Arábica
As floradas de café arábica no final de outubro foram consideradas muito boas, favorecidas pela volta das chuvas - a estiagem durou quase três meses nas regiões produtoras. A partir de agora, a expectativa de cafeicultores é que as flores vinguem, o que garantiria uma boa produtividade na próxima safra.
Conforme agentes consultados pelo Cepea, as lavouras floraram no noroeste do Paraná, nas regiões da Alta Paulista, Mogiana Paulista, Sul de Minas, Zona da Mata mineira e em parte do cerrado mineiro. Apesar de na região do cerrado mineiro não estarem ocorrendo de forma generalizada, as flores estão abundantes e agentes do setor apostam em uma boa produção na próxima temporada.
Na Zona da Mata, onde foram verificadas floradas bastante satisfatórias, cafeicultores apostam em uma produção local recorde, entre 7 e 8 milhões de sacas na próxima safra, ultrapassando o recorde de 2002/03, quando foram produzidas cerca de 6 milhões de sacas. Isso só vai ocorrer, contudo, na condição de que não haja adversidades climáticas durante o desenvolvimento da safra, como o veranico - período de estiagem aliado às altas temperaturas. Por enquanto, ainda há dúvidas se as floradas vingarão. Os pés de café foram bastante debilitados pela seca, com muitas árvores desfolhadas. Por conta disso, há o risco de que algumas flores gerem apenas vegetação ao invés de grãos.
De qualquer forma, a próxima safra deverá ser maior que a atual, já que a última temporada registrou uma carga pequena de café, o que não chegou a estressar a planta. Quanto a eventuais perdas com a estiagem, dados oficiais devem sair apenas no início do ano que vem. A possibilidade de que a próxima temporada seja recorde (de até 50 milhões de sacas), contudo, já está descartada por agentes de mercado. A última safra em que a produção se aproximou desse volume foi a 2002/03, de 48 milhões de sacas.
No início de outubro, as cotações do café arábica giravam em torno de R$ 270,00/sc, um dos maiores patamares alcançados neste ano. A alta estava atrelada ao receio da quebra de safra por conta da seca. O bom volume de chuva no final do mês, contudo, trouxe a expectativa de uma boa produção para o ano que vem. O clima favorável à florada fez com que os preços caíssem cerca de R$ 15,00/sc no mês.
O Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6 bebida dura para melhor registrou média de R$ 255,84/sc (posto na cidade de SP) no mês, queda de 1,28% sobre a de setembro; já em relação a outubro de 2006, a média foi 8,8% maior - sem considerar inflação do período. Nesse sentido, produtores aguardam preços maiores para elevar os negócios - no mês, ofertaram principalmente grãos remanescentes.
Conillon
Os elevados patamares de preço do café robusta neste ano (firmes na casa dos R$ 200,00/saca de 60 kg) e o clima favorável ao desenvolvimento da safra têm possibilitado ao produtor aumentar os tratos culturais nas lavouras. Podas e a aplicação de insumos nas plantas, por exemplo, foram realizadas até por produtores menos capitalizados.
As chuvas ocorridas no norte do Espírito Santo nos últimos meses, sobretudo em agosto, foram benéficas às floradas, que podem ser consideradas as melhores em pegamento dos últimos anos. Conforme agentes locais, esse cenário pode, inclusive, aumentar a produtividade.
No momento, a preocupação é com o tempo seco no norte capixaba, onde se concentra a produção de robusta, limitando inclusive a capacidade de irrigação de algumas propriedades.
Em Rondônia, segundo maior estado produtor de robusta no Brasil (atrás somente do Espírito Santo), cafeicultores estão satisfeitos com as novas floradas que também abriram na região. Além de beneficiar o desenvolvimento dessas flores, as chuvas devem minimizar as possíveis perdas na safra 2008/09. De qualquer forma, o clima quente e seco em agosto e em setembro fez com que parte das primeiras florações abortasse o que, segundo agentes locais, já pode ter implicado em quebra de até 20% na próxima safra.
No mercado internacional, os futuros negociados na bolsa de Londres (Euronext.Liffe) que vencem em novembro subiram 18% no acumulado de outubro, fechando a US$ 2.275/t no dia 31. O principal motivo para a alta foram as recentes chuvas no Vietnã, que vêm prejudicando a colheita. As fortes precipitações naquele país têm causado inundações, dificultando a logística nas principais vias de acesso às regiões produtoras. Com isso, o Vietnã deve disponibilizar pouco café neste fim-de-ano. Por enquanto, as últimas projeções de safra para o tigre asiático indicam 15 milhões de sacas de robusta.
No Brasil, apenas indústrias torrefadoras adquiriram o robusta para abastecer a forte demanda nacional. O Indicador CEPEA/ESALQ do tipo 6 peneira 13 acima teve média de R$ 205,28/saca de 60 kg em outubro, estável em relação à do mês anterior. Para o tipo 7/8 bica corrida, houve leve aumento de 0,18% no mesmo período, a R$ 201,58/sc.
As informações são da Análise Conjuntural do Cepea/Esalq.
Cepea: zona da mata espera 7 a 8 milhões de sacas
As floradas de café arábica no final de outubro foram consideradas muito boas, favorecidas pela volta das chuvas - a estiagem durou quase três meses nas regiões produtoras. A partir de agora, a expectativa de cafeicultores é que as flores vinguem, o que garantiria uma boa produtividade na próxima safra. Na Zona da Mata, onde foram verificadas floradas bastante satisfatórias, cafeicultores apostam em uma produção local recorde, entre 7 e 8 milhões de sacas na próxima safra, ultrapassando o recorde de 2002/03, quando foram produzidas cerca de 6 milhões de sacas.
Publicado por: CaféPoint
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