Safra 2025/26: Cooabriel prevê superar recorde histórico de conilon no Espírito Santo

Luiz Carlos Bastianello, presidente da maior cooperativa de conilon do país, comemora os resultados de um clima bom na produção do grão no Espírito Santo e espera superar recorde de 16 milhões de sacas para a safra

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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Por Cristiana Couto

Com a colheita da safra 2025/2026 avançando por todo país e um contexto global complexo – crises climáticas, conflitos geopolíticos –, aliado a estoques mundiais de café extremamente baixos, nada como saber pelos agentes da cadeia cafeeira como anda a produção dos grãos nas principais regiões brasileiras.

O CaféPoint conversou com Luiz Carlos Bastianello, presidente da Cooabriel (Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel), maior cooperativa de conilon do país. Sediada em São Gabriel da Palha, no coração da produção de conilon do Espírito Santo, a cooperativa atua em mais de 30 municípios nas regiões norte e noroeste do Espírito Santo, sul e extremo sul da Bahia, e reúne 8,7 mil cooperados, que deixam seus cafés em 12 unidades de recepção e armazenagem. 

Figura 1
Luiz Carlos Bastianello, presidente da Cooabriel

Com grãos de peneira boa e colheita regular, Bastiello prevê que a produção de conilon no Espírito Santo ultrapasse o volume recorde em 2022, que foi calculado pela cooperativa entre 15 e 16 milhões de sacas. “A gente estima ter uma produção igual ou um pouco maior do que a safra de 2022”, calcula. A seguir, saiba como anda a produção da nova safra de conilon a partir da análise da Cooabriel.

Ritmo de colheita: entre 45 e 50% da safra, prevista para terminar entre final de julho e início de agosto. “A gente já tinha previsão de uma colheita boa, satisfatória, dentro da regularidade. E essas previsões estão se confirmando. Nós temos clones tardios, que normalmente são colhidos sempre em meados de julho para adiante”.

Rendimento e peneira: “As plantas estão tendo um rendimento satisfatório, embora a gente previa que ela seria maior dentro do secador, e isso não está acontecendo. A média atual são 40 sacas num secador de 15 mil litros, e muitos produtores estão reclamando que estão com 38 sacas”. 

Esse movimento menor no secador deve-se, por exemplo, à peneira, que interfere no rendimento. “A peneira é maior do que no ano passado, e o grão acaba ocupando mais espaço dentro do equipamento. Automaticamente, o rendimento em peso não é o mesmo e os grãos demoram mais para secar”.

“Peneira boa de conilon é 14, peneira 15 é excelente. Nós estamos com peneira boa, mas o mercado não remunera muita coisa em relação à peneira do conilon, não. Mas a gente percebe que o grão esse ano também tá mais viçoso, mais bonito”. 

Clima: “A gente teve um período muito bom, tem muito tempo que não temos um clima tão regular para produzir café como o de 2024 para 2025. Nós tivemos chuva no momento certo, sol no momento certo, no período de floração e de granação. Os reservatórios de água estão cheios, nós tivemos chuva dentro da safra, isso não é comum para nós. Aqui é muito comum termos as últimas chuvas no final de abril, e depois, vamos ter chuva lá para final de julho, agosto, setembro, que são os períodos de floração”.

“Este ano, tivemos uma semana de período chuvoso em maio, e a gente até imaginava que fosse comprometer um pouco a qualidade do café. De fato, comprometeu, mas foi uma pequena fração da safra”.

“Como a planta estava bem formada, bem folhada, com uma aparência muito boa, é comum que o amadurecimento do grão atrase um pouquinho. Então, a gente começou [a colheita] um pouquinho mais tarde, cerca de uma semana”. 

Previsão de volume: “Como a gente não concluiu a safra, é muito difícil falar em produção, em volume, mas a gente estima ter uma produção igual ou um pouco maior do que a safra de 2022. Em 2022, nós tivemos divergência com os números da Conab em relação à produção. Nós mensuramos que o Espírito Santo colheu, naquele ano, 15, 16 milhões de sacas de café. Dentro de uns 30 dias, a gente deve ter esses números para informar. A Bahia, esse ano, deve produzir 4 milhões de sacas de café”.

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Equipe CaféPoint

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