USDA eleva projeção da safra mundial de café e prevê recordes de consumo e exportações

Produção global deve alcançar 189,7 milhões de sacas em 2026/27, impulsionada por colheitas recordes no Brasil, Vietnã, Etiópia e Uganda

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O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a projeção para a produção mundial de café na safra 2026/27, estimada agora em 189,7 milhões de sacas. O volume será recorde, sustentado principalmente pelo crescimento das colheitas no Brasil, Vietnã, Etiópia e Uganda, informa o relatório semestral do órgão norte-americano publicado nesta quarta (22).

Segundo o relatório, os avanços nesses países devem compensar as perdas previstas para Índia e Indonésia. Neste último, a produção deve cair 1 milhão de sacas, para 11,4 milhões, devido à redução da produtividade do robusta por excesso de chuvas, que prejudicou a formação dos frutos no sul de Sumatra e em Java, responsáveis por 75% da produção de café. 

O USDA também prevê recorde no consumo e nas exportações mundiais. O consumo deve alcançar 179,7 milhões de sacas, com os maiores aumentos concentrados na União Europeia e nos Estados Unidos. Já as exportações de café em grão devem crescer 11,9 milhões de sacas, e chegar a 131,4 milhões.

Brasil deve colher 71,9 milhões de sacas

Para o Brasil, o USDA projeta uma safra recorde de 71,9 milhões de sacas em 2026/27, sendo 47,5 milhões de sacas de arábica e 24,4 milhões de canéfora – um aumento de 14% em relação à safra de 2025/26 estimada pelo órgão (63 milhões de sacas). 

As exportações brasileiras de café em grão devem atingir o maior volume da série, com 45 milhões de sacas, e os estoques finais do país devem aumentar 500 mil sacas em relação à safra anterior, alcançando 4,4 milhões de sacas.

Das estimativas recordes de produção em outros países, projeta-se 32,5 milhões no Vietnã (com aumento de exportações para 25,4 milhões e recorde no consumo interno, de 5 milhões de sacas), 12,1 milhões na Etiópia (que pode exportar 7,1 milhões), e 7,1 milhões em Uganda.

Estoques seguem baixos

Os estoques finais mundiais devem crescer pelo segundo ano consecutivo e alcançar 26,3 milhões de sacas em 2026/27. Apesar da recuperação, o volume permanecerá abaixo da média histórica.

Entre 2020/21 e 2024/25, os estoques globais recuaram 15,5 milhões de sacas, após uma sequência de safras mais fracas de arábica no Brasil. Nesse período, o crescimento da produção em países como Etiópia, México e Peru ajudou a reduzir o déficit, mas não compensou integralmente as perdas brasileiras.

A combinação de safra recorde no Brasil, crescimento das exportações e recomposição dos estoques amplia a disponibilidade global de café. Segundo o USDA, os preços já recuaram cerca de 25% nos últimos sete meses com a perspectiva de aumento da oferta.

Ainda assim, o relatório ressalta que as condições do mercado internacional continuarão fortemente dependentes do ciclo produtivo brasileiro.

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Equipe CaféPoint

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