As exportações brasileiras de café podem encerrar a safra 2025/26 no menor volume desde 2017/18, segundo análise do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP) publicada nesta quinta-feira (16).
Conforme dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), divulgados na segunda-feira (13), entre julho de 2025 e março de 2026 o Brasil exportou 29,09 milhões de sacas, queda de 21,2% — o menor volume para o período desde 2022/23. Isso não significou, porém, recuo na receita, que cresceu 2,9%, para US$ 11,43 bilhões.
Mesmo a alta de 15,4% nas exportações de março em relação a fevereiro não foi suficiente para reverter a tendência de queda, avalia o Cepea. A combinação entre menor produção prevista para 2025/26 e estoques historicamente baixos tem limitado o ritmo dos embarques.
O volume restrito da safra atual disponível e a capitalização dos produtores após os altos preços ao longo da temporada têm levado à retenção das vendas. Com isso, o cenário de exportações limitadas pode persistir até que a safra 2026/27 ganhe ritmo, a partir de meados de maio.
Portanto, se o ritmo atual for mantido até o fim da temporada, em junho, os embarques podem totalizar, no máximo, 35 milhões de sacas, cerca de 23% abaixo da safra 2024/25 (45,61 milhões). O volume seria o menor desde 2017/18.
Preços no mercado internacional
No mercado internacional, os preços seguem sustentados, mesmo com restrição de oferta, o que reflete expectativa positiva quanto à produção global. No Brasil, as estimativas da Conab (66,2 milhões de sacas) e do IBGE (65,1 milhões) apontam para safra recorde em 2026.
O indicador composto da Organização Internacional do Café (OIC) fechou março em 273,7 cents de dólar por libra-peso, com leve alta de 2,3% frente a fevereiro, após a queda registrada no início do ano.
Vale notar que as exportações caíram em volume no cenário global. A OIC aponta queda de 5,7% em fevereiro, para 11,46 milhões de sacas (em comparação com 12,15 milhões de sacas em fevereiro de 2025), pressionada principalmente pela retração na na América do Sul (-21,8%, para 3,61 milhões de sacas) e na Ásia e Oceania (-4,7%, para 4,45 milhões de sacas).