Exportações de café caem 15,7% na safra 2025/26; Alemanha supera EUA como principal destino

Embarques caíram para 38,5 milhões de sacas em meio à menor oferta de café e ao tarifaço dos EUA. Alemanha assumiu a liderança entre os compradores do produto brasileiro pela primeira vez desde 2009/10

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O Brasil exportou 38,46 milhões de sacas de café entre julho de 2025 e junho de 2026, encerrando o ano-safra com queda de 15,7% em relação ao ciclo anterior, informou o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) nesta quarta-feira (15). 

Apesar do recuo em volume, a receita cambial alcançou US$ 14,6 bilhões, 1% a menos da registrada em 2024/25 e a segunda maior da série histórica – reflexo das elevadas cotações internacionais entre setembro de 2025 e janeiro de 2026.

As exportações de arábica somaram 29,5 milhões de sacas, redução de 15,3% frente ao ano-safra anterior. Já os embarques de canéfora (conilon e robusta) recuaram para 5,03 milhões de sacas, com queda de 23,5%. 

Entre os cafés industrializados, o solúvel teve retração de 6,8%, totalizando 3,87 milhões de sacas, e o café torrado e torrado e moído registrou 56,9 mil sacas, praticamente estável (-2%).

Segundo o Cecafé, a redução dos embarques era esperada diante da menor disponibilidade do produto depois de exportações recordes em 2024. A entidade atribui o desempenho principalmente à redução dos estoques nacionais, à menor oferta provocada pelos efeitos climáticos sobre a safra de 2025 e aos gargalos logísticos nos portos brasileiros, que atrasaram embarques e elevaram custos para os exportadores.

Além disso, o tarifaço de 50% aplicado pelos Estados Unidos aos cafés brasileiros durante cerca de quatro meses também ajudou na queda dos embarques. Nesse período, as exportações para o mercado norte-americano caíram 54,9%, contribuindo para que os EUA deixassem de ser, pela primeira vez desde o ano-safra 2009/10, o principal destino do café brasileiro.

Com isso, a Alemanha assumiu a liderança como maior país importador dos cafés brasileiros, adquirindo 5,19 milhões de sacas, equivalentes a 13,5% das exportações do período, apesar da queda de 20,6% em relação ao ciclo anterior. 

Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com 4,24 milhões de sacas (11% do total) – volume 43,2% inferior ao registrado em 2024/25. Itália, Bélgica e Japão completaram os cinco principais destinos.

Para o Cecafé, a recuperação do ritmo das exportações dependerá agora do avanço da colheita da safra 2026/27, da qualidade dos cafés colhidos e da normalização do ambiente comercial internacional.

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Equipe CaféPoint

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