Cultivo de café no sistema orgânico exige cuidados especiais para alcançar boa produtividade

Sem insumos químicos e com respostas mais lentas das plantas, o manejo orgânico do café exige atenção redobrada à nutrição, ao controle do mato e à escolha de variedades para evitar perdas e garantir bons resultados no campo

Publicado em: - 2 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Cultivar lavouras de café no sistema orgânico não é tão simples quanto parece. Caso não sejam adotados alguns cuidados especiais, a produtividade obtida vai ser baixa.

O cultivo ou manejo orgânico de um cafezal compreende o uso de práticas agrícolas sem fertilizantes, herbicidas ou defensivos de natureza química. Com isso, as respostas das plantas de café são mais lentas, ou seja, fica mais difícil corrigir os problemas que aparecem, como determinadas deficiências nutricionais, a ocorrência de pragas ou doenças e a competição do mato. Isso de forma rápida, como às vezes é preciso.

Continua depois da publicidade

Existem menos informações sobre o cultivo de café orgânico, quando comparado com o convencional. Desse modo, colocamos aqui algo que evidenciamos, na prática, manejando cerca de 40 ha de cafezais orgânicos já há 8 anos.

O primeiro cuidado a observar é a escolha da variedade. Nesse aspecto, deve-se dar preferência a variedades com maiores níveis de resistência a doenças e pragas e, ainda, que tenham capacidade de indução floral mais fácil. Essa última característica é mais importante nas áreas mais frias. O uso de adubos orgânicos, em doses elevadas e constantes, supre continuadamente os cafeeiros de nutrientes, e pode haver excesso de N, deixando as plantas verdes e bonitas, mas com pouca florada. Nesses casos, experiências de campo mostram efeitos positivos do corte temporário do uso de estercos, para voltar ao equilíbrio. O aspecto de excesso vegetativo e deficiência na floração pode ser comprovado pelo fato de plantas mais jovens, com boa insolação e, também, mais velhas, porém na beira de carreadores, serem sempre mais produtivas.

O segundo aspecto é ter mais cuidado no controle do mato, usando roçadas, mas também capinas, pois, como não se pode repor nutrientes de forma rápida, não se deve permitir maior concorrência com as ervas.

A terceira regra a observar é não exagerar no uso de estercos, pois os próprios experimentos de adubação orgânica mostram aumento de produtividade dos cafeeiros com a elevação das doses usadas, mas, com doses excessivas, ocorrem perdas.

No que tange a pragas e doenças, não se torna fácil o controle. O uso de variedades resistentes ajuda bastante. No caso de doenças, produtos fungicidas cúpricos são permitidos, mas exigem grande número de aplicações. Quanto às pragas, deve-se tentar voltar ao equilíbrio com o uso de produtos biológicos; porém, eles têm baixa eficiência e o equilíbrio nem sempre é obtido, pois podem existir lavouras vizinhas que vão disseminar as pragas para as áreas em processo de equilíbrio.

Práticas que se mostram muito adequadas ao cultivo orgânico são o sistema de poda safra zero e, para pequenos produtores, algum nível de arborização da lavoura.

Figura 1
Lavoura da cultivar arara em cultivo orgânico. Pode-se ver produção boa, porém as plantas sentem a carga. Um dos problemas sérios dessa lavoura tem sido a deficiência de zinco, já que não se pode pulverizar com nenhum sal desse nutriente e o material orgânico não tem suprido adequadamente 

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Material escrito por:

José Braz Matiello

José Braz Matiello

Acessar todos os materiais

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe CaféPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.