O melhoramento das práticas agrícolas para o aumento da produtividade e resistências a doenças e pragas é um assunto sempre presente nas pesquisas nacionais e no exterior. Em Coffea arabica L., a espécie mais cultivada no nosso país, para se obter uma variedade ou híbrido que possua alguma característica desejável são necessários vinte e quatro anos, ou seja, seis gerações para que esta nova planta se estabilize e não ocorra mais a segregação, podendo assim transmitir suas características para seus descendentes.
Todo esse tempo tem causado na agricultura nacional, principalmente na área cafeeira, uma enorme entrada de novas variedades de plantas antes de sua estabilização, causando desuniformidade da lavoura, perdas de certas características, como resistências, e até prejuízos na produção.
Neste contexto, visando uma maior velocidade para a produção de novos híbridos de cafeeiro arábica, o presente trabalho teve como objetivo avaliar a capacidade de reprodução vegetativa do cafeeiro da espécie arábica, através da estaquia, com auxílio de um hormônio vegetal sintético de crescimento, o ácido indol-butírico, e avaliá-lo como forma economicamente viável de produção de mudas de cafeeiro.
O Método de Estaquia
A estaquia é muito utilizada em diversas culturas ao redor do mundo. Qualquer planta reproduzida vegetativamente através da estaquia transmite suas características para a planta-filha, e esta já se encontra no estágio de estabilidade, não ocorrendo a perda de qualquer de suas características herdadas por motivo de segregação.
Este método já é muito utilizado em cafeeiros da espécie canephora, que no Brasil é muito cultivado no estado do Espírito Santo, e seus resultados já são bem conhecidos da comunidade cafeeira. Entretanto, a falta de pesquisas referentes a esse método de reprodução em cafés da espécie arábica, e a diversidade dos resultados naqueles existentes, mostra o quanto estamos despreparados para a utilização de tal.
Figura 1. Estaca sem folhas com formação de dois brotos.

Metodologia
O presente trabalho foi instalado e conduzido no campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais, campus de Muzambinho, em Minas Gerais, na unidade educacional de culturas perenes, em casa de vegetação com sistema de irrigação automático por micro-aspersão.
As estacas são oriundas de ramos ortotrópicos secundários herbáceos de um talhão de Coffea arabica L., variedade Acaiá cerrado, presente no próprio campus, de tamanho entre oito e dez centímetros; um par de folhas, estas reduzidas a um terço de seu tamanho, um nó e um internódio. Para se evitar a oxidação dos cortes, as estacas foram retiradas, iniciando-se às seis horas da manhã, até as oito horas do mesmo período e colocadas imediatamente em recipiente com água e, logo após, foram imersas em solução de água acrescida de ácido indol-butírico (AIB), com cinco concentrações diferentes (0mg.L-1, 250mg.L-1, 500mg.L-1, 750mg.L-1 e 1000mg.L-1), e mantidas nestas por quatro períodos distintos de tempo (1h, 2h, 4h e 8h).
Para a implantação, foram utilizados tubetes de polietileno específicos para estaquia, previamente esterilizados através de lavagem e imersão em solução de hipoclorito de sódio por dez minutos, mais substrato inerte. Após noventa dias em casa de vegetação, foram feitas as avaliações referentes ao número de estacas vivas, percentual de estacas vivas, número de brotações e tamanho de brotos.
Figura 2. Comparação de tamanho de um broto.

Conclusões:
Após as análises estatísticas referentes a cada uma das variáveis estudadas e suas respectivas interações, temos que, para as condições do estudo, a utilização de AIB, nestas concentrações, não se mostra eficiente para a produção em escala comercial de mudas de Coffea arabica L. cv. Acaiá cerrado.
Entre as variáveis estudadas (número de estacas vivas, porcentual de estacas vivas, número de brotos e tamanho de brotos), nenhuma apresenta resultado que possa ser classificado como satisfatório, acarretando a inviabilidade deste método de reprodução. Pesquisas com concentrações maiores de AIB devem ser feitas para se avaliar o quão significativo isto pode ser em relação à morte das estacas.
