Apesar do recuo em volume, a receita cambial alcançou US$ 14,6 bilhões, 1% a menos da registrada em 2024/25 e a segunda maior da série histórica – reflexo das elevadas cotações internacionais entre setembro de 2025 e janeiro de 2026.
As exportações de arábica somaram 29,5 milhões de sacas, redução de 15,3% frente ao ano-safra anterior. Já os embarques de canéfora (conilon e robusta) recuaram para 5,03 milhões de sacas, com queda de 23,5%.
Entre os cafés industrializados, o solúvel teve retração de 6,8%, totalizando 3,87 milhões de sacas, e o café torrado e torrado e moído registrou 56,9 mil sacas, praticamente estável (-2%).
Segundo o Cecafé, a redução dos embarques era esperada diante da menor disponibilidade do produto depois de exportações recordes em 2024. A entidade atribui o desempenho principalmente à redução dos estoques nacionais, à menor oferta provocada pelos efeitos climáticos sobre a safra de 2025 e aos gargalos logísticos nos portos brasileiros, que atrasaram embarques e elevaram custos para os exportadores.
Além disso, o tarifaço de 50% aplicado pelos Estados Unidos aos cafés brasileiros durante cerca de quatro meses também ajudou na queda dos embarques. Nesse período, as exportações para o mercado norte-americano caíram 54,9%, contribuindo para que os EUA deixassem de ser, pela primeira vez desde o ano-safra 2009/10, o principal destino do café brasileiro.
Com isso, a Alemanha assumiu a liderança como maior país importador dos cafés brasileiros, adquirindo 5,19 milhões de sacas, equivalentes a 13,5% das exportações do período, apesar da queda de 20,6% em relação ao ciclo anterior.
Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com 4,24 milhões de sacas (11% do total) – volume 43,2% inferior ao registrado em 2024/25. Itália, Bélgica e Japão completaram os cinco principais destinos.
Para o Cecafé, a recuperação do ritmo das exportações dependerá agora do avanço da colheita da safra 2026/27, da qualidade dos cafés colhidos e da normalização do ambiente comercial internacional.