Boletim Carvalhaes: Café sobe nas bolsas internacionais com temor sobre safra e clima

Chuvas fora de época no Brasil e a previsão de um novo El Niño elevam as preocupações com a oferta global e impulsionam os preços do arábica e do robusta

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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Os contratos futuros de café registraram forte valorização na última semana nas bolsas internacionais, refletindo o aumento das preocupações com a produção da próxima safra. Segundo o Boletim Carvalhaes, fatores climáticos e a perspectiva de um novo episódio do fenômeno El Niño têm levado investidores a rever suas posições no mercado.

Na ICE Futures US, em Nova York, os contratos de café arábica tiveram dois pregões de alta expressiva e acumularam forte valorização ao longo da semana. Na máxima do período, o contrato com vencimento em setembro atingiu US$ 3,1680 por libra-peso.

O desempenho também foi positivo no acumulado de junho. Os contratos de arábica avançaram 3.775 pontos, alta de 14,6% no mês. Em Londres, os contratos futuros de robusta para setembro encerraram junho com ganho de US$ 311 por tonelada, equivalente a uma valorização de 9,29%.

Entre os fatores que sustentam a alta estão as chuvas registradas em pleno mês de junho nas principais regiões produtoras de café do Brasil. De acordo com o informativo, o clima tem provocado a queda de frutos maduros no chão, comprometendo a qualidade média da nova safra, além de favorecer a incidência de pragas e atrasar a colheita, que já enfrenta dificuldades relacionadas à escassez de mão de obra e ao aumento dos custos de produção.

O mercado também acompanha com atenção as previsões para a formação de um novo episódio do fenômeno El Niño. Caso se confirme, o evento climático poderá afetar a produção de café nos principais países produtores em 2027, reforçando as incertezas sobre a oferta global e sustentando o movimento de alta nas cotações internacionais.

Contratos de arábica

Nesta sexta (3), não houve pregão na ICE Futures US devido à antecipação do feriado de comemoração do Dia da Independência dos EUA. Na quinta (2), recuaram 870 pontos (2,81%) e encerraram a semana valendo US$ 3,0120 por libra peso. Na quarta (1º) subiram 1.345 pontos (4,54%), na terça (30) tiveram alta de 1.865 pontos e, na segunda (29), de 460 pontos (1,68%). Na semana, somaram alta de 2.800 pontos (10,25%). Em junho, esses  contratos para setembro próximo somaram alta de 3.775 pontos (14,60%).

Contratos de robusta

Na ICE Europe, os contratos de robusta para setembro próximo bateram na máxima de sexta (3) em US$ 3.783 por tonelada, mesmo valor do fechamento da quinta (2). Encerraram o pregão a US$ 3.716, em queda de US$ 67 (1,77%). Na quinta (2) subiram US$ 12 (0,32%) e, na quarta (1º), US$ 113 (3,09%). Na semana, somaram alta de US$ 89 (2,45%). No mês de junho, somaram alta de US$ 311 (9,29%).

Contratos futuros em R$

Em reais por saca, os contratos para julho próximo na ICE Futures US fecharam valendo R$ 2.059,47. Terminaram a quinta (2) a R$ 2.075,71. Encerraram a última sexta (26) a R$ 1.868,02 e a sexta anterior à passada (19) a R$ 1.829,68.

Estoques certificados

Os estoques de cafés arábicas certificados na ICE Futures US fecharam na última semana em 373.018 sacas. Há um ano totalizavam 843.759 sacas – queda de 470.741 sacas (55,80%). Esses estoques somaram queda na semana passada de 9.066 sacas. Em junho, somaram queda de 57.965 sacas e no mês de maio de 63.853 sacas. Somaram queda de 158.706 sacas nos primeiros seis meses de 2026. Em 2025, os estoques certificados pela ICE Futures US recuaram 53,76%, acumulando perdas de 526.812 sacas.

Mercado físico brasileiro

O mercado físico brasileiro de arábica apresentou-se firme durante toda a semana, com interesse comprador para todos os padrões de café. A alta nos preços do mercado físico não foi suficiente para motivar os vendedores. O volume de negócios fechados ficou bem abaixo das necessidades dos compradores. “Em nossa opinião, é pouco o café arábica da safra 2025/2026 ainda em mãos de produtores, e a entrada da nova safra 2026/2027 acontece devagar devido aos problemas climáticos, quedas de frutos, custos e dificuldades com mão de obra”, informa o Boletim.

Os produtores continuam adiando vendas, aguardando um quadro mais claro do cenário para os próximos meses. Vendem apenas o necessário para cumprir os compromissos mais próximos.

Até dia 3 os embarques de junho estavam em 1.991.480 sacas de arábica, 630.238 sacas de conilon, mais 386.487 sacas de solúvel, totalizando 3.008.205 sacas embarcadas, contra 3.063.597 sacas no mesmo dia de maio.

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