Quer continuar bebendo café?

Ser produtor não é sinônimo de bons ventos e mares tranquilos, não é sinônimo de bonança e dias calmos; ser produtor é lutar contra o mercado que o oprime, é lutar contra as estimativas escusas de safra, é lutar contra o clima, e, este último, que se agigantou nos meses de janeiro e fevereiro, e fez secar o líquido aminótico das placentas, imprimiu ainda mais o sofrimento.

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A fruta mais consumida no mundo tem seu nascimento no campo, berço de milhares de nascimentos, onde a dor se espalha no parteiro mais do que na própria mãe árvore. Ser produtor não é sinônimo de bons ventos e mares tranquilos, não é sinônimo de bonança e dias calmos; ser produtor é lutar contra o mercado que o oprime, é lutar contra as estimativas escusas de safra, é lutar contra o clima, e, este último, que se agigantou nos meses de janeiro e fevereiro, e fez secar o líquido aminótico das placentas, imprimiu ainda mais o sofrimento. Resultado: safras comprometidas, qualidade comprometida, produtores apreensivos.

O campo foi e continua sendo o principal pilar da economia brasileira, historicamente agrário. O consumo consciente de café arrasta transparência e dignidade para dentro do processo, impulsiona a qualidade e dá esperança ao pequeno produtor, além de preservar a fauna e flora. Envolver as torrefações e o consumidor final fortalece a cadeia e aproxima seus elos.

Produzir qualquer coisa no Brasil não é tarefa fácil, todos sabem o esforço que é empreender, e, no ramo do café, cada vez mais o elemento criatividade e relacionamento se tornam fatores de sobrevivência e permanência nesse mercado. Investir em qualidade, seja pelo produtor, torrefador ou cafeterias, só faz sentido se o consumidor final entender a proposta e gostar da experiência, seja pela história contada, seja pela complexidade da bebida.

Boa parte das pessoas que consomem a rapidez de apertar um botão e o requinte de uma máquina não trocarão essa praticidade pelo ritual de obter uma xícara rica em notas sensoriais de um processo mais lento e meticuloso. No entanto, boa parte delas não voltará atrás, pois a qualidade conseguida dessa forma é notória e envolvente. Como diz um amigo: 'é uma viagem sem volta'.

O real valor que essa experiência proporciona, mais do que o marketing do produto, é a geração de prazer associado a humanização de histórias, e essas precisam ser contadas a cada café vendido. Esse é o primeiro passo para se diferenciar um produto excelente e que não tem um astro de Hollywood para rotular.

Uma cadeia bem fortalecida é sinônimo de preservação ambiental e dias melhores para quem se alimenta dessa bebida.

Senhores e senhoras consumidoras, o cafezinho de todo dia corre riscos, do mais caro ao mais baratinho, cuide bem do seu fornecedor, ele precisa da sua atenção.

O artigo foi escrito por Hugo Wolff Sanches de Oliveira, da Wolff Café
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GINOAZZOLINI NETO
GINOAZZOLINI NETO

LONDRINA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 05/04/2014

Finalmente um artigo que contempla as dificuldades do produtor de café e a completa ausência do Estado no apoio a estes produtores.
Ivan Franco Caixeta
IVAN FRANCO CAIXETA

MACHADO - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 03/04/2014

Prezado Wolff,

Parabéns pelas suas colocações, que reconhece nossas lutas e dificuldades como produtor, suas palavras amenizam nossa dor e nos reanima a continuar produzindo, apesar do descaso e até desprezo de governos e sociedade. Somos muitas vezes taxados de destruidores do meio ambiente, exploradores e caipiras.

O mercado esta matando a galinha dos ovos de ouro, muitos estão mudando de ramo, muitas vezes por falta de reconhecimento da nossa luta e de estímulos para produzir.

Obrigado por seu estimulo a atenção com o produtor e com seu produto.

Abraços

Ivan