo molhado não é simétrico; 2) a gravidade favorece a expansão lateral descendente; 3) o espaçamento entre os emissores deve considerar essa assimetria; e 4) o posicionamento da linha de gotejamento influencia diretamente a eficiência da irrigação. Além disso, os resultados indicam que, em áreas declivosas, pode ser recomendável afastar ligeiramente a linha de gotejadores da proximidade do tronco, posicionando-a na parte superior da linha de cafeeiros.

O próximo passo será avançar na modelagem, realizando simulações de fertirrigação com soluções contendo nitrato (NO³-), amônio (NH4+) e potássio (K+), avaliando a dinâmica de transporte desses íons no perfil do solo sob condição de declividade acentuada. Essa etapa permitirá compreender não apenas o movimento da água, mas também a redistribuição de nutrientes ao longo do perfil, considerando mecanismos como fluxo de massa, difusão e interações eletroquímicas com a matriz do solo.

Modelar o sistema antes da instalação pode evitar erros de dimensionamento e melhorar significativamente a eficiência da irrigação e da fertirrigação em cafezais.

Figura 1 - Simulação e formação de bulbo em superfície de solo com declividade, em irrigação por gotejamento. S.D. das Dores (MG), 2026.
Figura 1

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Material escrito por:

José Braz Matiello

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