Celso Vegro

07/11/2008

Café: a miséria do consenso conservador

É preciso implementar decisões que desmontem as condenáveis características do emprego dos recursos do FUNCAFÉ e recheá-las de iniciativas que apostem naquilo em que a cafeicultura do futuro irá necessariamente se converter: sistemas produtivos sócio-ambientalmente responsáveis e energeticamente mais eficientes. Combinadas ambas as características, os ganhos de gestão e as vantagens comerciais fazem o serviço complementar de conferir a rentabilidade desejada ao empreendimento.

05/08/2008

Café: encontrado nosso "pé grande"!

Seria muito interessante criar um cadastro que permitisse o escalonamento das taxas praticadas em consonância com o histórico de adimplência do cafeicultor. Dados sobre a inadimplência dos financiamentos obtidos junto ao FUNCAFE sugerem que os pequenos cafeicultores saldaram seus compromissos. Todavia, o percentual de inadimplência entre aqueles que tomaram grandes financiamentos (de R$100 mil a R$500 mil ou acima de R$500 mil), supera os 30% do total de ambas as carteiras.

03/07/2008

Café: forjado um novo eldorado

O momento atual exige políticas capazes de compensar a mega valorização cambial da moeda brasileira. Desde 2000, as moedas vietnamita e costarriquenha vêm exibindo trajetória de desvalorização frente ao dólar americano, enquanto que o real se aprecia. A comparação com os demais concorrentes patenteia a desvantagem competitiva dos cafeicultores brasileiros, pois os produtores de arábica na Costa Rica e de robusta no Vietnã vivenciam momento de forte enriquecimento, ao contrário de seus concorrentes brasileiros e colombianos.

03/06/2008

Café: fáceis seduções

Nesse momento, de início de preparação do planejamento do próximo ano cafeeiro, mais importante do que combater os custos de produção é apreciar cuidadosamente a sinalização do cenário futuro para as cotações do produto. Efetuadas as devidas conversões, a saca de café seria negociada a R$ 322,64. Sob essas premissas, o cafeicultor deve decidir se é o momento de diminuir a tecnologia empregada ou intensificar o seu uso, pois é possível estimar a margem a ser capturada e se tal percentual é suficiente para auferir rentabilidade positiva à exploração.

09/05/2008

Café: por um confisco às avessas

O Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (FUNCAFE) foi arrecadado durante a vigência da política de confisco cambial. Durante os anos 70 e 80 prevalecia política cambial de desvalorização da moeda nacional, medida utilizada para apoiar o segmento exportador e livrar o país dos constrangimentos externos. O contexto atual é exatamente o oposto daquele em que o confisco foi implementado. Esse fenômeno é bastante perverso para os ativos com cotações em bolsas internacionais, particularmente as commodities agrícolas exportadas pelo Brasil.

03/04/2008

Café: o confronto entre dois mundos

A profunda divergência entre produtores e todo o restante do agronegócio (torrefadores/solubilizadores e exportadores) em torno do drawback café continua sem uma solução em vista. Estudos foram elaborados, debates promovidos e o tema permanece sem adequado tratamento. Impregnou-se no meio rural a idéia de que trazer café verde do exterior para processá-lo internamente visando à reexportação, geraria concorrência com a oferta doméstica contribuindo para a queda de suas cotações. Nada mais falso. É sabido que cada 10.000 sacas de café verde desviadas da exportação para o processamento industrial com foco na exportação, tem condições de gerar 88 novos postos de trabalho. Ora, para um país que se gaba de exportar 26 a 28 milhões de sacas de café verde in natura, poderia, igualmente, vangloriar-se do feito em incrementar em 1 milhão de sacas nas exportações de solúvel e torrado e moído com geração de 10 mil novos empregos a partir da adoção do drawback.

17/03/2008

OIC: cotações em alta, assim como os fertilizantes

Em fevereiro os preços do café continuaram a subir. A média mensal do preço indicativo composto da OIC alcançou 138,82 centavos de dólar dos EUA por libra-peso, 13,5% acima da média de janeiro, de 122,33 centavos. A média mensal dos robustas ultrapassou 115 centavos, seu nível mais alto desde agosto de 1995. Houve intensa atividade nas bolsas de futuros tanto de Nova Iorque (arábicas) quanto de Londres (robustas), com maior volatilidade de preços em ambas. É preciso notar, porém, que os preços dos fertilizantes de uso mais comum na cafeicultura (fosfato, potassa e uréia) aumentaram significativamente, devido à alta acentuada dos preços dos derivados do petróleo. O prosseguimento da consolidação dos preços pode ser atribuído a um equilíbrio entre a oferta e a demanda no mercado, o qual, conforme se prevê, deve persistir no restante do ano cafeeiro de 2007/08.

