Restrição japonesa pode prejudicar exportações de café

A vigilância sanitária do Japão passou, desde o último dia 29/5, a inspecionar 10% das cargas de produtos agropecuários importados em busca resíduos de 758 substâncias, dentre as quais os princípios ativos dos dois fungicidas registrados mais utilizados no Brasil para o controle do ácaro da leprose. Após três violações detectadas em um mesmo produto, as compras do país de origem serão canceladas.

Publicado por: CaféPoint

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As restrições japonesas aos resíduos de alguns agroquímicos poderão afetar as exportações de café do Brasil. O país é quarto maior comprador de café brasileiro, representando cerca de 10% da receita cambial obtida, no ano passado, com as vendas externas de café (US$ 233 milhões). Desde o último dia 29, 10% das cargas de produtos agropecuários são inspecionadas pela vigilância sanitária japonesa que busca resíduos de 758 substâncias. Segundo as regras, após três violações detectadas em um mesmo produto, as compras do país de origem serão canceladas.

Para o café foram proibidos os resíduos de dois princípios ativos: Azocyclotin e Cyhexatin, presentes em acaricidas; além de impostos limites máximos residuais de cerca de cem outras substâncias. No caso dos acaricidas utilizados, a região mais atingida é o Cerrado, que responde por quase metade dos embarques com destino ao Japão. As demais substâncias, que compõem outros agrotóxicos, como fungicidas e inseticidas, podem afetar a todos os cafeicultores.

"Estamos extremamente preocupados com a situação, pois muitas dessas substâncias podem ter sido utilizadas na última safra", diz Maurício Miarelli, presidente do Conselho Nacional do Café (CNC). Segundo ele, além de ser o quarto maior comprador de café do País, o Japão é também um dos mercados que paga melhores preços ao grão brasileiro. Joaquim Goulart de Andrade, gerente de Desenvolvimento Técnico da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé Ltda. (Cooxupé), acrescenta que para o caso do ácaro da leprose, as duas substâncias proibidas são praticamente as únicas que possuem registro na cultura do café para o controle da praga. "Neste caso, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento terá de autorizar o uso de outros acaricidas que não contenham os elementos proibidos", diz Goulart de Andrade.

O setor vai tentar junto às autoridades japonesas barrar as restrições. Para isso, se reunirá com representantes da indústria de agrotóxicos solicitando que, com embasamento técnico, mostrem aos japoneses que não é preciso impor esses limites ou, em caso contrário, apontem alternativas de uso a esses elementos químicos. "Os parâmetros de alguns produtos são superiores às normas brasileiras e, em alguns casos, os japoneses ainda não têm estudos sobre o tema. Certamente as empresas do Brasil podem provar que seus valores de segurança são factíveis", avalia César Augusto Corrêa Candiano, consultor de Cafés Especiais da Cooperativa Agropecuária dos Cafeicultores da Região de São Sebastião do Paraíso (Cooparaíso). O encontro ocorre na sede da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) na próxima quarta-feira, 14 de junho, às 9h30min.

Para se adequar às normas japonesas, muitas cooperativas ligadas ao CNC estão buscando formas de rastrear as exportações. É o caso da Cooxupé, que pode separar os lotes de cafés dos cooperados que não compraram os acaricidas proibidos. Pouco mais de 5% das vendas externas da cooperativa são encaminhadas para o mercado japonês. O Conselho das Associações dos Cafeicultores do Cerrado (Caccer) pretende colocar em seu código de conduta de certificação a exigência de se cumprir as novas regras japonesas. A Cooparaíso vai definir a estratégia de ação após a reunião com a Andef. Porém, já têm rastreados todos os produtores que compõem os lotes de café exportados para o Japão entre os meses de abril e maio. Cerca de 80% das exportações desta cooperativa são destinadas ao Japão, cujos novos embarques só serão feitos em meados de julho.

Outra alternativa é fazer análises laboratoriais para identificar os resíduos. No entanto, atualmente, não existem metodologias validadas para esses elementos, o que impede a inspeção.

Informações: (11) 3284.6800
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