O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, e o secretário-executivo da Pasta, Silas Brasileiro, anunciaram, na manhã de ontem, o primeiro levantamento oficial para a safra 2008/2009 de café do Brasil. Segundo dados coletados por Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e órgãos conveniados, o país produzirá entre 41,288 milhões e 44,174 milhões de sacas de 60 kg, volume que implica em uma alta de 22,37% a 30,92% na comparação com as 33,740 milhões de sacas colhidas no ciclo 2007/2008.
Do volume total projetado pelo governo federal, entre 31,515 milhões e 33,659 milhões de sacas se referem a café arábica, representando incremento de 34,24% a 43,37% em relação às 23,477 milhões de sacas da variedade produzidas na temporada 2007/08. Já a produção 2008/09 de robusta foi estimada entre 9,773 milhões e 10,515 milhões de sacas, implicando em uma variação negativa de 4,77% a uma positiva de 2,46% sobre as 10,263 milhões de sacas da safra anterior.
Ao se fazer o cálculo da média entre os volumes mínimo e máximo estimados pelos órgãos governamentais para a safra 2008/09, obtém-se uma produção de 42,731 milhões de sacas, sendo 32,587 milhões relativas à variedade arábica e 10,144 milhões à robusta.
"Há uma preocupação porque a safra pode ser ainda menor, tendo em vista que essa primeira avaliação foi feita num período em que o vingamento das floradas não estava consolidado", comentou Gilson Ximenes, presidente do CNC. "Além disso, as perdas provocadas pela forte estiagem verificada em 2007 talvez ainda não tenham sido totalmente dimensionadas, fato que vem sendo observado por vários técnicos que percorrem as principais regiões cafeeiras do país", completou.
Segundo ele, os técnicos vêm demonstrando preocupação com um pegamento menor do que aparentava em dezembro. "Antonio Wander Garcia, engenheiro agrônomo da Fundação Mapa/Procafé, já observava, no último mês do ano passado, através de medições feitas em cafeeiros no Sul de Minas Gerais, um abortamento 40% superior ao índice normal", informou o presidente do Conselho Nacional do Café.
Na avaliação do CNC, a queda na produção a ser colhida em 2008, em relação à expectativa inicial, terá como conseqüência um menor volume disponível à exportação a partir de 2009, fato que requer uma política de escoamento mais ordenado nas próximas safras. "Para isso, o governo deverá utilizar instrumentos de política agrícola como financiamentos para estocagem, Pepro e Opções Públicas, visando um maior equilíbrio na oferta brasileira para os próximos anos", explicou Ximenes.
O presidente da entidade anotou, ainda, que a política deve buscar a sustentação econômica do produtor e, conseqüentemente, a recuperação, nos próximos anos, da produtividade do parque cafeeiro e dos níveis de produção necessários para manter o market share atual do Brasil no mercado externo. "Os cafeicultores brasileiros precisam ter renda para conseguir produzir o necessário demandado pelos mercados interno e externo", completou.
A necessidade da utilização de instrumentos de política agrícola, por parte do governo, que gerem sustentabilidade ao produtor, também foi mencionada pelo presidente da Comissão Nacional do Café da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Breno Mesquita. "Precisamos mais do que nunca de políticas que agreguem renda ao produtor nesta safra, a qual tinha uma expectativa de ser bastante grande e se tornou média em função da prolongada seca ocorrida no ano passado. Nesse aspecto, é imprescindível o Pepro", finalizou.
Safra 2008/09: governo aponta produção média de 42,7 milhões de sacas
"Há uma preocupação porque a safra pode ser ainda menor, tendo em vista que essa primeira avaliação foi feita num período em que o vingamento das floradas não estava consolidado", comentou Gilson Ximenes, presidente do CNC. "Além disso, as perdas provocadas pela forte estiagem verificada em 2007 talvez ainda não tenham sido totalmente dimensionadas, fato que vem sendo observado por vários técnicos que percorrem as principais regiões cafeeiras do país", completou.
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