11/03/2008

Café: uma aurora de bem-aventuranças

Ao contrário daquilo que afirmam a maior parte dos analistas do mercado, que reputam à queda nos estoques mundiais e ampliação da demanda os principais componentes para a aceleração das cotações, na realidade, a escalada das cotações vincula-se mais a desvalorização do dólar frente as principais moedas internacionais. Fundos e especuladores, visando proteção a patrimônio depositado buscam nas soft's commodities, refúgio para as perdas de valor da moeda estadunidense. O desafio que ora se impõe para o agronegócio café é o de estabelecer arrojadas metas, como por exemplo, a de exportações totais de café atingindo os US$ 5 bilhões em 2010. Evidentemente, que a elevação das cotações internacionais suporta tal orientação estratégica, porém, o que objetivamente os exportadores, as cooperativas e os solubilizadores, especialmente, poderiam desenvolver visando o alcance dessa receita cambial mesmo que as cotações venham a declinar?

18/02/2008

OIC: em jan/08, fatores fundamentais sustentaram alta

Os fatores fundamentais do mercado sustentaram a tendência altista, pois o ritmo das exportações diminuiu, devido a uma situação de relativa escassez criada por produtores à espera de preços ainda melhores. A alta atual levou a atividades especulativas, sobretudo por parte dos fundos de investimento, que assumiram um volume significativo de posições longas nas bolsas de futuros, exacerbando a escassez, especialmente de Robustas. Apesar da tendência altista, a valorização da moeda nacional de alguns países exportadores em relação ao dólar dos Estados Unidos elevou o custo dos insumos agrícolas. Acresce que os problemas sócio-políticos do Quênia parecem repercutir não só nas atividades do setor cafeeiro do país, como também nas de Uganda, cujas exportações através do porto queniano de Mombaça, virtualmente cessaram desde dezembro de 2007.

15/02/2008

Café: cotações futuras para o arábica próximas de R$ 350,00/sc?

Considerando a longa série de preços mensais recebidos pelos produtores paulistas de milho e café arábica (de 1954 a 2007), pode-se construir uma paridade de preços entre ambos produtos. Caso esteja correta a hipótese de convergência para o equilíbrio nas paridades entre as mercadorias<sup>5</sup>, o café poderá aguardar cotações acima dos R$ 300,00/sc no curto prazo e acima dos R$ 350,00/sc nos médio e longo prazos. Essa previsão está bastante harmônica com aquilo que os cafeicultores vêem continuamente afirmando, qual seja, a baixa rentabilidade alcançada com o produto comparativamente as outras opções de uso da terra. Os indícios de estagnação na evolução da área cultivada com café no Brasil ratifica o argumento dos produtores, pois a decisão de investimento na ampliação das lavoura está condicionada as taxas de retorno compatíveis com as remunerações alternativas disponíveis no mercado financeiro.

20/12/2007

OIC: produção mundial 07/08 em 116 milhões de sacas

A safra de 2007/08 já terminou no Brasil, mas na maioria dos outros países exportadores ela acaba de começar. Dados preliminares procedentes dos países Membros permitem estimar que no ano-safra de 2007/08 a produção mundial ficará em torno de 116 milhões de sacas. Em relação a 2006/07, esse volume representa uma redução aproximada de 9 milhões de sacas, atribuível à queda de produção no Brasil e do Vietnã. O aumento de produção previsto em outros países não será suficiente para compensar essa queda nos dois países em 2007/08.

17/12/2007

Aumento do consumo será o principal fato da economia cafeeira em 2008

Diariamente são consumidas aproximadamente 25 milhões de xícaras de café em São Paulo. Ainda que desconheçamos estudos que quantifiquem o número de xícaras consumidas em outras megalópoles, acreditamos que esse patamar alcançado pela cidade de São Paulo a coloca no maior centro mundial de consumo da bebida. Corroborando essa informação, pesquisadores do IPEA, após aplicarem metodologia mais robusta para o cálculo de elasticidades para os dados sobre consumo alimentar apresentados pela POF 1995-96, concluíram que o café alcança a categoria de bem de luxo, ou seja, exibe elasticidade acima de 1 (mais precisamente, 1,0265), o que significa que para uma variação positiva de renda a procura pelo café aumenta mais que proporcionalmente a esse incremento de renda.

06/12/2007

BM&F: fatores fundamentais direcionam o mercado de café

De acordo com Nestor Osorio, diretor da Organização Internacional do Café (OIC), o dinamismo do consumo mundial de café está sendo fator importante na sustentação dos preços. O volume desse consumo, segundo estima a OIC, passou de 117,99 milhões de sacas em 2005 para 120,39 milhões em 2006, crescendo 2,03%. Se as atuais taxas se mantiverem, o consumo mundial poderá exceder 122 milhões de sacas em 2007 e, em 2008, ultrapassar 125 milhões.

20/11/2007

Cepea: zona da mata espera 7 a 8 milhões de sacas

As floradas de café arábica no final de outubro foram consideradas muito boas, favorecidas pela volta das chuvas - a estiagem durou quase três meses nas regiões produtoras. A partir de agora, a expectativa de cafeicultores é que as flores vinguem, o que garantiria uma boa produtividade na próxima safra. Na Zona da Mata, onde foram verificadas floradas bastante satisfatórias, cafeicultores apostam em uma produção local recorde, entre 7 e 8 milhões de sacas na próxima safra, ultrapassando o recorde de 2002/03, quando foram produzidas cerca de 6 milhões de sacas.