Com base nos cafés que já começaram a chegar à cooperativa, Freiria observa uma peneira mais alta em comparação com a safra anterior — embora também tenha identificado um aumento na incidência de grãos tipo “moca”. Para esta safra de 2025, a Cocapec projeta receber entre 1,2 milhão e 1,3 milhão de sacas, volume de 5% a 10% superior ao registrado na colheita passada.
Diagnósticos e ritmo de colheita
“A safra 2025 é totalmente uma incógnita, desde a florada até hoje”, comenta o gerente comercial. Ele explica que, lá atrás, a florada gerou um clima de frustração, e, na época de pegamento de chumbinho, eles mal eram vistos. “Enxergávamos uma quebra de safra muito grande. Depois o grão cresceu e começamos a ver mais café no pé”, diz.
Em 17 de julho, a colheita estava em ritmo acelerado, chegando ao seu pico, com 60% da área já colhida. Apesar do movimento crescente nos armazéns, os trabalhos estão atrasados em relação às últimas safras. “A gente já estaria em um ritmo de recebimento mais acelerado. Acredito que a próxima semana e o mês de agosto serão os picos de recebimento da safra”, projeta Freiria.
Qualidade da safra
A safra 2025/2026 segue em direção oposta à anterior: apresenta grãos com peneiras superiores, mas, por outro lado, tem deixado a desejar na qualidade da bebida. “Esse ano tivemos peneiras boas, em torno de 30% de peneira 17 acima [em 2024 estava em torno de 15%]. Só que, ao mesmo tempo, estamos tendo muito moca, que não é um café desejado. Geralmente estava em torno de 10% e, neste ano, está em torno de 20%”, comenta o gerente comercial.
“Em questão de bebida, esta safra tem um pouco mais de cafés bebendo mais fraco em relação ao ano passado. Como no último ano tivemos um clima mais seco, nós não tivemos problemas de bebida. Esse ano a gente já passa por alguns lotes com copo riado…”, conta Freiria. “O tamanho de grão está ótimo, mas em bebida já temos que ter um pouco de cautela”.
Clima
A falta de chuvas, combinada às altas temperaturas, prejudicou o pós-florada na Alta Mogiana. “A região passou praticamente seis meses sem chuva. Nosso déficit hídrico chegou a 400 mm”, destaca. Segundo Freiria, a florada chegou a abrir, mas a falta de hidratação da planta fez com que ela não conseguisse atingir 100%. “Depois, em fevereiro, tivemos de 40 a 50 dias sem chuvas, com altas temperaturas, que no nosso entendimento também atrapalhou o peso de grãos para a safra 2025”.
Projeção para 2026/2027
“2026 caminha para um ano muito bom”, comenta Freiria, que destaca que os níveis hídricos da região estão bons e que as lavouras estão mais bem estruturadas para o próximo ano graças ao investimento maior dos produtores. “Agora é aguardar quando vem a próxima chuva de agosto e setembro. Se ela vier no momento adequado, no final de agosto e começo de setembro, 2026 tem tudo para ser um ótimo ano de safra”, projeta.